Duda Sampaio valoriza evolução do Corinthians antes da final e pede respeito: “Serve de combustível”

  • Por Mirella Ramos / Redação da Central do Timão

 

O Corinthians está em mais uma final do Campeonato Brasileiro Feminino. Depois da vitória por 1 x 0 sobre o Bahia, na noite da última segunda-feira (21), na Neo Química Arena, Duda Sampaio analisou o momento vivido pelas Brabas, projetou os confrontos contra o São Paulo e destacou a capacidade da equipe de crescer em partidas eliminatórias.

O gol de Jhonson, ainda no primeiro tempo, confirmou a segunda vitória alvinegra na semifinal. O Corinthians também havia vencido o jogo de ida por 1 x 0 e, assim, fechou o confronto com 2 x 0 no placar agregado.

Foto: Rodrigo Gazzanel / Agência Corinthian

Em entrevista coletiva após a classificação, Duda falou sobre a preparação para mais uma decisão. A meio-campista ressaltou que, apesar da experiência acumulada pelo elenco, cada final apresenta circunstâncias diferentes e afirmou estar preparada para os dois Majestosos que definirão o título.

“Acho que cada final é diferente, como eu já disse anteriormente, e poder jogar mais uma é muito gratificante. Defender o Corinthians, como eu disse anteriormente, também é algo único. E poder chegar e jogar contra o São Paulo, é uma equipe que a gente conhece muito. Então, vai ser algo, não algo novo, mas no sentido de uma final nova, e qualquer desafio nos motiva. E, falando individualmente, me sinto muito preparada para esse momento. Acho que é um ano muito importante para mim. A gente tem grandes objetivos aqui com o Corinthians. Então, é aproveitar essa semana, recuperar bem, treinar o que tem que ser treinado, para a gente chegar bem preparada para esses dois jogos.”

Duda comenta sequência de finais do Corinthians

A classificação diante do Bahia manteve uma longa sequência do Corinthians nas decisões do Campeonato Brasileiro Feminino. Questionada sobre a dimensão histórica do feito, Duda reconheceu que, enquanto ainda está vivendo o período, é difícil compreender completamente o tamanho da marca.

Para a jogadora, o crescimento do investimento de outros clubes também aumenta o nível de dificuldade para que as Brabas continuem chegando às fases decisivas.

“Acho que, no momento, é difícil a gente ter essa noção. Eu acho que, no futuro, quando olhar para trás, eu tenho certeza que vai vir a dificuldade, você vai entender realmente o quanto é difícil chegar em dez finais. E, para a gente, é muito importante. Como eu disse, é gratificante viver isso aqui, estar no Corinthians, poder defender esse clube. A cada ano que passa, a gente sabe que é mais difícil, os clubes têm evoluído, têm investido mais, então é um trabalho diário para a gente também conseguir, mesmo com esses números positivos, continuar se desenvolvendo, continuar buscando as nossas melhores formas para que a gente continue chegando nas finais.”

Números individuais e nova função em campo

Duda Sampaio também foi questionada sobre os quatro gols marcados no Campeonato Brasileiro. A meio-campista admitiu que gostaria de apresentar números ofensivos maiores, mas colocou o desempenho coletivo e a busca pelo título acima das estatísticas pessoais.

A camisa 27 ainda lembrou que tem exercido funções diferentes ao longo da temporada e ressaltou outras formas de contribuir para a equipe.

“Incomodar, incomoda. Sou uma pessoa que sempre busca estar fazendo o meu melhor e acho que, como eu disse anteriormente, é o momento em que eu estou focada em ajudar o Corinthians, não pensar nos meus números individuais, principalmente no título, que é o grande objetivo. Mas, claro, me cobro muito diariamente. Eu sei que, principalmente com a Emily, eu tive muitos jogos atuando como volante. Então, para mim, é tranquilidade, é saber que, em momentos decisivos, como foi hoje em uma falta, o rebote foi o gol. Então, eu não estou ajudando diretamente em gols, mas estou ajudando de outra forma, e isso, para mim, é fundamental.”

A versatilidade ganhou ainda mais importância diante do Bahia. Com a expulsão de Thaís Regina, o Corinthians precisou reorganizar o sistema defensivo, e Duda recuou para ajudar a equipe. A jogadora tratou a mudança com naturalidade e destacou a comunicação com as companheiras.

“Acho que é engraçado, porque cada dia eu estou descendo um pouquinho, mas acho que é natural. Foi uma demanda do jogo ali. Jogar com a Thaís e com a Duda foi muito tranquilo ali no meio, até um pouco parecido mesmo com a função de volante. Mas foi algo tranquilo, a gente conversou muito dentro de campo para elas me ajudarem bastante ali. E acho que, pensando até no jogo, o Bahia poderia ter usado mais uma bola aérea, principalmente pensando no finalzinho, que tinha umas meninas muito altas no ataque. Mas acho que o importante é isso, independentemente do que precisa no jogo. Acho que não é de hoje que eu faço isso. Às vezes, não é sobre isso aí muito, mas ajudar o Corinthians e, para mim, eu fazendo isso é o que importa.”

