- Por Henrique Pereira / Redação da Central do Timão
O goleiro Hugo Souza foi um dos principais nomes do empate sem gols entre Sport Club Corinthians Paulista e Sociedade Esportiva Palmeiras, no último domingo (12), pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro. Além das defesas decisivas durante o clássico, o arqueiro também comentou sobre a confusão após o apito final, o momento da equipe e a chegada do técnico Fernando Diniz.
Logo após o Derby, o cenário fora de campo chamou atenção, com relatos de confusão envolvendo seguranças e membros das delegações. Hugo, no entanto, minimizou o ocorrido e tratou o episódio como algo comum em clássicos, afastando a ideia de agressões mais graves.

“Cara, na verdade, eu estava dando entrevista e não vi, mas pelo que me passaram foi cabeça quente, empurra-empurra, um tentando se empurrar por cima do outro. Coisa que não é normal, mas acontece bastante, principalmente em clássicos. Posso ser criticado pelo que está sendo feito, mas acho que estão fazendo uma tempestade muito grande em um copo d’água bem pequeno”, iniciou Hugo Souza.
“Falaram que houve agressão de um funcionário nosso, mas também os seguranças deles vieram para cima dos nossos jogadores primeiro. Então acho que existe um pouco de má-fé nisso tudo, um pouco de querer aumentar as coisas. Mas foi uma situação de empurra-empurra, todo mundo de cabeça quente e nada além disso”, prosseguiu.
Dentro de campo, o Corinthians viveu uma atuação de muita entrega, especialmente após ficar com dois jogadores a menos. Mesmo sob forte pressão recente, o time foi reconhecido pela torcida ao final da partida, algo valorizado pelo goleiro.
“Cara, é gratificante para nós. Somos um elenco que todo mundo fala, e a gente sente isso, que é bem conectado com a torcida, um elenco que dá a devida importância à torcida. Nós fomos cobrados, pressionados, e a torcida tem o direito dela de cobrar. A gente não vinha apresentando resultados que deixavam a torcida feliz, então vamos ser cobrados por isso”, apontou Hugo.
“A gente se fechou muito, entendeu o que precisava melhorar e vencemos um jogo importante fora de casa, e hoje foi um jogo de muito sacrifício. É óbvio que todo esse contexto de confusão estraga um pouco o que foi a performance do Corinthians hoje”, continuou.
“Com dois jogadores a menos, conseguimos não ceder oportunidades ao adversário, fomos muito fortes, nos doamos dentro de campo. O Raniele correu por cinco jogadores, o Yuri correu por cinco, o Bidon também. Acho que é isso que tem que ser exaltado. Eu jamais vou comemorar empate contra esses caras, nunca, mas hoje foi um ponto muito importante dentro das circunstâncias do jogo”, completou o arqueiro.
O goleiro também comentou sobre o ambiente externo conturbado envolvendo o clube, destacando a necessidade de blindagem do elenco diante de polêmicas extracampo.
“Acho que a gente tem que se abster disso, tentar tirar a cabeça dessas coisas e focar só em jogar, fazer o nosso trabalho, fazer o que a gente é pago para fazer e, principalmente, o que a gente ama fazer, que é jogar futebol e defender o Corinthians. Isso é o que importa. A gente tem que se blindar o tempo inteiro dessas coisas e colocar como prioridade defender o Corinthians. E é isso que a gente tem feito”, disse o jogador.
Outro tema abordado foi a expulsão do jovem André, que deixou o time em situação delicada durante a partida. Hugo Souza revelou bastidores da conversa com o companheiro e adotou um tom compreensivo após o cartão vermelho polêmico.
“Cara, eu perguntei ao André porque fiquei surpreso por ser ele. O André é um cara que tem boca e não fala, fica quieto o tempo inteiro. Você fala com ele, ele baixa a cabeça e só concorda. É muito tímido, mas é um cara de uma personalidade incrível dentro de campo. Quando entra em campo, parece que tem 33 anos jogando futebol. Eu fiquei surpreso e perguntei: ‘E aí, negão, foi de propósito?’. Ele falou: ‘Mano, não foi, mas pareceu que foi’”, revelou o goleiro.
