Nova treinadora do Corinthians contextualiza últimos trabalhos da carreira e elogia o elenco do clube

  • Por Henrique Pereira / Redação da Central do Timão

Na manhã desta quinta-feira (26), o Corinthians realizou a apresentação oficial da treinadora Emily Lima, nova comandante da equipe feminina. Após posar ao lado de Iris Sesso, diretora de futebol feminino, e Osmar Stabile, presidente do clube, a profissional de 45 anos revelou que já tinha conhecimento da realidade do Timão e elogiou o elenco que tem à disposição.

“Eu chego já entendendo um pouco do que é o Corinthians, o elenco do Corinthians, acompanhei as contratações, quem saiu, quem não. A gente que tá dentro do futebol, a gente acompanha, né, muito. Até conversando com o pessoal da comissão, eu falei: “vocês têm ideia que ainda faltam dez meninas que estão na seleção?” Então a gente tem muito que trabalhar, muito que melhorar, no sentido de ter todo o grupo e potencializar ainda mais isso, potencializar ainda mais cada jogadora individualmente”, iniciou Emily.

“Então, acredito que sim, tiveram boas contratações, até comentava, nem sabia, nem tinha ideia que um dia eu podia estar aqui, a gente comentava entre nós que ‘caramba, olha, contrataram essa, contrataram essa, estão deixando ainda mais forte a equipe, esse ano vai ser uma briga, vai ser novamente uma briga’. Comentava sem um dia pensar que podia estar aqui, hoje estando aqui e podendo estar diretamente com elas no treino é realmente isso”, continuou.

“Eu acho que dentro do elenco que nós temos hoje, a gente pode trabalhar muito bem, vamos ainda estudar muitas coisas, né, o mercado é algo que a gente não pode deixar de estudar, temos os analistas que podem somar muito referente a isso, mas primeiro pensar no hoje, então estamos chegando, conhecendo, pensando hoje e fazer o melhor com o que é o hoje, e temos um hoje muito bom e a gente tem que aproveitar esse hoje”, complementou a treinadora.

Na sequência, Emily Lima também deu explicações sobre sua trajetória recente no futebol e a falta de resultados positivos. A treinadora explicou que havia um contexto em todos os seus últimos trabalhos e afirmou que deixou um legado interno que vai além dos placares obtidos em campo.

“O futebol feminino ainda não é uma realidade onde você busca informações e você encontra. O Levante foi um clube onde nós já queríamos ir para um lado mais competitivo. Eu estou falando da segunda a terceira melhor liga feminina do mundo. E quando chegou o convite do Levante mesmo, com as dificuldades que nós sabíamos, nós aceitamos. Chegando lá, a gente enfrenta um outro desafio, por ser mulher. Eu tenho todas as minhas licenças, minha assistente tem todas as licenças, mas a gente não podia atuar, poderíamos atuar no futebol masculino, pelo regulamento, mas pelo futebol feminino não. Então até fazer a equivalência da UEFA foi, assim, desgastante para nós, porque a gente chegou pensando que ia ser algo muito simples e acabou isso também tirando um pouco a nossa energia de chegar em um lugar novo, sabendo das dificuldades e falar vou ‘focar só nisso'” , disse.

“Não fiz tantos jogos assim, foi começo de temporada, pré-temporada muito boa, início de temporada não tão bom. Não fui demitida, eu cheguei para o presidente, para diretora, falei ‘o melhor para o Levante hoje é que eu não esteja aqui, eu prefiro ir embora’, então isso também fica claro. Eu penso muito no clube onde eu estou e tenho contato com o presidente do Levante até hoje. Eu fiquei pouquíssimo lá, mas eu acho que o caráter da pessoa, seus princípios e valores, você não pode negociar, então você continua tendo esse vínculo com pessoas que também têm o mesmo que você”, complementou Emily.

A técnica também detalhou seus trabalhos nas seleções do Equador e do Peru. Apesar de não ter tido resultados positivos, a profissional ressaltou que participou de um desenvolvimento importante nos países e afirmou que cultiva boas relações com as pessoas que encontrou ao longo de suas passagens.

