- Redação da Central do Timão
O assassinato de Vitória Regina de Sousa, jovem de 17 anos e torcedora apaixonada do Corinthians, tornou-se um símbolo doloroso da violência que persiste contra as mulheres no Brasil. Seu corpo, encontrado em estado avançado de decomposição, revelou marcas de extrema brutalidade: sinais de tortura, cabelo raspado e a exposição desumana de sua vulnerabilidade. Longe de ser um caso isolado, esse crime bárbaro é o retrato da misoginia estrutural que transforma corpos femininos em alvos de ódio e dominação.
Vitória era uma adolescente que, como tantas outras, enfrentava o medo cotidiano de ser mulher. As mensagens enviadas a uma amiga momentos antes de desaparecer, nas quais relatava estar sendo seguida, denotam o terror silencioso que acompanha trajetórias rotineiras, como o caminho de volta do trabalho. O direito de ir e vir, algo tão básico, ainda é negado às mulheres, que precisam lidar com o assédio, a insegurança e a impunidade que alimentam esses crimes.

Sua morte brutal, às vésperas do Dia Internacional da Mulher, expõe a contradição de uma data que deveria celebrar conquistas, mas que, infelizmente, ainda é marcada por lutas e perdas. Revela, também, a dura realidade de um país onde, diariamente, mulheres são perseguidas, violentadas e assassinadas apenas por existirem — e a impunidade, aliada a uma cultura que naturaliza a violência de gênero, permite que agressores ajam sem temer sequer o peso da lei.
A comoção em torno do assassinato da jovem corinthiana, evidenciada pelo grande número de pessoas que acompanharam seu velório, é uma expressão da indignação coletiva diante de uma realidade que não pode mais ser ignorada. A bandeira do Corinthians sobre seu caixão simboliza não apenas sua paixão pelo clube, mas também a união de uma torcida que se vê representada em sua história.
A campanha nas redes sociais para que o Corinthians a homenageie no próximo jogo é um pedido por visibilidade e justiça, mas também um chamado para que o esporte, tão influente na cultura brasileira, assuma um papel ativo no combate à violência contra a mulher.
É preciso ir além das homenagens. Devemos exigir justiça, implementar leis mais rigorosas com aplicação efetiva e criar políticas públicas eficazes, que incluam investimentos em educação voltada para a igualdade de gênero desde a infância. Acima de tudo, é imperativo promover uma transformação cultural que valorize e proteja a vida das mulheres.
Vitória, que completaria 18 anos em 13 de abril, jamais alcançará a maioridade, não verá seu time em campo novamente e não terá a oportunidade de realizar os sonhos que idealizava para o futuro. Sua morte não pode ser esquecida. Hoje, ela simboliza todas as vidas interrompidas pela violência. Honrar sua memória é exigir justiça — não apenas por ela, mas para que nenhuma mulher precise temer o caminho de volta para casa, nenhuma família sofra a dor de perder uma filha e nenhuma torcedora seja reduzida a estatística.
Neste 8 de março, enquanto o mundo discute igualdade, lembremos de Vitória. Que sua história nos mobilize a lutar para transformar dor e indignação em ações concretas que garantam, de fato, que todas as mulheres possam viver sem medo.

Denuncie a violência contra a mulher
Se presenciar um caso de agressão contra uma mulher, ligue para o 190 e faça a denúncia.
Também é possível denunciar por meio do Disque 180, da Central de Atendimento à Mulher, ou do Disque 100, que investiga violações aos direitos humanos.
Veja mais:
Tributo a Vitória: Corinthians prepara homenagens a torcedora morta em Cajamar
Equipe feminina do Corinthians faz penúltimo treino antes de estreia na temporada 2025
Corinthians tem sete atletas convocadas para a Seleção Brasileira Feminina Sub-17