Diniz admite tristeza após eliminação, cita transfer ban e aponta caminho para reação do Corinthians

  • Por Mirella Ramos / Redação da Central do Timão

 

A eliminação para o Estudiantes-ARG deixou Fernando Diniz com um discurso marcado pela frustração na Neo Química Arena. Depois da derrota por 1 x 0 na última quarta-feira (16), que encerrou a campanha do Corinthians nas quartas de final da Conmebol Libertadores, o treinador falou sobre a pressão pelo momento da equipe, reconheceu a tristeza pela queda e afirmou que o foco passa a ser recuperar o time no Campeonato Brasileiro.

O Corinthians chegou ao confronto decisivo depois de empatar por 1 x 1 em La Plata. Em Itaquera, o Estudiantes marcou no fim do segundo tempo e construiu a vantagem que precisava. O Timão ainda teve a oportunidade de empatar nos acréscimos, mas Memphis Depay desperdiçou uma cobrança de pênalti. Assim, os argentinos avançaram com 2 x 1 no placar agregado.

Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Durante a entrevista coletiva, Diniz também abordou as limitações do elenco e afirmou que o clube pretendia contratar três ou quatro jogadores caso tivesse condições financeiras e não estivesse impedido de registrar reforços. O treinador ainda citou as ausências de Zakaria, André e Yuri Alberto em um período que classificou como mais difícil para a equipe.

Diniz fala sobre pressão e manda recado à torcida

O momento do Corinthians foi um dos primeiros assuntos abordados. A equipe chegou à eliminação continental pressionada pela sequência de resultados negativos no Brasileirão e pela expectativa criada em torno da Libertadores.

Questionado sobre os protestos e a pressão depois da queda, Diniz afirmou que o sentimento interno é de profunda tristeza. Segundo o treinador, o elenco continuou trabalhando mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelo clube.

“Não, o recado é que a gente está extremamente triste. Não é um recado. Todo mundo, os jogadores tentaram fazer melhor, não conseguimos e é uma tristeza muito grande. E ninguém deixou de trabalhar por conta de, dependendo da situação que o clube se encontra, os jogadores tentaram trabalhar e vão continuar trabalhando. O que a gente precisa agora é melhorar o suficiente para poder ganhar jogos no Campeonato Brasileiro. É uma pena. Todo mundo queria muito que desse alegria para o torcedor. Infelizmente, a gente não conseguiu.”

“O tom da minha voz é um tom de tristeza profunda”

A postura de Diniz durante a coletiva também virou tema. O treinador foi perguntado sobre a diferença entre a empolgação demonstrada no começo de sua passagem pelo Corinthians e o semblante apresentado depois da eliminação.

Diniz atribuiu a mudança de tom ao cenário atual e comparou o momento vivido pelo elenco com o início de seu trabalho. Na avaliação do técnico, além dos resultados, a disponibilidade dos jogadores também era diferente naquele período.

“Então, o tom da minha voz é um tom de tristeza profunda. Não tem como fazer um tom… Quem é que fala ‘vitória ao Corinthians, vai, Corinthians’? Não tem o mínimo clima para isso. A gente precisa reproduzir aquele momento. Era um momento diferente, em que as coisas estavam acontecendo. Às vezes, a gente nem jogava tão bem e ganhava os jogos, e se virava para poder jogar fora, e foi ganhando corpo, foi ganhando confiança.

A gente está em um momento hoje oposto àquilo. Os jogadores que eu recebi naquele momento também, não tinha ninguém fora, estava todo mundo à disposição. Então, assim, são momentos muito diferentes. Agora, o que a gente tem que tentar fazer e lutar para fazer é recuperar o time o mais rápido possível para a gente começar a ganhar jogos no Campeonato Brasileiro.”

Diniz revela planejamento por reforços antes do transfer ban

As opções disponíveis no elenco também foram colocadas em discussão. Ao ser questionado sobre o impacto do transfer ban na montagem da equipe, Diniz revelou que existia um entendimento desde sua chegada sobre a necessidade de incorporar algumas peças ao grupo.