“Depois, nas seleções, eu fui para um desenvolvimento. A gente não foi para classificar para mundial. Precisávamos iniciar um trabalho nesses países, tanto no Equador como no Peru. O Equador empatou com o Brasil, são meninas que nós iniciamos lá atrás. Mas o pessoal da minha comissão até fala ‘você gosta de iniciar e deixar, roer o osso e deixar a carne para os outros, né?’ Às vezes eu vim para cá, para esse mundo, para desenvolver pessoas. E não é só desenvolver atletas, é desenvolver pessoas. Tenho contato com quase todas as jogadoras do Equador. Na Copa América, com o Peru, todas as jogadoras vieram me cumprimentar na virada do campo, no jogo contra o Equador”, pontuou.

“Então, isso eu levo para a minha vida, assim, resultado é legal, é. No Corinthians, a gente não pode negociar isso. A gente vem aqui para ganhar e ter tudo isso. Então, são outras realidades. O Peru, pela primeira vez a gente classificou o Sub-17 para o Hexagonal, e depois de anos classificou a Sub-20 para o Hexagonal. Em termos de resultado, em um país onde não existia o futebol, eu acho que foi positivo. Mas o mais positivo para a gente é hoje assistir o Equador bater de frente com o Brasil. Então isso é uma semente que a gente deixou lá e as pessoas entenderam que eles precisavam cuidar dessa semente”. prosseguiu Emily.

“Então assim, são questionamentos que, infelizmente, o futebol feminino ainda não tem essa comunidade de comunicação, né? As pessoas ainda não sabem, e tive a oportunidade hoje de poder explicar um pouquinho, e resumir muito o que foi feito, mas eu acho que é isso. Hoje aqui é uma outra realidade, não tem nada a ver do que eu vivi esses 6 anos fora do país. Aqui a gente vem para fazer um bom trabalho, trabalhar na melhor forma possível e conquistar títulos. É isso”, finalizou.

Treinadora desde 2010, Emily construiu trajetória em diferentes clubes do futebol brasileiro, com passagens por Portuguesa, Juventus-SP e São Caetano, antes de assumir inicialmente a Seleção Brasileira Feminina Sub-17. Em 2016, após comandar o São José, alcançou o ponto alto da carreira e foi nomeada técnica da Seleção Brasileira principal, função que exerceu entre 2016 e 2017. Nesse período, dirigiu a equipe em nove partidas e obteve quatro vitórias. Cabe destacar que, durante sua passagem pela Seleção, convocou e utilizou a atual capitã alvinegra Gabi Zanotti em quatro oportunidades.

Em 2018, à frente do Santos, Emily Lima alcançou a principal — e até aqui única — conquista de sua trajetória como treinadora: o Campeonato Paulista. Naquela temporada, comandou a equipe em 29 compromissos, somando 19 vitórias, oito empates e apenas duas derrotas.

Após deixar o clube da Baixada Santista, em 2019, Emily direcionou a carreira para o cenário internacional. Entre 2019 e 2022, trabalhou nas seleções de base e principal do Seleção Equatoriana de Futebol. Sua última vitória como técnica ocorreu em 8 de julho de 2022, quando o Equador aplicou 6 a 1 sobre a Seleção Boliviana de Futebol.

Na sequência, assumiu a Seleção Peruana de Futebol, onde esteve à frente da equipe em seis partidas, todas com resultados negativos. Mais recentemente, dirigiu o Levante UD Femenino, da Espanha, permanecendo por 11 jogos, com um empate e dez derrotas.

Mesmo diante do retrospecto desfavorável nos últimos trabalhos, Emily vê no retorno ao Brasil a chance de retomar o caminho das vitórias. No Corinthians, ela volta a atuar no futebol nacional após mais de seis anos longe do país. Entre as marcas de sua metodologia estão a valorização da estrutura e da organização interna — fatores que, conforme foi noticiado e confirmado por ela na época, influenciaram sua saída do Santos, em 2019.

Confira outros trechos da coletiva de Emily Lima:

Qual a relação que espera ter com a torcida do Corinthians e especialmente os Gaviões da Fiel, principal torcida organizada do clube?

