- Por Henrique Pereira / Redação da Central do Timão
Ruud Gullit, um dos maiores nomes da história do futebol holandês, comentou sobre o possível papel de Memphis Depay na Copa do Mundo de 2026. O ex-jogador levantou questionamentos sobre o impacto do atacante do Corinthians em momentos decisivos, traçando um paralelo com Neymar, que também vive incerteza em relação à sua condição física.
“Não sabemos (se será decisivo no Mundial). Ele está lesionado, assim como Neymar. A pergunta é a mesma: você leva um jogador que não está em forma? Ou que não vem jogando bem? Precisamos de um bom Memphis. Se ele estiver pronto, ótimo, queremos muito. Mas hoje é uma dúvida, e com Neymar acontece a mesma coisa”, afirmou, em entrevista ao O Globo.

Frequentemente convocado por Ronald Koeman, Memphis ficou fora da última Data Fifa após sofrer uma lesão de grau 2 na coxa direita, em duelo contra o Flamengo, no dia 22 de março. Mesmo sendo o maior artilheiro da seleção holandesa, com 55 gols, o jogador foi alvo de uma análise crítica de Gullit, que questionou o peso de seus gols ao longo da carreira.
“Mas não é sobre quantidade, é sobre momento. Quando você fala de Maradona ou Pelé, você lembra dos gols decisivos. Quero ver Memphis e Neymar fazendo gols em jogos que ficam na memória. É isso que transforma um jogador em um dos grandes. Se eu te perguntar agora quais são os gols mais importantes dele, quais gols você lembra? Talvez você hesite. E é isso que eles precisam construir. Não é uma crítica. É um caminho. Pensa no Bergkamp: você lembra de um gol incrível dele?”, disse.
Após anos atuando no futebol europeu, Memphis chegou ao Corinthians em setembro de 2024, com contrato válido até o meio de 2026. Desde então, soma 77 partidas, 20 gols e 15 assistências, além de conquistas importantes como o Campeonato Paulista de 2025, a Copa do Brasil de 2025 e a Supercopa de 2026.
Gullit também comentou sobre o fato de o atacante atuar no Brasil, mas minimizou a influência disso em sua avaliação. Para ele, o fator determinante segue sendo o desempenho dentro de campo e a condição física do atleta.
“A liga brasileira é boa, tem bons jogadores, mas isso não é o ponto principal. O que acontece é que, historicamente, os brasileiros, e muitos outros, querem jogar na Europa, porque é onde está o mais alto nível competitivo. Dito isso, o Brasil sempre vai ter talento. O futebol lá é diferente, mais técnico, influenciado pelo clima, pelo ritmo do jogo. Mas qualidade nunca falta. No caso do Memphis, é difícil avaliar com precisão porque nem sempre acompanhamos de perto o Campeonato Brasileiro. Mas, no fim, não é sobre onde ele joga, é sobre como ele joga. Se estiver em forma e rendendo bem, pode chegar forte à Copa”, analisou.
Outro ponto abordado foi a vida fora dos gramados do atacante, que desde 2017 também se dedica à música e chegou a lançar conteúdos ligados ao Corinthians recentemente. Para Gullit, porém, o rendimento esportivo continua sendo o principal critério de avaliação.
“Se você joga bem, todo mundo aceita. Pode até achar estranho, discordar, mas aceita. O problema é quando isso vem sem desempenho. Se você escolhe esse estilo de vida, precisa entregar dentro de campo”, completou.
Aos 32 anos, Memphis segue em tratamento para retornar aos gramados e deve desfalcar o Corinthians no confronto contra o Vasco da Gama, no próximo domingo. Até a disputa do Mundial, o clube ainda terá 11 partidas pela frente.
A seleção da Holanda está no Grupo F da Copa do Mundo de 2026, ao lado de Japão, Suécia e Tunísia. A competição terá início no dia 11 de junho e a seleção holandesa fará sua primeira partida no dia 14, diante dos japoneses.
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