“Vai servir de aprendizado, vai ficar de lição para ele. Ele disse que foi ajeitar o short, e eu vou acreditar nele até o final. Até brinquei com ele: ‘Tomara que as câmeras não me filmem, porque eu ajeito o short o tempo inteiro’. Mas pareceu um gesto proposital e espero que sirva de lição para que nem ele, nem ninguém passe por isso novamente”, completou.
A resposta do elenco às cobranças também foi pauta da entrevista. Para Hugo Souza, o grupo respondeu da maneira correta, com entrega e evolução dentro de campo nos últimos dois jogos. Antes do Derby, o Timão bateu o Platense por 2 x 0, fora de casa, pela Libertadores.
“Acho que a gente reagiu da forma que tem que reagir: entregando resultado e melhorando. Por mais que eu nunca vá ser a favor de agressões, xingamentos ou palavrões, chega um momento em que a cobrança vem de forma mais intensa e a gente tem que responder com resultado. Foi isso que aconteceu hoje e também na quarta-feira passada. É o que vai começar a acontecer novamente: a gente vai voltar a entregar resultado”, afirmou o arqueiro corinthiano.
Um dos lances marcantes do pós-jogo foi o momento em que Hugo Souza carregou Yuri Alberto, que mal conseguia andar após a partida devido a fortes câimbras nas pernas. O goleiro detalhou a situação e exaltou o esforço coletivo.
“Às vezes o meu papel é esse, de super-herói também (risos). Mas o Yuri não estava aguentando andar, estava com cãibra nas duas pernas. Até no lance que ele perdeu o gol, ele falou que quando cabeceou a bola e saiu na frente, as pernas já puxaram. Ele foi no limite. Ele correu demais, se entregou demais. Com oito jogadores em campo, todo mundo teve que correr dobrado. Ele estava tirando bola até no escanteio”, disse.
“Eu falei: ‘Sobe nas minhas costas e vamos embora, eu te carrego’. E carreguei. Ele chegou aqui e não aguentava andar até o vestiário, ficou esperando alguém levar. Mas é só cansaço. Ele foi no limite. E dentro de tudo isso, é isso que tem que ser exaltado”, completou o jogador.
Hugo também comentou os primeiros dias de trabalho com Fernando Diniz, destacando a intensidade e a tentativa de implementar novas ideias no estilo de jogo do Alvinegro Paulista mesmo com pouco tempo de treino.
“Cara, a gente tem pouquíssimo tempo de treino. É vídeo, informação, conversa. Ontem a gente começou a treinar e já era de noite. Fomos treinar bola parada e já não dava para ver nada. Eu até brinquei: ‘Se eu pegar aqui no escuro, imagina no claro’. A gente tem que aproveitar ao máximo o professor Diniz. É um cara que traz muita energia, muita ambição, que puxa todo mundo para cima. Queremos absorver tudo que ele tem para oferecer, informação, emoção. É um cara que tem muito a agregar e a gente sente isso no dia a dia”, afirmou Hugo Souza.
Por fim, o goleiro corinthiano abordou críticas sobre seu estilo de jogo e a visão externa sobre seu desempenho, reforçando confiança no próprio trabalho e valorizando o reconhecimento interno que recebe diariamente.
“Eu sou um cara de mente muito tranquila. Aprendi ao longo da vida a entender quem eu sou, independente da opinião dos outros. Sou um cara que entrega resultado. Estou há quase dois anos no Corinthians em alto nível, conquistando títulos e sendo decisivo. O que importa para mim é como o clube me vê, como minha família, meus companheiros me veem”, comentou.
“Se falam que eu só pego pênaltis, isso não importa. Eu realmente sou muito bom nos pênaltis, mas também sou muito bom no jogo. Os pênaltis são um bônus. Tenho 27 anos, ainda tenho muito a evoluir e estou disposto a aprender. O que importa é o respeito de quem está comigo no dia a dia. Isso é o que realmente vale para mim”, finalizou Hugo Souza.
Após o empate no clássico, o Timão volta suas atenções para a Copa Libertadores novamente. A equipe entra em campo na quarta-feira (15), na Neo Química Arena, para enfrentar o Independiente Santa Fé, da Colômbia, às 21h30 (de Brasília).
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