- Por Henrique Pereira / Redação da Central do Timão
Corinthians e Palmeiras ficaram no 0 a 0 na noite do último domingo, em jogo válido pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro, na Neo Química Arena. Após o apito final, no entanto, o clima esquentou fora das quatro linhas, com uma confusão envolvendo membros das duas equipes nos acessos aos vestiários. O episódio foi registrado na súmula pelo árbitro Flávio Rodrigues de Souza.
“Ao término da partida, já no vestiário, fomos informados pelo delegado da partida, Sr. Rogério Menezes Lopes, de que, no momento em que a equipe de controle de doping tentava acessar a sala destinada ao procedimento, acompanhada do atleta da equipe do Palmeiras, Sr. Luighi Hanri Sousa Santos, houve um empurrão por parte de um segurança da equipe do Corinthians. Não foi presenciada nenhuma agressão a jogadores de ambas as equipes”, relatou inicialmente.

“Segundo o relato, o referido segurança empurrou o atleta ao tentar impedir sua passagem em direção à sala de controle de doping. A ação deu início a um tumulto generalizado, envolvendo seguranças de ambas as equipes. O delegado informa que o tumulto foi controlado pelos representantes de ambas as equipes, Sr. Anderson Barros (diretor de futebol), da equipe do Palmeiras, e o treinador Fernando Diniz, da equipe do Corinthians, juntamente com o próprio delegado da partida”, completou.
Após o clássico, os dois clubes trocaram acusações sobre possíveis agressões envolvendo seguranças. Pelo lado corinthiano, os jogadores Gabriel Paulista e Breno Bidon teriam sido atingidos, enquanto o Palmeiras citou o atacante Luighi. Ambos divulgaram notas oficiais e indicaram a possibilidade de registrar ocorrência no Juizado Especial Criminal (Jecrim) do estádio, embora apenas o atleta da equipe rival tenha formalizado a denúncia até o momento.
Caso o episódio avance, ele pode gerar desdobramentos em diferentes esferas. No campo criminal, haverá investigação com coleta de provas e exames de corpo de delito. Já no âmbito esportivo, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) poderá abrir processo e aplicar sanções. Na esfera civil, o Corinthians pode ser responsabilizado, uma vez que o ocorrido teria acontecido em área sob sua gestão, conforme prevê a legislação sobre responsabilidade de empregadores.
O delegado César Saad, responsável pelo Jecrim, comentou o andamento inicial da apuração. Após ouvir representantes de ambos os lados, ele explicou como o caso vem sendo analisado.
“Nós fomos acionados aqui ao final da partida porque na zona mista houve um tumulto. Primeiro, uma discussão entre os atletas, e nós estamos agora já pedindo as imagens para o Corinthians, para que a gente possa apurar o que de fato aconteceu. O que chegou para nós aqui é que houve uma discussão que começou com os atletas e que outras pessoas da comissão técnica dos clubes e seguranças teriam se envolvido. Agora estamos apurando e analisando as imagens para conseguir de fato entender o que aconteceu, mas o que tudo indica é que foi uma discussão pós-jogo que teve início com os atletas”, afirmou.
“Nós ainda estamos analisando todas as imagens para que, se os atletas (do Corinthians) entenderem que eles querem fazer, se o clube orientá-los a fazer, se eles entenderem que foram vítimas. A gente já teve alguns depoimentos também de que não passou de uma discussão acalorada, de um “empurra-empurra”, normal de um clássico como esse. É por isso que a gente ainda está aguardando a gente conversar com o departamento jurídico dos clubes e com os atletas”, acrescentou.
Dentro de campo, o confronto também foi marcado por tensão, com diversas discussões, três cartões amarelos e duas expulsões para o Corinthians, envolvendo André Luiz e Matheuzinho. Mesmo com a vantagem numérica do adversário, o placar permaneceu zerado.
Até o momento, o caso é tratado inicialmente como um episódio de “empurra-empurra”, enquanto as autoridades analisam novas imagens. Os envolvidos passarão por exames de corpo de delito. O delegado ainda indicou que o atacante Luighi pretende formalizar denúncia contra um integrante da comissão técnica corinthiana.
“Já conversamos com os atletas. Tem algumas imagens parciais, que foram filmadas de celular da zona mista, que apontam esse empurra-empurra. Por isso, nesse momento, a gente está analisando as imagens para individualizar a conduta e poder entender o que de fato aconteceu. Todos que estão aqui na delegacia vão passar por exame de corpo de delito. Na verdade, a questão é que o atleta do Palmeiras quer representar contra o funcionário do Corinthians, contra o integrante da comissão técnica, que ele alega que teria desferido um tapa. É por isso que ele já está aqui. Seria um integrante da comissão técnica do Corinthians”, concluiu.
Enquanto isso, o elenco comandado por Fernando Diniz volta suas atenções para a sequência da temporada. O próximo compromisso será pela Libertadores, diante do Independiente Santa Fé, da Colômbia, na quarta-feira, às 21h30, novamente na Neo Química Arena.
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