Gustavo Henrique exalta entrega do Corinthians no Derby, minimiza confusão e reforça confiança em reação

  • Por Henrique Pereira / Redação da Central do Timão

O empate sem gols entre Corinthians e Palmeiras, neste domingo (12), na Neo Química Arena, pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro, foi marcado por muita intensidade, expulsões e também por um clima quente após o apito final. Um dos líderes do elenco alvinegro, o zagueiro Gustavo Henrique falou na zona mista sobre o clássico, abordando desde a confusão no túnel até a atuação da equipe mesmo com dois jogadores a menos.

Logo após a partida, o defensor comentou sobre o princípio de confusão envolvendo seguranças e integrantes das duas delegações. Segundo ele, o episódio não passou de um desentendimento comum em clássicos desse porte, sem maiores consequências.

“Aconteceu um empurra-empurra normal, entre seguranças deles e os nossos. Depois a gente chegou também e ficou aquele empurra-empurra, uma tentativa de se empurrar. Mas aqui dentro de casa quem manda é a gente e a gente tem que se impor”, iniciou o zagueiro.

“Claro que a gente nunca é a favor de violência, a gente é contra, mas também não é trouxa. Não vamos deixar o adversário vir aqui e fazer o que quer na nossa casa. Acho que faz parte, é Derby, um dos maiores clássicos do mundo. Todo mundo de cabeça quente, cada um defendendo o seu. O importante é que não teve nenhum tipo de agressão, nenhuma violência mais séria”, continue.

Dentro de campo, o Corinthians precisou lidar com um cenário adverso após duas expulsões, o que exigiu ainda mais esforço coletivo para segurar o empate. Gustavo destacou a entrega do grupo e valorizou o ponto conquistado diante das circunstâncias. O defensor também falou sobre o volante André, expulso por cometer um gesto obsceno, e pontuou que o jovem aprenderá com o erro.

“Cara, mais do que o ponto conquistado, é exaltar a entrega de todo mundo. Infelizmente tivemos duas expulsões e isso faz com que a gente tenha que correr ainda mais. Que sirva de lição para manter a cabeça no lugar e terminar sempre com 11 jogadores. Nunca deixando de lutar, nunca deixando de dar carrinho, mas com sabedoria”, afirmou o jogador.

“O André é um menino novo, vai aprender com o erro. A gente está com ele em todos os momentos. Mas o mais importante foi a entrega do grupo e também da torcida, que nos apoiou o tempo todo. Agora é pensar no próximo jogo”, complementou.

O zagueiro também foi questionado sobre o clima de tensão durante o clássico e a influência da arbitragem no andamento da partida. Para ele, a paralisação excessiva do jogo acaba prejudicando o espetáculo, mas não foi determinante para as discussões.

“Arbitragem é difícil falar. Eu já disse outras vezes que não gosto muito de comentar isso. A gente jogou um jogo muito bom contra o Platense, com um árbitro que deixa o jogo correr. Aqui no Brasil, o jogo para muito, fica picado. Isso irrita, porque a gente quer jogar. Fica ruim para o torcedor também”, criticou o defensor corinthiano.

“Mas não foi isso que causou as discussões. Derby é sempre assim, a gente entrou como se fosse uma final. Com 11 contra 11, a gente estava melhor no jogo, duelando bem, ganhando as bolas. Infelizmente o André foi infeliz, mas a gente correu por ele e mostrou a força do grupo”, continuou Gustavo Henrique.

A cobrança da torcida, intensificada nas últimas semanas, também entrou em pauta. Gustavo reconheceu o peso da camisa alvinegra e afirmou que o elenco sabe lidar com a pressão, embora discorde de excessos.

“Para mim não interfere em nada. A gente sabe que não estava conseguindo os resultados, mas estava se entregando. Talvez a cobrança tenha passado um pouco do tom, talvez a gente precisasse de um pouco mais de proteção, mas faz parte. Eu sempre vou respeitar a torcida organizada, conversar olho no olho quando necessário”, apontou.

“Agora, quando parte para ameaça, eu não concordo. Mas a gente sabe lidar com isso. Somos um grupo de homens, sabemos a responsabilidade que temos. No Corinthians a pressão é grande e temos que estar preparados para isso”, prosseguiu o zagueiro.

Na sequência, Gustavo Henrique voltou a falar sobre a expulsão do companheiro André no segundo tempo e adotou um discurso de apoio, ressaltando que o episódio servirá como aprendizado para o jogador de 19 anos.

“É difícil falar o que passou na cabeça dele. Tem que perguntar mais para ele. Mas é um garoto, vai aprender muito ainda. Ele tem nos ajudado bastante e tem um futuro enorme. A gente vai estar ao lado dele em todos os momentos para que isso não se repita. Eu também já fui jovem, já errei e aprendi com meus erros. Ele vai aprender também”, pontuou o defensor.

Outro tema abordado foi a pressão externa sobre o elenco, especialmente após declarações de torcedores que sugeriram uma possível falta de empenho com o antigo treinador. Gustavo negou qualquer tipo de situação nesse sentido e reforçou o respeito por Dorival Júnior.

“O que falam não importa para a gente. Ninguém sabe o que acontece lá dentro. Como a gente ia querer derrubar um treinador que foi campeão com a gente dois meses antes? Eu trabalho com o Dorival há muito tempo, conheço ele há mais de 10 anos. Jamais faria isso. Ele é como um pai no futebol, um paizão para todo mundo. A gente respeitava muito ele. Se houve mudança, foi decisão da diretoria. Esse é um grupo muito bom, muito trabalhador. A gente sempre se dedicou ao máximo e sempre vai respeitar quem estiver aqui”, afirmou o zagueiro.

Já sob o comando de Fernando Diniz, o elenco começa a viver um novo momento, ainda em fase inicial de adaptação. Gustavo Henrique destacou a intensidade dos trabalhos e a energia trazida pelo novo treinador.

“Está sendo muito bom. É um cara com muita energia, trouxe um ar diferente para a gente. A gente ainda não conseguiu trabalhar tanto em campo por causa da sequência de jogos, mas ontem mesmo ficamos até quase no escuro treinando. Depois ainda tivemos uma longa sessão de vídeo. Dá para ver que ele gosta muito de trabalhar, e esse grupo também gosta. Queremos corrigir os erros e evoluir como equipe. Ele pode contar com a gente”, ressaltou.

Por fim, o zagueiro explicou a estratégia adotada após as expulsões, revelando a orientação passada pelo treinador para manter a competitividade mesmo em desvantagem numérica.

“No intervalo, ele colocou na nossa cabeça que, mesmo com um a menos, a gente podia jogar. Precisávamos nos defender bem primeiro, por causa da inferioridade numérica, e aproveitar os contra-ataques. Tivemos uma chance de matar o jogo e não conseguimos. Depois da segunda expulsão, montamos duas linhas de quatro. É natural o adversário pressionar mais. Mas valeu pela raça e pela entrega de todo mundo. Agora é pensar no próximo jogo e buscar os três pontos”, finalizou o camisa 13.

Após o empate no clássico, o Timão volta suas atenções para a Copa Libertadores novamente. A equipe entra em campo na quarta-feira (15), na Neo Química Arena, para enfrentar o Independiente Santa Fé, da Colômbia, às 21h30 (de Brasília).

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