Experiência compartilhada com as mais jovens

Outro assunto abordado foi a integração entre as atletas mais experientes e as jogadoras que estão dando os primeiros passos em partidas decisivas pelo Corinthians. Duda citou como exemplo Duda Mineira, que recebeu oportunidades nos dois confrontos da semifinal.

Segundo a meio-campista, o processo de adaptação de uma atleta ao clube exige tempo, e as jogadoras que já conhecem o ambiente procuram transmitir confiança às companheiras.

“É uma troca muito sadia, né? Acho que, pensando na própria Duda, que atuou nesses dois jogos, teve poucas oportunidades, é muito legal ver isso. E ela mesma falou, na rodinha, da confiança que foi passada para ela pelas atletas, e é algo muito natural. Muitas atletas que chegam também, a gente sabe, quem está aqui dentro entende que tem essa adaptação. Acho que a torcida pega muito no pé, mas a gente que vive aqui diariamente sabe que é difícil você chegar, você se adaptar.

Então, é fundamental que as atletas que estão aqui há mais tempo passem essa tranquilidade, principalmente agora, nessas fases finais. Como eu disse, de mostrar o Corinthians, de ter uma evolução, e acho que isso está sendo bem feito. A gente consegue conversar diariamente, propriamente nos treinos. Os treinos são melhores durante esses períodos, em que a gente consegue focar mais. Então, é uma troca muito tranquila das atletas experientes com as novas, mas sempre pensando no Corinthians como principal objetivo.”

“O Corinthians está aqui mais uma vez”

Durante a coletiva, Duda também respondeu sobre comentários externos que teriam colocado o Bahia antecipadamente na decisão. A jogadora afirmou que o elenco está acostumado a lidar com questionamentos e disse que esse tipo de situação acaba funcionando como motivação.

“Acho que é normal. Sempre que ano entra e passa ano, a gente chega aqui e vê muitas pessoas desacreditando do Corinthians, falando muito de mídia, de torcedor, propriamente atletas. Então, para a gente, é normal, a gente já está acostumado com isso. O Corinthians mostra o respeito. Acho que todo ano a gente chega em finais não é à toa, é porque o trabalho aqui dentro é muito sério. Então, acho que tudo isso serve de combustível, como ela disse ali hoje na rodinha, nesse sentido. Mas o Corinthians está aqui mais uma vez e a gente precisa de mais respeito. Acho que é algo que a gente falou, mas também a gente entende que são coisas que a gente não pode controlar e, como eu disse, só serve de combustível para a gente.”

Duda destaca apoio da Fiel

Mesmo com a partida acontecendo às 21h30 de uma segunda-feira, 9.755 pessoas estiveram na Neo Química Arena. O número representou o maior público dos campeonatos nacionais de futebol feminino em 2026.

Duda valorizou a presença da torcida e destacou principalmente o apoio recebido quando o Corinthians passou a atuar com uma jogadora a menos. Como o São Paulo terá o mando do segundo confronto da final, a meio-campista também convocou os corinthianos para o primeiro Majestoso.

“Para a gente, é sempre uma alegria poder jogar aqui na Neo Química. Acho que é um lugar em que a torcida sempre nos abraçou e, hoje, independentemente das dificuldades, pelo horário, pelo dia da semana, contar com o apoio das pessoas que puderam vir foi importantíssimo. Principalmente com uma a menos, acho que, na hora do gol ali, durante todo o jogo, eles nos apoiaram, eles foram essa pessoa que foi expulsa, digamos assim.

Então, é muito importante isso. E acho que, agora, não podendo decidir em casa, vai ser muito importante esse primeiro jogo. Então, já é aproveitar e chamá-los para acompanhar novamente, para dar essa força, porque vai ser fundamental fazer um grande jogo aqui para a gente chegar lá e concluir com o que a gente deseja para essa temporada e para a competição.”

Mudanças com Emily Lima e evolução no mata-mata

A chegada de Emily Lima também esteve entre os assuntos da coletiva. Duda avaliou que o Corinthians vive seu melhor momento desde a mudança no comando técnico e apontou a derrota na última rodada da primeira fase como um ponto importante para a reação da equipe.

Além das alterações táticas, a jogadora destacou uma mudança de postura do elenco e a maneira como as Brabas têm respondido nos jogos eliminatórios.

