- Por Fabio Luigi / Redação da Central do Timão
Com gols da zagueira Erika e da meio-campista Duda Sampaio, o Corinthians Feminino venceu o Bahia na noite da última sexta-feira, 15 de agosto, pelo placar de 2 x 0, em duelo de volta das quartas de final do Campeonato Brasileiro Feminino. Nas semifinais, o Alvinegro enfrentará São Paulo ou Ferroviária, que decidirão a vaga neste sábado, no Morumbis.
Minutos após o encerramento da partida, o técnico Lucas Piccinato concedeu entrevista coletiva falou sobre mais uma classificação para as semifinais do Brasileirão Feminino. Desde quando o torneio passou a ser disputado neste formato, as Brabas nunca foram eliminadas e se classificaram nas nove ocasiões.

“Eu acho que essa estatística é fruto de um projeto duradouro, que teve início há bastante tempo já e que hoje colhe fruto de sementes plantadas lá atrás por pessoas que apoiavam para gente estar na posição que temos hoje. Pensamos em, obviamente, manter a equipe no mais alto nível e sabemos que o mais alto nível não é classificar pra uma semifinal, é muito mais. Então, por outro lado, eu estou muito feliz pela classificação, mas sabendo que a gente tem um caminho longo ainda pela frente, o objetivo é que o clube almeja e o que vestir essa camisa almeja.”
“Está todo mundo muito preparado pra crescer no momento certo, a gente não começou bem o Campeonato Brasileiro, a gente não fez o início de ano como esperávamos, mas eu acho que a gente está crescendo no momento que precisa, no segundo semestre. Que a gente consiga fazer duas grandes partidas de futebol contra quem quer que venha, duas grandes equipes do outro lado com dois rivais tradicionais, independente de quem ele é, a gente vai se preparar muito para fazer algo bom e confia em colocar o Corinthians na final”, iniciou.
Em seguida, foi questionado sobre a solidez defensiva da equipe e cobrou maior eficiência do time no momento das finalizações: “A importância é muito grande, não tomar é um dos aspectos que a gente mais pontua para a nossa linha defensiva, para o nosso sistema defensivo inteiro, acho que foram dois grandes confrontos. Primeiro elogiar, um grande trabalho do Bahia, com sua comissão, grupo de atletas, staff, todo mundo fez um grande trabalho nesse campeonato brasileiro, colocar o Bahia com o primeiro nordestino entre as oito, é um feito e o Bahia vendeu muito caro as as nossas duas vitórias, acho que a gente teve controle durante as partidas. Isso é um ponto positivo para o nosso lado, no primeiro jogo nós tínhamos 26 finalizações, o Bahia três então a gente teve um controle muito forte.”
“A gente poderia ter feito facilmente quatro ou seis gols em situações claras. A gente vai deixando o jogo vivo, vai deixando o adversário acreditando e a gente precisa ser um pouco mais eficiente nesse sentido. Todo mundo tem se cobrado muito, treinado muito, mas a gente precisa saber viver esse momento na cara do gol e a gente aproveitar porque pode estar cara numa quadra frente.”
Posteriormente, em tom de brincadeira, evitou escolher qual dos golaços foi mais bonito: o da zagueira Erika ou o da meio-campista Duda Sampaio: “Se eu escolher um, a outra vai ficar bravo comigo. Foram dois gols muito bonitos. Duas jogadores que tem uma qualidade muito alta na finalização. A Erika, no começo da sua carreira, jogou muito com atacante, como volante. Hoje, em um estágio mais avançado da carreira, tem jogado com de zagueira, mas tem uma qualidade muito forte na finalização.”
“E a Duda (Sampaio) eu acho que todo mundo conhece a Duda. A capacidade de aprender e de finalizar. Fico muito feliz pelos golaços de fora da área. Mas incomodado da gente não ter feito os três, quatro gols de dentro da área. Por exemplo, gols mais fáceis, gols mais tranquilos que a gente acabou desperdiçando e deixando o jogo nesse sentimento vivo do adversário. O adversário sentiu que ainda dá e que poderia ter matado o jogo e resolvido o problema. Mas faz parte de seguir trabalhando, seguir qualificando, seguir melhorando. E que isso não nos custe caro na semifinal”, continuou.
Por fim, falou sobre uma suposta preferência de adversário nas semifinais do Brasileirão Feminino e se esquivou, elogiando ambos os times e treinadores de São Paulo e Ferroviária: “São dois grandes equipes, um trabalho lá já mais longevo do Thiago, de dois ou três anos, dois anos e meio (no São Paulo). Então, obviamente, já se conhece há bastante tempo. Um novo trabalho de Léo na Ferroviária, mas que deu um bom cartão de visitas. Fizeram um bom jogo na primeira perna das quatro de final. Não tem muito o que escolher, a saber que vai vir o grande aniversário, o grande de jogo, e a gente tem que estar preparado para fazer. Os jogos bons, como a gente fez, é mais aproveitar as oportunidades que a gente aproveitou”, finalizou.
Após enfrentar o Bahia, em casa, pela partida de volta das quartas de final do Campeonato Brasileiro, o Corinthians retoma o foco para o Paulistão. Na próxima quinta-feira, 21 de agosto, o Alvinegro visita o Realidade Jovem, às 15h (horário de Brasília), no João Mendes Athayde, em Ribeirão Preto, pela sexta rodada da fase de classificação do estadual.
