- Por Mirella Ramos / Redação da Central do Timão
Fernando Diniz analisou os fatores que levaram o Corinthians ao atual momento da temporada após a eliminação na Conmebol Libertadores. Depois da derrota por 1 x 0 para o Estudiantes-ARG, na última quarta-feira (16), na Neo Química Arena, o treinador reconheceu dificuldades para encontrar soluções dentro de campo, citou problemas institucionais vividos pelo clube e voltou a afastar de Memphis Depay a responsabilidade individual pela queda.
O Corinthians chegou ao confronto decisivo depois do empate por 1 x 1 em La Plata. Em Itaquera, o Estudiantes marcou no fim do segundo tempo e ficou perto da classificação, mas o Timão ainda teve uma última oportunidade. Nos acréscimos, Memphis cobrou um pênalti e finalizou por cima do gol. Com a derrota, o Alvinegro deixou a Libertadores nas quartas de final, com 2 x 1 para os argentinos no placar agregado.

Na entrevista coletiva, Diniz foi questionado sobre a dificuldade da equipe para produzir ofensivamente e depender de uma penalidade nos instantes finais para ter a possibilidade de empatar. O técnico afirmou que não pretende simplesmente manter o que vem sendo feito e garantiu estar procurando alternativas para recuperar a capacidade de criação do time.
“Não é o mesmo caminho que eu estou seguindo. Teve momentos… Hoje, por exemplo, foi um tipo de jogo em que a gente preencheu muito pouco a área e cruzou muito pouco. Há um tempo, eu recebi críticas aqui, um pouco e até bem fundamentadas, de que a gente estava cruzando muita bola na área. Então, eu vou buscar soluções, eu estou buscando soluções de maneiras diferentes para o time poder voltar a ter fluência, criar chances de gol e fazer o gol.”
Diniz avalia trabalho e cita problemas internos
O treinador também fez uma análise dos pouco mais de cinco meses de trabalho à frente do Corinthians. Diniz recordou o início de sua passagem, citando a sequência de jogos sem sofrer gols, as vitórias conquistadas e a recuperação da equipe no Campeonato Brasileiro.
Ao abordar a queda de rendimento posterior, o técnico mencionou situações vividas fora das quatro linhas, entre elas atrasos salariais e outros problemas institucionais. Diniz reconheceu sua responsabilidade pelo desempenho esportivo, mas afirmou que diferentes questões se acumularam no mesmo período.
“Obviamente, quando se fala de atrasar o salário, não tem como resolver, mas a situação do Corinthians, institucionalmente, é uma situação difícil, porque é muita dívida. O presidente, eu vejo, o Marcelo, o Júlio, o pessoal trabalhando, tentando de tudo para poder arrumar dinheiro para pagar os salários. A minha responsabilidade, eu tenho responsabilidade. Eu, avaliando o trabalho, acho que foi um começo muito bom. A gente começou com sete jogos sem tomar gol, com muita vitória aqui em casa, vitórias seguidas no Brasileiro, a gente saiu lá da zona de rebaixamento e partiu para a parte de cima da tabela, passou de fase na Copa do Brasil e passou de fase na Libertadores.”
Na sequência, Diniz relacionou a mudança de cenário ao período posterior à pausa da temporada e destacou que diferentes acontecimentos passaram a se acumular.
“E chegou um momento em que as coisas se intensificaram, assim, quando a gente voltou das férias, a gente teve um momento daquela parada para a Copa. A gente teve um começo muito bom e as coisas depois… Teve muita coisa institucionalmente junto no mesmo momento, problema do campo, aí outro problema, aí atrasar o salário. Então, todas essas coisas se avolumaram e coincidiram com esse momento ruim que a gente está vivendo dentro do campo. Mas eu sempre acredito que tem jeito, que a gente vai conseguir sair disso e que a gente vai melhorar, que a gente precisa melhorar agora no Campeonato Brasileiro.”
Técnico rejeita relação entre preparação de Memphis e pênalti perdido
Memphis voltou a ocupar parte significativa da coletiva. Diniz foi questionado pela Central do Timão sobre todo o cenário que envolveu o atacante nos últimos meses, desde sua permanência no clube até o período necessário para recuperar a condição física, e se esses fatores poderiam ter influenciado o momento vivido pelo jogador.