“Acredito que sim. Acho que, principalmente após o último jogo da primeira fase, que a gente perde, acho que ali foi um lugar em que a gente percebeu realmente que precisava mudar alguma coisa. E acho que mudou o esquema, mas, principalmente, a nossa vontade ali dentro de campo, nossa determinação. Acho que, quando tem um esquema também em que todo mundo se sente bem, isso agrega muito. E outra coisa também que é muito bom estar aqui é que, quando chega nesses momentos de mata-mata, acho que a gente vira uma chavinha de ser outro Corinthians, e a gente tem mostrado isso nesses quatro jogos.

Então, agora, conhecendo muito bem o São Paulo, que vem fazendo uma campanha muito sólida, é algo que vai ser muito importante a gente continuar pegando esses pontos, fazer esse primeiro jogo muito bem, como eu disse, em casa, com a nossa torcida, mas, principalmente, os pontos em que a gente ainda pode evoluir. Tenho certeza que esse jogo, mesmo com uma a menos, serviu muito de aprendizado para que a gente faça uma grande final. E acho que, vencendo assim, vencendo em casa, mostra muito a força do Corinthians.”

Pressão por títulos e momento vivido pelo clube

Ao falar sobre a responsabilidade de defender uma equipe acostumada a chegar às decisões, Duda reconheceu a pressão, mas afirmou enxergá-la muito mais como consequência do tamanho do Corinthians do que como um peso.

A meio-campista também mencionou as mudanças enfrentadas pelo clube durante a temporada, incluindo a troca no comando técnico.

“É normal. É claro que é uma pressão, ano após ano, você chegar em finais aqui no Corinthians, mas acho que é uma pressão muito maior defender esse clube, defender essa instituição que tanto investe, que há tantos anos tem feito isso. Então, para a gente, é sempre uma alegria, muito menos do que um peso. E acho que chegar nessa décima final, buscar o oitavo título, tudo isso mostra muito a força do Corinthians, como eu disse anteriormente. Mas, principalmente, as atletas que estão aqui.

Acho que é um ano diferente, diferente no sentido de troca de treinador no meio do caminho, o momento do clube em si. Então, a gente vive muitas coisas, mas, quando a gente entra dentro de campo, a gente faz o que ama, e eu tenho certeza que essa é a nossa principal motivação. E acho que poder chegar nessa décima final mostra muito isso, sabe? Independentemente do que está acontecendo, independentemente do que a gente vive, quando a gente entra dentro de campo, a gente precisa se unir e mostrar a força do Corinthians.”

Majestoso vale o título brasileiro

O adversário na decisão será o São Paulo, rival que o Corinthians conhece de outros confrontos importantes. Duda tratou o clássico como consequência do crescimento do futebol paulista e afirmou que o elenco precisa concentrar suas atenções no que está por vir, sem carregar os resultados anteriores.

“Olha, acho que é natural ser um clássico, porque a gente entende o quanto o futebol paulista é forte. Então, para mim, é natural ser isso, e a gente está vendo também outros estados fortalecendo muito a modalidade. É algo muito importante. Mas, pensando no que você disse, nessa questão de derrotas no clássico, acho que tudo a gente tem que pensar no próximo passo. Acho que o que já passou, já passou, já aconteceu, e agora a gente encara isso de uma outra forma, totalmente diferente. E acho que a Emily também aqui é uma ajuda diferente, é uma pessoa que vai viver coisas diferentes do que já foi para trás, e é um outro trabalho. Tenho certeza que agora a gente está muito mais preparada do que foi para trás.”

Duda ainda foi perguntada sobre os episódios ocorridos no jogo de ida contra o Bahia e a comemoração de Jhonson após marcar novamente na semifinal. Segundo ela, o assunto não ganhou espaço na preparação da equipe durante a semana, enquanto a atacante recebeu elogios pela evolução apresentada na temporada.

“Durante a semana, na verdade, acho que nem teve comentários sobre isso. A gente trabalha muito sério, e isso é algo além do futebol. Acho que a Jhonson é uma pessoa muito tranquila. Esse ano, está fazendo um grande ano. Acho incrível a evolução que ela está tendo. E é dela, né? Acho que ela gosta de zoar, comemorar. Então, acho que, de uma forma geral, isso é muito importante para a modalidade, para ela. E eu tenho certeza que, sei como foi, né? Fazendo mais um gol, tanto lá quanto aqui. Então, só tenho que ficar muito feliz por ela e tenho certeza que ela está nos ajudando muito durante essas fases finais.”

Depois de eliminar Cruzeiro nas quartas de final e Bahia na semifinal, o Corinthians terá o São Paulo pela frente na disputa pelo oitavo título brasileiro. As Brabas são as maiores campeãs do torneio, com sete conquistas, em 2018, 2020, 2021, 2022, 2023, 2024 e 2025.

Por ter realizado a melhor campanha, o São Paulo terá o mando da segunda partida. O primeiro encontro será com mando corinthiano, e a definição ficará para a casa do rival.

Compartilhar:

Últimas publicações

Ver tudo