
Dia de falar um pouco sobre mim, tentando explicar nessas longas linhas como o Corinthians influencia minha vida.
Por muitas vezes, memórias da vida pessoal e do clube de coração se entrelaçam como uma única história. Momentos de nossa infância, adolescência até as mais recentes. E para todo corinthiano, aquele famoso cântico da torcida faz todo sentido: Corinthians, Corinthians minha vida, Corinthians minha história, Corinthians meu amor!
Não sei dizer bem como, nem quando minha história e a do Corinthians começaram a coexistir, desde garoto sempre soube que era corintiano: algo instintivo e natural. Mas minhas primeiras lembranças se remetem provavelmente a 1990, quando eu tinha uns sete anos naquelas brincadeiras de ruas com amigos e nas férias com os primos jogando bola. Como nas histórias do Chaves, quando íamos brincar ou jogar bola sempre queríamos ser algum herói ou jogador do elenco do clube de coração quando o assunto era futebol. Estou falando de 1990, então não é difícil imaginar que todos queriam ser o Neto. Não sei se aí já começa a se definir algo na personalidade da criança, porque eu sempre quis ser o Tupãzinho.

Enquanto a molecada discutia quem iria ser o Neto naquela gritaria de “eu falei primeiro”, “não, fui eu”… ”vamos tirar no par ou ímpar” (forma simples de resolver todas as discussões), eu já havia feito uma escolha muito consciente. Tupãzinho, além de fazer seus gols importantes (fez o gol do título) e em 1990 viver seu auge, era também um símbolo de raça!
De 1993, não guardo memórias tão boas, apesar das inesquecíveis comemorações do Viola que imitávamos nas brincadeiras e das memoráveis defesas do Ronaldo (quem nunca gritou Ronaaaaaaaaaaldo ao espalmar uma bola), o que me marcou nesse ano foi um cidadão: José Aparecido de Oliveira e o esquema Parmalat. Vejo, hoje, que foi uma experiência, apesar de negativa, que já ensinava um pouco de como a vida funcionava.

Talvez de 1995 eu guarde uma de minhas melhores lembranças. Havia me mudado para São Paulo, no final de 1994 e, enfim, pude assistir a minha primeira partida do Corinthians. Seria a primeira e a última ao lado do meu amado avô que veio há falecer dois anos depois. Era Corinthians x Paraná pela semifinal da Copa do Brasil em um time comandado por um novo ídolo: Marcelinho Carioca. Recordo-me da confusão para entrar no tobogã, o empurra-empurra e a chuva que resolveu aparecer durante a partida. Mas o que era uma chuva para um garoto que estava deslumbrando a glória de ir ao estádio ver o Corinthians pela primeira vez? Eu pulava e curtia cada momento da partida!
1997, ao lado dos meus pais, fomos ao Morumbi ver meu time ser campeão paulista. Antes de entrar no estádio, um São Paulino mala passou correndo e arrancou um gorro da minha cabeça e saiu correndo, meu pai tinha acabado de comprar o gorro. Lembro-me do meu pai, são paulino, falar para eu não me importar com gorro, e não deixar um bandido estragar meu dia. Ele estava certo, importante era o título rsrsrs e acredite, meu pai torceu pelo Corinthians nessa partida! Aliás, apesar de são paulino, sempre que enfrentava o Corinthians, tinha a sensação de que a torcida dele era para nosso time. Estava atrás do gol que Ronaldo fez milagre na finalização do França à queima roupa. Primeiro título que assisti em um estádio, sensação indescritível! Como era bom ver o Corinthians jogar, principalmente com feras como Ronaldo e Marcelinho.
Corinthians e Atlético-MG, em agosto pelo Brasileiro de 1997, essa foi a última
partida que falei com meu avô. Ele estava no hospital e antes do jogo me ligou
para ir visitá-lo. Mal sabia que seria a última vez que conversaria com ele.
Muita coisa aconteceu depois disso. Corinthians faturou mais três títulos Brasileiros, um título mundial, duas copas do Brasil, torneio Rio-SP, alguns campeonatos paulistas… Foi até rebaixado e subiu novamente, ainda mais forte!

