Técnica do Corinthians Feminino explica formação tática e projeta torneio amistoso nos Estados Unidos

  • Por Fabio Luigi / Redação da Central do Timão

O Corinthians enfrentou, na noite da última sexta-feira (3), o Red Bull Bragantino, no Estádio Alfredo Schürig, Fazendinha, em partida válida pela sexta rodada da primeira fase do Campeonato Brasileiro Feminino de 2026, e venceu pelo placar de 5 x 1. Os tentos das Brabas foram anotados pela meia Gabi Zanotti (duas vezes), Andressa Alves, Belén Aquino e Vic Albuquerque. Com o resultado, a equipe corinthiana assumiu a liderança da competição nacional com 13 pontos – quatro vitórias, um empate e uma derrota – 17 gols marcados e sete sofridos.

Instantes após o apito final, a técnica do Corinthians Feminino, Emily Lima, concedeu uma entrevista à imprensa na zona mista, e foi questionada sobre diversos assuntos. A comandante fez uma análise de desempenhos individuais de algumas atletas, rodagem do elenco, trabalho do dia a dia da comissão técnica, explicou a formação tática que vem utilizando e projetou a disputa da Teal Rising Cup, nos Estados Unidos, a partir da próxima quinta-feira (9).

Confira abaixo as respostas da técnica Emily Lima:

Variações de comportamento tático no momento de defesa/ataque

“É um tipo de jogo coletivo, ele vem melhorando, não só o lado direito, mas ele vem melhorando. Ainda do lado direito a gente vem, ainda trabalhando algumas peças, principalmente na lateral. Voltamos com a Ivana esse jogo já de um início, pra ver como ela ia se sair a uma posição onde ela não tá tão habituada. Ela fazia aula muitas vezes, mas não lateral. Acho que é continuar trabalhando pra que a gente possa ter um grupo e uma equipe onde a gente possa se desenvolver em todos os setores do campo. Não só do lado direito ou não só do lado esquerdo, mas eu vejo que coletivamente a gente vem evoluindo. Falta ainda bastante coisa, bastante coisa, mas acredito que as vitórias elas venham pra gerar mais confiança nas atletas, gerar mais confiança no trabalho, elas entenderem o que nós viemos fazer. Que nós fazemos a proposta, acho que é isso, é ir evoluindo a equipe como um todo.”

Questão ofensiva

“A gente vem trabalhando muito com a bola de profundidade. Hoje a gente vê muitas equipes fazendo marcação individual. A marcação individual gera muito espaço pra gente quando a gente entende que a gente pode fazer o que quiser com o adversário. Então, a gente tá buscando fixar muito zagueira e desbordo de meia, né, com esse tapa em profundidade. A gente vem trabalhando muito isso. A gente entendia que o jogo interior do Corinthians era muito forte, mas essas beiradas onde a gente entende que tem muito espaço e é onde a gente tá conseguindo ser feliz nesses cruzamentos de entrada de área, vem dando resultado. A gente não pode que seja fácil de ler também, que vai jogar fora e depois dentro. Então como a gente entendia que o Corinthians era muito forte dentro, a gente começou a potencializar esse jogo mais com profundidade. Mas o jogo com profundidade não é só jogo com profundidade, é como entrar e como preencher a área. Então, vem dando certo, acredito que a gente agora precisa entender o momento de ser fora pra dentro, dentro fora e não ser previsível.”

Escolha da capitã do time

“Não houve conversa, é um perfil meu. Em todos os lugares por onde eu passei, eu penso que a liderança tem que ser de grupo e não de uma, duas ou três líderes, acredito que todas têm que ter voz, todas têm que ser líderes, eu sempre trabalhei nesse perfil de grupo, eu não trabalho com 11 titulares e 20 ou 30 suplentes, a gente busca trabalhar com grupos, a gente trabalhando com grupo acredito que a gente sempre fala que time ganha jogos e a equipe ganha títulos. Então, a formação dessa equipe desse grupo tem que ser muito forte para que a gente possa buscar os títulos que ainda nos restam desse ano.”