O treinador reconheceu que uma resolução mais rápida das questões envolvendo o camisa 10 poderia ter feito com que Memphis alcançasse uma condição física melhor anteriormente. Diniz, entretanto, rejeitou estabelecer uma relação direta entre esse processo e a cobrança desperdiçada contra o Estudiantes.
“Obviamente que, se as coisas tivessem sido resolvidas de uma maneira mais rápida, o Memphis individualmente estaria melhor e talvez tivesse começado a jogar antes e entrado em forma mais rápido, mas isso é uma contingência que a gente está discutindo agora porque o pênalti foi perdido. Mas ele podia ter voltado e estar bem fisicamente, ter feito gols e ter perdido o pênalti também. Não perdeu o pênalti porque ele atrasou, perdeu o pênalti porque ele pegou a bola, bateu e perdeu.”
Diniz prosseguiu defendendo que uma análise retrospectiva não pode transformar os acontecimentos anteriores em uma explicação automática para o erro na penalidade.
“Então, não dá para chegar nesse desfecho, chegar no pênalti e contar uma história para trás. O pênalti perdeu porque perdeu. Ele não tem nenhuma garantia de que, se ele tivesse vindo antes e estivesse mais em forma e a gente tivesse resolvido os problemas anteriormente, o pênalti ia entrar.”
O técnico ainda recuperou a participação de Memphis na classificação contra o Rosario Central, pelas oitavas de final. Naquela ocasião, o atacante entrou durante a partida de volta e participou da jogada que terminou no gol de Breno Bidon.
“Quando ele entrou contra o Rosario, que foi uma comoção, que eu chamei da parada, o estádio veio abaixo. Ele entrou, a gente estava com um jogador a menos, todo mundo achou que era uma mudança de risco, ele entrou e foi determinante para a gente passar pelo Rosario, porque ele bateu a falta e o Bidon fez o gol. Depois que as coisas acontecem, infelizmente, a nossa análise fica muito condicionada ao acontecido.”
Diniz explica escolha por Memphis entre os titulares
A presença do holandês na formação inicial também foi colocada em discussão. Questionado se a escalação ocorreu pelo desempenho do atacante durante a preparação ou pelas limitações das demais opções ofensivas do elenco, Diniz afirmou que nunca teve dúvidas sobre utilizá-lo como titular na partida de volta.
O treinador avaliou que Memphis havia ficado mais isolado no primeiro duelo com o Estudiantes e destacou outros aspectos da atuação do camisa 10 além da produção ofensiva.
“Eu nunca tive dúvida de que ele jogaria aqui. Lá, ele ficou mais isolado. Não é só o que ele produz ou deixa de produzir tecnicamente. Ele foi colaborativo, ele ajudou a marcar e ele é um cara que tem um peso muito grande.”
Para Diniz, o desempenho do atacante no jogo decisivo precisa ser analisado dentro das dificuldades apresentadas por toda a equipe, sem concentrar no holandês a responsabilidade pela eliminação.
“E, a partir daqui de hoje, ele lutou, ele ganhou bolas, ele saiu da área para tabelar, ele tentou fazer, ele ajudou na marcação. O jogo foi difícil. Não dá para a gente colocar e direcionar as coisas para o Memphis. Só para o Memphis. Ele tentou fazer o melhor que ele podia fazer. Ele voltou, ele estava há muito tempo sem jogar e a gente foi tentando dar condição para ele o mais rápido possível.”
Corinthians volta as atenções ao Brasileirão
Com as eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores, o Corinthians terá o Campeonato Brasileiro como foco na sequência da temporada. O desafio imediato será interromper o momento negativo e voltar a vencer antes da pausa para a Data Fifa.
O próximo compromisso acontece no domingo (20), às 16h (de Brasília), contra o Fluminense, novamente na Neo Química Arena, pela 28ª rodada. O Timão ocupa a 13ª colocação, com 32 pontos conquistados em 27 partidas. A campanha tem oito vitórias, oito empates e 11 derrotas, com 28 gols marcados e 29 sofridos.