Mudei de cidade algumas vezes, fiz faculdade, comecei a trabalhar. Em 2010 tive a felicidade de levar minha avó, no dia de seu aniversário, para conhecer o Chicão, ela era fã número um! Fiz contato com uma pessoa que conhecia no clube, e essa pessoa nos colocou para dentro do treino no PSJ (ela literalmente foi à beirada do gramado).
Minha velhinha estava eufórica, conversou e tirou foto com todos os jogadores, encheu o Chicão de beijos, bateu papo com o Roberto Carlos por quase meia hora… Parecia uma garotinha empolgada. No dia seguinte, fomos ao jogo no Pacaembu e não é que a danada é pé quente?! Corinthians 3×0 fora o baile…
Começo de 2011, uma tragédia: Corinthians é eliminado pelo Tolima! Foda! Depois de ir a praticamente todos os jogos em 2010 e deixar escapar aquele título brasileiro (valeu Adilson Batista)… Uma eliminação para o Tolima era tudo o que eu não esperava! Eis que uma Palmeirense folgada que trabalhava comigo me envia um SMS, zoando… Até que entra o melhor ano da minha vida: 2012.
SIM, minha esposa estava grávida! Ah, minha esposa é a tal Palmeirense folgada a que me refiro. Não podia ser melhor, até que minha esposa tem um descolamento de placenta (quem tem filho deve saber à que me refiro) e temos o risco de perder o bebê. Então, toda quarta-feira (data escolhida pelo médico) era aquela tensão: Ir ao hospital fazer exames, e depois jogo da Libertadores.Para ajudar, toda quarta minha pequena corintiana estava com os batimentos do coração acelerados nos exames. Chega a quarta tão esperada, a decisão no “PACA”, e o tão sonhado título… Corinthians campeão da Libertadores! PQP… Como comemorei!
Na quarta-feira seguinte vamos ao hospital, tinha jogo da porcada na final contra o Coxa e Corinthians e Botafogo… Descolamento sob controle, batimentos normais! Ufa… Mais um alivio! Para comemorar vou para o Pacaembu, e acabo vendo uma derrota para o Botafogo. Mas vou reclamar do que? Meu time era campeão da Libertadores e minha filha estava saudável.
Enfim, o Mundial Fifa: minha esposa prestes a ganhar neném e eu já havia vestido minha farda! E mais uma vez ganhamos o mundo, lembro que minha esposa até se emocionou de ver o tanto que chorei ao ver aquela bola do Guerreiro entrar, acho, inclusive, que foi a primeira vez que chorei de alegria! E terminando o jogo… Chorei novamente. É campeão POR..RA! Sai esse dia decidido, minha filha vai se chamar Paola. Nem precisa explicar o porque. Primeira vez que agradeci por ter uma esposa palmeirense. Imagina se coloco o nome daquele traíra na minha filha?

Mas consegui uma troca justa. Não coloquei o nome, mas a convenci que tinha que existir uma contra partida! A primeira roupa que minha filha vestiria seria o manto do Corinthians. E assim foi!
Durante toda minha vida ouvi que não tinha que dar tanta relevância ao futebol que não agregava nada para ninguém ser fanático, que não me dava dinheiro, que futebol era gerido por corruptos etc. Essa última parte pode até ser verdade, mas sobre o futebol não ter relevância? Para mim tem, e muita! Afinal, sou corinthiano e o Corinthians faz parte da minha vida, faz parte da minha história! É um dos meus grandes amores, praticamente uma religião que cultuo todos os dias!
Portanto, só posso agradecer ao Corinthians por existir, pois minha vida, minha história e meus amores não seriam os mesmos sem ele.
Quer me contar os entrelaces da sua vida com o Corinthians? Conta aí nos comentários, vamos interagir… E… vai Corinthians!!!
O Fiel Mosqueteiro é um dos blogueiros da Central do Timão e você pode seguir ele em suas redes sociais. Instagram @ofielmosqueteiro, Twitter @ofm_oficial ou em sua página no Facebook O Fiel Mosqueteiro
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