Projeção da Teal Rising, torneio amistoso nos Estados Unidos

“Acredito que é um campeonato de Data Fifa. A gente vai conseguir avaliar ainda mais jogadoras que tiveram ainda poucos minutos no Campeonato Brasileiro, então é um momento muito bom. A gente termina essa primeira parada aqui com o primeiro objetivo nosso, desde quando chegamos que era terminar como líder do Campeonato Brasileiro, e pra descansar no Campeonato Brasileiro com as meninas nas seleções, e já ir pra esse torneio com a cabeça voltada nesse torneio, e tentar rodagem, rodagem de jogadoras, tentar armar a melhor equipe já pra estreia aí contra o Kansas, e tentar fazer um bom torneio e terminar esse torneio melhor do que foi o ano passado.”

Trabalho do Corinthians como grupo, desde a comissão técnica e staff, até as atletas

“Eu acho que não é a Emily, eu acho que é o grupo que trabalha com a Emily. O grupo são todos, departamento médico, fisiologia, fisioterapeuta, comunicação, administrativo, eu acho que é um perfil que quem me acompanha desde sempre, quando eu iniciei no Juventus. A gente trabalha muito nessa pegada de um ajudar o outro a todo tempo, a gente não pode pensar individualmente, porque ninguém faz nada sozinho, a gente sempre precisa de alguém para alguma coisa, então elas precisam de gente fazendo a massagem, cuidando delas, cuidando da roupa, cuidando da alimentação, cuidando da nutrição.”

“Então, é uma equipe por trás disso, e essa equipe vem me ajudando muito a potencializar essas minhas, a acreditarem que o dia a dia vai nos fortalecer, e a parte humana que é o que eu sempre falo e sempre vou falar, é algo que eu aprendi dentro da minha casa e vou levar pra vida. E eu tento contagiar então acho que essa parte humana é o que mais pega no dia a dia e tento contagiar todo mundo que está do meu lado e espero contagiar o grupo para que elas entendam que a parte humana ela tem que estar antes do atleta, antes de ser atleta elas são seres humanos e nós também então se a gente tiver esse link, esse entendimento acredito que a gente vai por um bom caminho.”

Belén Aquino, Vic Albuquerque e rodagem do elenco

“A (Belén) Aquino eu conheço desde quando eu trabalhava nas seleções, tanto no Equador como no Peru, a gente estudava muito as seleções. Quando estava no Inter, a gente falava muito dela. Depois que veio pro Corinthians, eu falei: ‘caramba, que baita completação’. É uma equipe muito difícil de encontrar 11 jogadoras, porque a semana é muito boa. A semana, eu venho falando que a cada semana que nós, desde quando chegamos aqui no Corinthians, vêm sendo uma melhor que a outra. E essa última semana, antes desse jogo, foi pra mim a melhor semana. Então, a gente pode citar vários nomes que poderia ter saído como titular hoje. E o mais importante de sair como titular é dar a sequência na próxima semana, e não achar que não vai acontecer.”

“A Vic estava sendo titular em todos os jogos. E acabou aqui não ganhando esse espaço, mas não por a Vic tirar o pé, é porque o nível dos treinamentos eles são altíssimos, então assim, isso é bom porque quando a gente precisa da Vic, estou citando esse exemplo, ela vai e faz o gol, então assim, isso demonstra a importância do que a gente está querendo construir no Corinthians, que é esse respeito mútuo entre todas e todos, saí uma entre a outra e eu vou dar o máximo que eu puder porque a gente não pode deixar o nível cair. Eu acredito que é isso, aqui como todas as jogadoras do Corinthians não estão aqui por acaso, tem que ter nível para jogar aqui, então é mais uma jogadora que soma para o grupo do Corinthians.”