Confira abaixo outras respostas de Lucas Piccinato na coletiva:
Maratona de jogos
“A gente hoje vive o hoje o quinto jogo em 13 dias, é uma maratona. A gente tem um elenco muito bom, muito forte e a gente conseguiu rodar bastante. Acho que nesses cinco jogos a gente conseguiu utilizar 20 jogadoras. Então, é uma rodagem forte. A gente tá muito contente porque era uma sequência muito dura e agora os jogos são um pouco mais espaçados, principalmente entre os dois jogos da semifinal e hoje. Mas, obviamente os jogos são muito mais complicados, muito mais completos e a gente tem que estar preparado, o grupo tá numa pegada muito forte. Na roda do primeiro jogo em Aracaju, a conversa era que faltavam 6seis semanas pra gente conseguir nosso objetivo. São seis semanas de mata-mata e a gente espera viver todas elas a gente fez preparado muito forte pra viver cada uma da maneira como pode ser vivida e ser campeão.”
Estratégia defensiva dos adversários e eficiência nas finalizações
“Acho que é uma das saídas, quando você tenta se fechar um pouco mais, quando a gente está em organização ofensiva, naturalmente os times se fecham, se colocam num bloco baixo, fica mais difícil de entrar e a gente tem que achar um recurso, de uma bola alçada na área, ou de uma finalização de longa distância para atrair o adversário. E a gente fez boas ações na área, mas não conseguimos empurrar. E a finalização de longa distância, feliz que a gente está conseguindo tirar proveito, a gente treina bastante com a finalização. O torcedor pensa que agente não treina muita finalização, mas a gente treina muito a finalização, quase todos os dias. E é óbvio que a finalização no dia a dia de treino é uma coisa, na hora da verdade é outra. A pressão que se vive dentro de um jogo de futebol é totalmente diferente. Mas a gente vai continuar qualificando e treinando para que nos momentos decisivos a gente possa aproveitar tanto de fora quanto de dentro da área.”
“O jogo de hoje acho que a gente errou muito o alvo. Lá em Aracaju, eu acho que a Yanne fez um grande jogo. A goleira do Bahia fez defesas muito difíceis, a gente acertou o alvo e a gente teve uma goleira jovem, que é muito promissora, que fez uma grande partida. Hoje acho que a gente errou muito o alvo em si. Mas acho que foi bastante do aspecto mental de você se ver na frente da goleira e colocar a bola onde foi que você colocava, qualidade técnica para fazer isso, esse grupo tem de sobra. E eu tenho certeza que em um momento certo a gente vai aproveitar e que essas chances criadas vão se tornar em gol, que vão resultar em títulos para o Corinthians.”
Mariza (zagueira) preservada
“Ela sofreu um trauma muito forte no Brasil e França, ela teve uma hiperextensão no lance, foi por muito pouco que ela não ficou com uma lesão que tirasse ela de um longo período. Obviamente, defendendo a seleção melhor, a atleta e a seleção priorizaram ela se manter ali jogando. A gente tá tratando isso dia após dia pra que ela tenha obviamente menos dor, que é a principal situação que ela vive nesse momento e pra que ela possa retornar. A gente, no momento que ela retornou, a gente usou um jogo muito pesado que era de vida ou morte, do do Cruzeiro (Copa do Brasil), que a gente optou por forçar um pouco a mão e utilizar ela naquela partida. Sabendo disso, nesse primeiro momento do mata-mata, a gente deixou ela de fora pra que ela pudesse recuperar e estar bem na semifinal. O plano é esse.”
Jhonson e Gabi Zanotti – gols perdidos
“Eu acho que a gente tem perdido o gol com quase todo o setor, óbvio que as atletas das linhas de frente recebem mais bolas e naturalmente são quem tem as maiores oportunidades, mas acho que é uma questão mais coletiva em si. Também fizemos uma grande partida de novo, roubou bola, gerou situação. Estava ali o tempo inteiro, participativa, mas é óbvio que quando você é uma centroavante, e o gol não sai, então a chateação dela (Jhonson) é um pouco por conta disso. Mas, de novo, não vai faltar trabalho, não vai faltar empenho para a gente qualificar essa parte de jogo que vem nos incomodando para que a gente transforme cada vez mais o nosso domínio, o domínio que a gente tem na partida e os gols emplacarem o placar elástico que a gente poderia ter feito.”
Polivalência de Andressa Alves
“Acho que é uma jogadora que tem capacidade de fazer quase todas as funções, tanto no campo como no futebol. É uma jogadora muito diferenciada. No começo da carreira, começou jogando como lateral-esquerda, por exemplo, e que durante a carreira passou por todas as posições do meio campo e joga, faz bastante tempo, como atacante. Ela dá essa versatilidade para a gente. A gente foi disputar uma competição internacional e ela fez partidas em valores de GPS de uma quantidade altíssima, de nível internacional, na posição de meio campo, de primeiro a meio campo.”
“Ela teve a capacidade para se manter. Ela ainda consegue manter um nível de quantidade muito forte para jogar em qualquer posição. Hoje, pelo que o jogo que a gente estava trazendo, eu sentia que a gente precisava de um passe mais qualificado. Um pouco menos de poder de marcação. E acho que ela fez um grande jogo de novo. Fez bons jogos nas últimas três partidas e é uma atleta que a gente gosta muito.”
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