“Eu tenho uma amiga que eu posso chamar de irmã e ela é assim fissurada no Corinthians. Me levava na Gaviões, na escola de samba, e aquele ambiente é um ambiente totalmente diferente, né? Então, estou habituada, por conta dela mesmo, né? E depois que eu provei uma vez, eu já fui várias vezes por lá. Eu espero ter uma relação muito boa, eu acho que a gente, quando aceita esse desafio, é pra vir pra um time vencedor, né? Não é só pra competir e eu espero que eu possa ter essa harmonia com os Gaviões, com a torcida e tudo.”

O Corinthians é o maior desafio de sua carreira?

“Estava conversando aqui fora dos bastidores um pouquinho, isso aqui, eu que vivi sendo a primeira mulher na Seleção nrasileira e hoje assumindo o Corinthians, é outra realidade. Isso aqui pra mim é uma seleção, é mais do que uma seleção. Por isso que quando eu recebo o convite da Iris, ela falou ‘pensa um pouco’, e eu disse ‘não vou pensar, Iris’. E eu sou eu, eu não consigo não ser eu. Eu falei ‘não vou pensar’. Eu acho que quem recebe o convite do Corinthians, e aí do Corinthians, a instituição, seja sub-13, sub-15, é o Corinthians, entende? Então eu falei, ‘não vou pensar, pode contar comigo’. Então com certeza será.”

Como enxerga o elenco do Corinthians nesse momento e como pode projetar o trabalho?

“Eu enxergo ainda um time vencedor, contratações muito bem feitas e meninas que eu tô há dois dias com elas e vejo que representam demais nessa camiseta, se entregam 100%, eu não tenho muito o que dizer. Eu acho que é ter o respeito, para mim a palavra respeito eu falo que é a minha primeira palavra quando eu chego nos lugares, é respeitar a história que foi feita, mesmo com toda essa transição, que isso é algo que acontece no futebol, eu vou dar continuidade em tudo que foi feito e a gente, todos nós sabemos que essa continuidade tem que ser de vitórias. Então nós já temos isso na cabeça, nós não viemos para tentar ou para participar, a gente tem que entregar 24/7 para o Corinthians, para que possamos estar cada vez mais próximo dos títulos e conquistá-los”

Qual estilo de jogo pretende implementar na equipe do Corinthians?

“Você tem que se adaptar referente pra onde, né, a característica das suas jogadoras, pra onde você tá indo. Se eu for jogar com o Peru e o Equador, com qualquer seleção sul-americana de igual pra igual, eu vou tomar 10, 12, 15, 20. Então assim, a gente tem que ser inteligente e entender onde nós estamos. Então hoje no Corinthians, nós estamos com um elenco que você pode ser ofensivo de todas as formas. Você pode atacar por dentro, você pode atacar por fora, você pode jogar num 4-3-3, pode jogar num 4-1-3-2, ou seja, pode jogar num 3-4-3, porque tem muita jogadora de meio boa. Então a gente já teve, a gente já tá com a cabeça remoendo em referente a isso. Mas se você me acompanhou no meu último trabalho no Brasil, a gente tinha uma equipe ofensiva, então quem me conhece sabe que eu gosto de chegar com 6, 7, 8 jogadoras e às vezes a gente fica atrás com 2-1, porque a gente gosta de apoiar com duas laterais. Então, assim, quem me conhece lá do São José, até no Juventus, que a gente batia de frente na época com equipes da época boas, sabe que gostamos de ter a posse, mas não ter a posse por ter a posse, a gente gosta de ter a posse com o objetivo de ser vertical e chegar ao gol. Gostamos de uma equipe bem organizada defensivamente, sim. Eu acho que uma equipe bem organizada defensivamente dificilmente sofre gol e uma equipe muito bem organizada, sabendo que tem que fazer com muita mobilidade, com muita intensidade para que a gente possa chegar ao gol o mais rápido possível e tentar matar os jogos assim com muito mais tranquilidade, posso assim dizer.”

Quem chega com você para compor a comissão técnica do Corinthians?