Formação tática da equipe – ‘jogo de posição’

“Então, a gente hoje tá jogando num 4-1-3-2. O que acontece é que esse losango do meio ele gira muito. Então, a gente tá fazendo um jogo de posição, mas um jogo de posição com movimentação, com mobilidade desse losango e das duas atacantes. Então, quando a gente fala de marca individual, a gente tem que gerar espaço. Pra gerar espaço, a gente precisa de mobilidade. Então, é isso que tá acontecendo e, às vezes, a dificuldade da visualização é devido ao adversário. Então, a gente convida o adversário fazer o que a gente quer, exatamente, pra gerar esses espaços. Mas a formação tá sendo essa com essa mudança de posições e mobilidade que gera essa dúvida sua, como a gente quer que gere do lado de lá também, dos adversários e nas atividades.”

Evolução do time no aspecto físico desde sua estreia no comando

“Na verdade, a gente está evoluindo, a gente está melhorando, não é fácil jogar os 90 minutos, a gente precisa ter o controle maior do jogo em momentos onde a gente acaba tirando o pé, porque é impossível jogar os 90 minutos assim. Hoje foi um dia que aconteceu isso, em vez da gente ficar com a bola e ter um controle maior da partida, a gente queria entrar de todo que é forma e sofria transição e aí é desgastante, você tem que ficar correndo para trás o tempo inteiro, aconteceu muito isso no final do primeiro tempo e no início do segundo tempo. A gente tem o desafio de detectar o porquê vem acontecendo isso, você citou o jogo do Palmeiras, aconteceu isso no primeiro tempo do Palmeiras e a gente precisa detectar o porquê que está acontecendo isso. Acredito que é muito mais pelo nosso controle, a gente controlar um pouco mais. Uma partida tanto com bola como sem bola, do que o adversário gerar situações. Eu acho que a gente vem gerando situações para os adversários e a gente tem que entender o porquê das coisas e tentar corrigir.”

Erro de Tamires no lance do gol do RB Bragantino, desempenho da camisa 37 e análise sobre Juliette

“Sim, foram dois erros individuais, mas acredito que a gente tem, a gente usa uma palavra que é situação de urgência, quando acontece isso a companheira do lado tem que tentar com urgência resolver o problema, muitas vezes não acontece como não aconteceu, e a gente não pode sofrer um gol desse, é desatenção, não estar concentrada o tempo inteiro do jogo, e aconteceu, aconteceu, a gente vai tentar ajustar, corrigir não só isso que aconteceu, mas algumas coisas, ajustar muito algumas coisas que aconteceram tanto no primeiro como no segundo tempo, principalmente o tampar a bola, principalmente o momento de correr para trás, o momento que a jogadora está de costas, o momento de chegar nela, o momento de bola descoberta, de correr para trás, enfim, tem alguns ajustes que a gente precisa fazer. Eu entendo a Juliette vencendo sempre o melhor, a Juliette sempre busca o melhor dela, como todas as jogadoras. O nível competitivo e de competitividade no treinamento são altíssimos.”

“A gente vem avaliando muito jogadora em cada jogo, a Juliette, a Tamires, Juliette jogou o primeiro jogo, depois já não jogou o segundo, depois entrou no segundo no meio tempo. Então eu e a Jacque a gente vem estimulando situações de jogos diferentes. Essa inicia, essa troca no intervalo, essa inicia um outro jogo, enfim. E já já a gente vai ter que tomar algumas decisões e ter uma identidade maior. Porque uma coisa é você jogar com a Juliette e outra é jogar com a Tamires. São características de jogadoras diferentes uma da outra. Mas eu acho que o nível competitivo é muito alto e não só a Juliette, mas o grupo vem buscando sua melhor performance em todos os treinamentos.”

Próxima partida

Agora, as Brabas retornam a campo pelo Brasileirão somente no próximo dia 20 (segunda-feira), às 21h (de Brasília), fora de casa, em duelo válido pela sétima rodada do torneio. Antes disso, porém, as comandadas de Emily Lima viajam para os Estados Unidos, onde disputaram a segunda edição da Teal Rising Cup. Na próxima quinta-feira, às 22h (de Brasília), as Brabas enfrentam o Kansas City Current, no CPKC Stadium.

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