O planejamento, entretanto, não pôde ser executado. Além da impossibilidade de contratar, o treinador destacou que perdeu jogadores importantes durante o período de maior dificuldade da equipe.

“Obviamente, se a gente não tivesse transfer ban e tivesse caixa, a gente teria contratado, não muita gente, mas, assim, três, quatro peças. Era um consenso que a gente tinha na minha chegada. Mas, infelizmente, não aconteceu. E, além de a gente não conseguir contratar, a gente perdeu alguns jogadores importantes, bem nesse período aqui mais duro para nós.”

Diniz citou nominalmente três atletas que deixaram de estar disponíveis e ressaltou a importância que eles tinham dentro do planejamento da comissão técnica.

“Se pegar do jogo do Inter para cá, além de não conseguir contratar, a gente perdeu o Zakaria, a gente perdeu o André e a gente perdeu o Yuri Alberto. Então, a gente ficou com mais limitação. E, obviamente, esses jogadores eram jogadores que estavam jogando. Dois eram titulares quase todos os jogos e um jogador que estava crescendo muito e era um dos possíveis titulares nesses momentos que a gente viveu recentemente.”

Treinador analisa dificuldades ofensivas

Outro ponto debatido foi a produção ofensiva do Corinthians. Contra o Estudiantes, o Timão encontrou dificuldades para transformar a posse de bola em oportunidades claras e terminou a partida dependendo do pênalti nos acréscimos para ter a chance de levar a decisão da vaga para as cobranças.

Diniz, entretanto, não considera que todas as partidas recentes tenham apresentado o mesmo problema. O treinador citou os confrontos contra Cruzeiro, Chapecoense e Santos como exemplos de jogos em que o Corinthians conseguiu criar oportunidades.

“Eu acho que teve jogos diferentes. Eu acho que contra o Cruzeiro a gente criou chances para ganhar. Contra a Chapecoense a gente perdeu pelo menos umas cinco chances claras de gol. Contra o Santos também. Não foram jogos parecidos com isso.”

Na sequência, o técnico diferenciou esses compromissos dos confrontos eliminatórios da Libertadores. Para Diniz, partidas dessa natureza tendem a apresentar menos espaços e oportunidades para os dois lados.

“Esses jogos de Libertadores, jogos eliminatórios, eles tendem a ser jogos mais truncados. Falando especificamente do jogo de hoje, como foi o jogo do Rosario também, que a gente passou ali no segundo tempo jogando com um jogador a menos, mas, enquanto teve 11 contra 11, a gente também não conseguiu criar muita coisa, como eles também não conseguiram criar.”

Por fim, Diniz utilizou outros confrontos da competição para sustentar sua análise sobre o equilíbrio característico do mata-mata continental.

“São times que têm poder de criação. Esse time do Estudiantes foi jogar e empatou em casa e ganhou de 3 x 0 fora. O time que empatou contra o Flamengo e o Rosario da mesma forma. Então, os jogos de Libertadores são jogos que, a maioria deles, nessas fases, não têm placares elásticos. São jogos mais estudados, jogos com menos chances de gol para ambos os lados.”

Brasileirão vira foco após queda continental

Com a eliminação da Libertadores, o Corinthians terá mais um compromisso antes da pausa para a Data Fifa. O Timão recebe o Fluminense no próximo domingo (20), às 16h (de Brasília), novamente na Neo Química Arena, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro.

A equipe de Fernando Diniz ocupa a 13ª colocação, com 32 pontos em 27 partidas. A campanha conta com oito vitórias, oito empates e 11 derrotas, além de 28 gols marcados e 29 sofridos.

Em meio à sequência negativa, a partida contra o Fluminense passa a representar a primeira oportunidade de reação depois da eliminação continental. Como o próprio treinador ressaltou durante a coletiva, o desafio agora é recuperar a equipe para voltar a conquistar resultados positivos no Brasileirão.

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