- Por Fabio Luigi / Redação da Central do Timão
Na noite da última terça-feira, 12 de agosto, o Corinthians recebeu a Ferroviária, no Mercado Livre Arena Pacaembu, em confronto válido pela sexta rodada do Campeonato Paulista Feminino e venceu pelo placar de 2 x 0. Os gols do Alvinegro foram marcados pela meio-campista Dayana Rodríguez e a atacante Carol Nogueira.
Com o resultado, as Brabas se isolaram na liderança do estadual com 15 pontos (cinco vitórias e uma derrotas – 16 gols marcados e três sofridos). Em entrevista coletiva após a partida, o técnico Lucas Piccinato não poupou críticas ao calendário do futebol feminino e que piorou para a temporada 2025, o que interfere na rodagem do elenco.

“Eu acho que a forma como a gente está lidando, na minha visão, é a forma como a gente enxerga, de usar o grupo qualificado que a gente tem, de colocar as jogadoras, mesmo sendo jogos extremamente competitivos, acreditar que todo mundo está bem preparado, porque está bem preparado para executar. E o calendário é muito ruim já faz muito tempo, a gente consegue comprimir uma quantidade muito grande de jogos em meses bem rápidos, cruciais, que é agosto, setembro, são meses que tem muitos jogos. O calendário desse ano foi ainda pior, porque foi entregue atrasado, então a gente começou as competições em março, então a gente ficou dois meses no começo do ano sem ter competição”, iniciou.
O comandante ainda afirmou que os responsáveis pela organização dos torneios devem buscar preencher o calendário durante toda a temporada da modalidade, uma vez que em 2025, as competições foram iniciadas em março, o que fez com que, naturalmente, as datas ficassem espremidas.
“Além disso, todo ano a gente tem a pausa para competições da Seleção Brasileira, que, obviamente, tem um peso gigantesco, competições da Seleção Brasileira, mas a gente tem que começar a procurar caminhos e opções para que a gente possa ter um calendário mais cheio durante a temporada inteira e não perder 45 dias como a gente perde todo ano. Uma coisa é a Copa do Mundo, que é uma competição que a gente tem que parar. Outra coisa é toda a competição. Acho que a gente tem que começar a entender como a gente pode fazer ser viável um calendário onde a gente não tem uma pausa tão grande. E além de tudo isso, a gente tem a Libertadores ainda, que é uma competição feita de uma forma muito errônea, na minha visão, um mês em que todas as equipes que não disputam a Libertadores param de jogar, que também é errado.”
Ele acrescentou: “Fico feliz pela quantidade de jogos que a gente tem, mas a gente comprime tudo num momento só, a gente poderia ter jogos com espetáculo muito maior. Assistir um Corinthians e Ferroviária com times mexidos, perde um pouco do tempo da qualidade do jogo natural. Se a gente colocasse esse jogo num momento onde tivesse uma semana cheia, talvez a gente conseguisse ter as duas equipes na melhor condição possível. Mas é o que é e a gente tem que se preparar dentro disso. Sexta-feira tem um grande jogo contra o Bahia”, continuou.
Em seguida, explicou o rodízio que vem promovendo na meta corinthiana entre Nicole e Kemelli. A goleira Lelê, que não tua desde o dia 15 de março – final da Supercopa Feminina contra o São Paulo – devido a uma lesão, voltou a ser relacionada para uma partida justamente diante da Ferroviária.
“Acho que é uma posição onde a gente está muito bem servido hoje. A gente tem quatro grandes goleiras. A Rillary está indo muito bem no Sub-20, mas ela está com a gente também no profissional, no dia a dia. E é uma jovem promessa. Tem a Morganti no Sub-17, que é uma jovem promessa também, que também está no dia a dia com a gente. E a gente vai colocar para jogar quem a gente entender que está no melhor momento. A gente respeita muito a trajetória de todas que estão aqui.”
“E hoje (terça-feira) a escolha foi pela Kemelli. Na semana passada a escolha foi pela Nicole e se na semana que vem a escolha for pela Lelê, assim vai ser. A gente não está pensando em nada diferente disso, em todas as posições do campo, inclusive não só no gol, na linha de baixo, a gente tem rodado bastante. Hoje a Thaís Ferreira e a Mariza, que tem uma minutagem muito alta, começaram fora e assim a gente vai enxergando quem está na melhor condição possível para jogar.”
Também foi questionado sobre o fato de a única contratação das Brabas até o momento na janela de transferências, Ivana Fuso, não poder jogar o Campeonato Brasileiro da modalidade. Vinda do futebol inglês, a atleta teve um problema com a sua documentação, o que não permitiu com que o Alvinegro inscrevesse a jogadora no prazo determinado pelas regras da competição nacional.
Ela foi registrada no Boletim Informativo Diário da CBF (BID) na última terça-feira, 12, justamente após o final da data limite permitida de inscrição no Brasileirão Feminino.
“De fato, ela não vai jogar. A gente teve complicações na documentação dela, o que a gente imaginou que seria mais rápido acabou não sendo, pela questão dela ser cidadã brasileira e não ter a documentação brasileira. Se ela fosse uma estrangeira, todo o processo seria muito mais rápido. A gente teve que traduzir a certidão dela do alemão para brasileiro. Teve todo um trâmite que foge um pouco da nossa alçada, mas é o que é, ela não vai poder jogar o Campeonato Brasileiro, mas ela estará apta para jogar a Copa do Brasil, Paulista e Libertadores.”
“A gente teve a oficialização dela hoje (terça-feira), a expectativa nossa era que ela tivesse subido no BID ontem (segunda-feira, 11) para que ela pudesse estar hoje, saiu muito em cima da hora. A gente já tinha planejado um treino ontem para que ela fizesse hoje de manhã, então ela fez um treino de uma carga muito alta hoje de manhã, não faria sentido trazer ela hoje à tarde, mas na próxima rodada do Paulista ela vai estar apta para jogar.”
Por fim, Piccinato aproveitou para enaltecer a solidez defensiva, explicando a estratégia da equipe nos encaixes de marcação na equipe da Ferroviária. O profissional revelou que vinha estudando a equipe adversária, que recentemente trocou o comando técnico.
“A Ferroviária faz uma saída de bola bem peculiar, bem única. Elas colocam duas volantes para entrar dentro da área junto com as duas zagueiras, fazendo quase um quadradinho de rondo dentro da pequena área. E a gente tinha estudado, obviamente, isso na troca do comando da Ferroviária nesses últimos jogos. E a gente planejou para subir as três em uma marcação quatro para três. É um lugar no campo onde se você errar é uma situação clara de gol. E a gente sabia disso, então a gente se planejou para isso.”
“Acho que a gente roubou bolas ali, só que a gente não conseguiu ser efetivo nas roubadas para fazer os gols. Mas, mesmo assim acho que a equipe teve uma consistência defensiva muito grande, sofremos muito pouco, lembro de uma defesa cara a cara da Kemelli apenas, e acho que tem sido essa toada nos últimos jogos, espero que na sexta-feira a gente possa manter esse nível de atuação defensiva e obviamente a gente empurrar as bolas que a gente tiver”, finalizou.
As Brabas, vale lembrar, voltarão aos gramados na noite desta sexta-feira, 15 de agosto, às 21h (horário de Brasília), para enfrentar o Bahia, pela partida de volta das quartas de final do Campeonato Brasileiro Feminino. Na partida de ida, o Alvinegro venceu por 2 x 1 e joga por um empate para se classificar.
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