O treinador Tiago Nunes concedeu entrevista à ESPN Brasil nesta sexta (04). Contratado pelo Corinthians para mudar o modo de jogar do Alvinegro, deixando-o mais ofensivo. O treinador não conseguiu colocar em prática sua filosofia e foi demitido no último mês de setembro, após perder a final do Campeonato Paulista para o maior rival, o Palmeiras, com baixo desempenho em campo.
Perguntado se pensa que conseguiu implantar alguma mudança no Corinthians, o técnico justificou que não conseguiu ter sequência em seu trabalho à frente do Timão.
“No Corinthians eu trabalhei três meses. Teve o Paulista e a Florida Cup, onde eu fiz a preparação. Aí paramos para a quarentena, quase 4 meses, mais de 100 dias. Voltamos, e eu fiquei mais dois meses e meio. Se você pegar um processo de continuidade, ele não existiu. Foram 28 jogos, e se você consegue mudar um time em 28 jogos, temos maneiras diferentes de avaliar. A continuidade não existiu. Eu não consigo enxergar uma mudança (em uma cultura) tão impregnada e tão enraizada como havia. Tanto que tenho que tentar mudar muito as características do jogadores.”
“Quando a gente vai pra quarentena, fiz mudanças pontuais. Coloquei o Carlos Augusto na lateral esquerda, a gente passa a jogar praticamente com três zagueiros: Carlos, Avelar e Gil, liberando mais o Fagner. Eu coloco Gabriel e Ederson, jogadores que não têm o potencial de construção técnico de Camacho e Cantillo, mas tem mais potencial físico e atlético para competir e ser mais agressivos na disputa. E tiro um jogador de velocidade, porque a gente não estava conseguindo achar esse jogador. E coloco o Mateus Vital para jogar. primeiro com o Boselli, depois com o Jô, para tentar criar uma equipe mais consistente defensivamente, mas que tivesse o mínimo potencial técnico para não perder as ideias construídas“.
“A gente passa seis jogos e sofre um gol só, na final, do Palmeiras. E não ganhamos o Paulista por detalhes, nos pênaltis. Aí, o Carlos é vendido. Então, retomamos com o Sidcley, que é um lateral mais ofensivo, que estava bem fisicamente, mas não tecnicamente. E depois colocamos o Piton. Antes da parada, era uma equipe que criava muito e sofria muito. Depois, sofria menos mas não criava muito, e a gente não conseguiu encontrar, precisava mais tempo, mais jogos. O equilíbrio foi o desafio até a minha saída. A gente não conseguiu encontrar uma sequência. Eu havia subido alguns da base como Xavier, Roni, Gabriel Pereira, Ruan Oliveira, o processo fica naquilo de tentativa, erro e acerto. E você começa a ser avaliado externamente. E começam a dizer que o treinador está perdido. Isso numa realidade que tem o corona, eleição e os salários atrasados.“
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