Treinadora do Corinthians aponta importância de ter mais mulheres em cargos de comando no futebol: “tem que ser falado”

  • Por Henrique Pereira / Redação da Central do Timão

Na manhã desta quinta-feira (26), o Corinthians realizou a apresentação oficial da treinadora Emily Lima, nova comandante da equipe feminina. Após posar ao lado de Iris Sesso, diretora de futebol feminino, e Osmar Stabile, presidente do clube, a profissional falou sobre a presença de mais mulheres como treinadoras na modalidade e ressaltou a importância da cobrança sobre isso. Atualmente, o Brasileirão Feminino conta com 18 equipes, sendo apenas três com uma mulher como treinadora.

“Eu acho que vem muito das perguntas anteriores, a representatividade das mulheres dentro do Brasileirão, das equipes. Hoje nós temos três e duas vão se enfrentar nesse Derby. Acho que é algo marcante. Acho que tem que ser falado muito por isso, por vocês (imprensa), vocês têm responsabilidade disso, para que isso aconteça mais vezes. Então acho que vai ser algo bastante legal e poder viver isso é algo gratificante. Eu acho que pra mim e pra Rosana. Acho que se perguntarem isso pra Rosana também, ela possa estar respondendo a mesma coisa, porque vive futebol há muitos anos”

Na sequência da entrevista, Emily Lima falou sobre como sua experiência como jogadora impacta em sua ideia de jogo. A treinadora apontou características que traz de sua vivência como atleta para os trabalhos e relembrou uma situação específica com um ex-treinador que gerou parte de sua metodologia.

“Você sabe que quando eu fui escrever por primeira vez o meu modelo de jogo, eu pensei exatamente como jogadora. Então, quando eu comecei a escrever os momentos do jogo, eu coloquei lá organização defensiva, como eu gostava, né? Eu gostava de ser uma jogadora obediente, taticamente, defensivamente. Então, eu gostava de fechar a linha, eu gostava de tirar os espaços, eu gostava de ser intensa, eu era uma jogadora, tem uma foto minha circulando por aí, em Portugal, que eu estou com o pé dando voadora. Então, eu tentei trazer essas coisas e comecei a escrever. Com bola, como eu gostava, eu adorava ter a bola, mas ter a bola rápido, então comecei a escrever e saiu o modelo de jogo daí”, comentou a comandante.

“Claro que a gente faz muitas adaptações em cima de característica de jogadora, equipe pra onde nós estamos indo, enfim. Então eu trouxe muito do que eu era, do que eu acreditava como jogadora pro meu modelo de jogo e a parte técnica. Naquela época, o Seu Zé Duarte deixava a gente uma hora na parede fazendo passe e dizia ‘você vai ser técnica’, ele sabia que a gente ia ser técnica. Então, tudo isso que a gente viveu, eu vivi como jogadora, eu tento trazer hoje. Não que eu deixe as meninas uma hora batendo na parede, não é isso, mas eu sei que a repetição vai levar a perfeição do movimento, então a gente busca fazer essas repetições em situações diferentes, mas eu sei que ela está fazendo o mesmo gesto várias vezes, então a gente tenta trazer uma outra realidade daquela época pra uma realidade muito mais atual hoje e que potencialize ela pro campo”, complementou.

Por fim, Emily Lima também falou sobre o que pretende estabelecer como legado após concluir sua trajetória no comando do Alvinegro Paulista. A treinadora ressaltou que em toda sua carreira tentou deixar as equipes com coisas melhores do que tinham em sua chegada.

“Eu sempre tento sair do lugar e deixar melhor do que eu cheguei e acredito que eu consegui em todos os lugares que eu passei deixar melhor ou um pouquinho melhor. O Corinthians não vai ser diferente. Eu trabalho muito nessa linha e vou buscar sair daqui e deixar o Corinthians melhor do que eu estou chegando. É algo que é natural meu, não é nada forçado, é algo que eu aprendi dentro de casa, eu aprendi que você tem que tentar ser a melhor pessoa a cada dia”, finalizou.

Treinadora desde 2010, Emily construiu trajetória em diferentes clubes do futebol brasileiro, com passagens por Portuguesa, Juventus-SP e São Caetano, antes de assumir inicialmente a Seleção Brasileira Feminina Sub-17. Em 2016, após comandar o São José, alcançou o ponto alto da carreira e foi nomeada técnica da Seleção Brasileira principal, função que exerceu entre 2016 e 2017. Nesse período, dirigiu a equipe em nove partidas e obteve quatro vitórias. Cabe destacar que, durante sua passagem pela Seleção, convocou e utilizou a atual capitã alvinegra Gabi Zanotti em quatro oportunidades.

Em 2018, à frente do Santos, Emily Lima alcançou a principal — e até aqui única — conquista de sua trajetória como treinadora: o Campeonato Paulista. Naquela temporada, comandou a equipe em 29 compromissos, somando 19 vitórias, oito empates e apenas duas derrotas.

Após deixar o clube da Baixada Santista, em 2019, Emily direcionou a carreira para o cenário internacional. Entre 2019 e 2022, trabalhou nas seleções de base e principal do Seleção Equatoriana de Futebol. Sua última vitória como técnica ocorreu em 8 de julho de 2022, quando o Equador aplicou 6 a 1 sobre a Seleção Boliviana de Futebol.

Na sequência, assumiu a Seleção Peruana de Futebol, onde esteve à frente da equipe em seis partidas, todas com resultados negativos. Mais recentemente, dirigiu o Levante UD Femenino, da Espanha, permanecendo por 11 jogos, com um empate e dez derrotas.

Mesmo diante do retrospecto desfavorável nos últimos trabalhos, Emily vê no retorno ao Brasil a chance de retomar o caminho das vitórias. No Corinthians, ela volta a atuar no futebol nacional após mais de seis anos longe do país. Entre as marcas de sua metodologia estão a valorização da estrutura e da organização interna — fatores que, conforme foi noticiado e confirmado por ela na época, influenciaram sua saída do Santos, em 2019.

Veja mais:

Viva a história e a tradição corinthiana no Parque São Jorge. Clique AQUI e garanta sua vaga!

Sexta e sábado: 10h15 | 12h | 14h45

Domingo: 9h20 | 11h | 13h50

Notícias do Corinthians

Compartilhar:

Últimas publicações

Ver tudo