“E quem chega comigo é a Jaque, a Jaqueline, que já está trabalhando comigo há algum tempo, a Lili, que foi minha atleta e hoje trabalha comigo, isso é muito gratificante. Essa é uma sementinha que eu deixei lá, ‘vocês precisam estudar, vocês precisam ser diferentes, futebol um dia acaba’. E hoje ela fala para mim, ‘obrigada por tudo que foi feito lá atrás e hoje eu posso ter o prazer de trabalhar com você’. E é uma excelente profissional. E também tem o Joey, um peruano que eu tive a oportunidade de trabalhar com ele no Peru. Para mim, um dos preparadores de goleiros mais diferentes que eu já trabalhei, até quando atleta. Então, acho que vai ser bem legal essas três pessoas trabalhando aqui. O grupo, o staff todo, é um staff que eu tive contato ontem, hoje, muito bacana. Já estamos trabalhando com um fisiologista também novo, o Paulo. Hoje mesmo, já deu ideias assim, coisas que eu gosto muito. Eu não gosto de gente que fica sentado na cadeira, acomodada. Então, ontem eu comentei um negócio com ele, hoje ele já me trouxe uma coisa nova. Isso que vai levar todo mundo para cima.”

O quanto ter atletas que já conhecem seu trabalho pode ajudar na adaptação ao Corinthians?

“Eu acho que total, não só no estilo de jogo, mas o ambiente, né, elas já sabem que eu sou chata mesmo, então uma já falou pra outra ‘ela é chata pra caramba, mas no final a gente vai se abraçar e vai estar tudo certo.’ Eu sou chata na exigência do trabalho, chata pro bem. Eu preciso ser chata, eu não posso me acomodar e aceitar que tá tudo bem se não tá tudo bem. Então acho que isso é um ponto principal em uma chegada em uma equipe como essa. Ter jogadoras que já conhecem, pra ajudar as outras a entenderem, ‘fica de boa, ela tá falando, ela vai fazer, ela vai ficar no seu pé, mas vai dar bom no final, fica tranquila’. Então isso é legal. Em referência à tática, eu acho que o entendimento do jogo, porque o meu estilo de jogo, o modelo de jogo é algo que eu levo comigo, é algo que eu acredito, a comissão técnica, as três pessoas que trabalham comigo também acreditam muito nisso. Então, como elas já entendem um pouco, isso pode acelerar o processo de adaptação, sim, e elas contagiarem com esse processo de adaptação positiva. Então, acho que ajuda muito você já chegar em um lugar onde as pessoas já conhecem como pessoa e como profissional, como estilo de jogo, tática, enfim, acho que ajuda, assim, a acelerar o processo de adaptação.”

Qual foi o projeto que o Corinthians apresentou pra te convencer a vir e qual o sentimento de ser a primeira mulher a treinar a equipe principal?

“Eu acho que o projeto já tá escrito. O projeto é a história que o Corinthians tem no futebol feminino. Então eu não preciso escutar mais nada de alguém falando ‘você topa esse convite’, não precisava falar mais nada. Então foi tudo muito rápido por isso, porque eu já sei a história, a gente já sabe a estrutura da equipe, a gente já sabe o departamento, que é um departamento profissional. Então a gente não tá indo pro escuro, sabemos onde nós estamos pisando. E a segunda, eu não gosto muito desses títulos individuais, sabe? Eu não sou muito adepta a isso. Eu não trabalho sozinha. Eu não arrumo o campo sozinha, a roupa que eu visto alguém lavou pra mim, a comida que a gente come lá alguém fez pra mim. Então eu nunca trabalhei assim com, ‘eu sou a treinadora’, é que a gente tem um cargo que a gente tem que se colocar à frente. Mas quem trabalha comigo sabe que esses títulos eu não curto muito, mas é uma honra poder ser a primeira mulher. Mas não é algo que eu levo pra minha vida pra sair falando, igual a primeira treinadora da Seleção Brasileira, eu não falo ‘eu fui a primeira, eu treinei a Seleção Brasileira’. Eu não, eu particularmente não gosto disso, porque eu trabalho em um esporte coletivo onde todo mundo é importante, desde o presidente até a última pessoa que sai lá do CT.”

Como está sendo a preparação para estrear no clássico contra o Palmeiras, que vem em boa fase?

“Eu sempre foco muito no nosso time, no nosso elenco, no nosso trabalho. Claro que a gente vai estudar a equipe do Palmeiras, mas eu foco muito em nós. Eu não foco nelas. A gente vai entender o que é o Palmeiras, a gente vai estudar o que é Palmeiras, o porquê que desses Dérbies não estarem sendo tão favoráveis a nós e potencializar as nossas jogadoras. Eu não sou muito de, ‘ah, mas lá tá fulano, mas tá essa, faz assim’. Então eu acho que é estudar, a comissão técnica estudar, deixar a cabeça das jogadoras tranquila e passar o máximo de confiança para elas. E ponto, não tem muito o que fazer, é a forma que eu trabalho. Já aconteceram outras situações dessa comigo em outras equipes e é assim que a gente costuma trabalhar. A gente tem que nos preocupar com nossas jogadoras, potencializar nossas jogadoras, mas nós, a comissão, estudar, entender, para que a gente possa fazer treinos nessa semana. Eu sempre pego esses negócios assim, difíceis. É incrível, eu sempre chego no lugar e, ‘ah, é o Derby contra o Palmeiras’, e tá tudo certo, já estamos acostumados com isso. É pressão desde quando você está sendo contratada, né? Mas é isso, acho que é olhar para nós e a gente estudar o que pode estudar do Palmeiras. Conheço bem a Rosana, foi minha atleta, joguei com ela, então vai ser um jogo bacana, vai ser um Derby legal.”

Como pretende lidar com as jogadoras vindas das categorias de base? Elas terão mais espaço?

“Eu vou querer estar muito mais próxima da formação. Em um outro momento, porque esses dois dias foram dias muito corridos, mas em um outro momento eu quero sentar com eles, entender um pouco o trabalho, quero acompanhar os jogos. É uma característica minha, eu gosto de fazer isso. Quando eu falo eu, sou eu e toda a comissão. Cheguei identificando as meninas que subiram e elas estão trabalhando igual a todas as outras. Então, se elas estão no elenco principal ou profissional, trabalhando igual a todas as outras, elas vão ter a mesma oportunidade igual a todas as outras. Então, são meninas, sim, de qualidade, pode ser que falte minutos, minutagem, mas não quer dizer que não tenha oportunidade. Vai ganhar a minutagem jogando e isso vai depender da confiança que ela vai passar para nós, se ela pode estar ou não jogando, então acho que elas têm que entender que não é subir só porque agora eu estou aqui, elas têm que subir e ter o entendimento que tem que subir para joga, subir por algum motivo, então elas têm que saber que todas estão ali vão ser avaliadas trabalhadas para que a gente possa a cada final de semana ou a cada jogo, a cada competição, selecionar as melhores jogadoras dentro do que a gente entende para cada jogo.”

O trabalho do treinador anterior deixou algo de positivo? E como se sente com a pressão de treinar o Corinthians?

“Eu acho que assim, todo mundo tem muita coisa boa e todo mundo tem muita coisa ruim. Acredito que o trabalho anterior deixou muita coisa boa. Eu não posso limpar tudo e falar que nada prestava e agora é o meu. Eu não penso dessa forma, tem muita coisa boa que acontecia e que a gente vai ajustar o que não acontecia tão bem. Então, acho que a ética não me deixa falar de um outro profissional que é o mesmo profissional que eu e que um dia a gente pode estar trabalhando junto. Então, é uma linha que eu levo de buscar tudo que foi bem feito, feito da maneira que a gente acredita que era bacana e o que não, tentar ajustar ou isso sim eliminar e trazer o nosso. Para que a gente possa deixar essa equipe com muito mais, voltar a ter esse brilho que é o Corinthians. Eu, assistindo os jogos, eu senti um pouco de falta disso, então acho que é isso, é buscar, é reativar essas meninas para isso. Sobre a pressão, a gente sabe pra onde tá vindo e a gente tem que saber lidar com isso.”

Quais as principais características que conseguiu enxergar no elenco nos primeiros dias de trabalho?

“Bom, característica técnica que não precisa nem falar, jogadoras potentes, fortes, achei bastante bacana conversando com o preparador físico, que é o Yuri, o trabalho que ele apresentou pra gente diário na academia, algo que linka muito com o que a gente acredita. Então são jogadoras potentes, jogadoras rápidas, tecnicamente absurdas, entendimento rápido dentro do trabalho que a gente vem fazendo, então acho que eu posso citar esses três, quatro aspectos que a gente detectou em dois dias, mesmo conhecendo de antes, né, mas tendo uma realidade hoje muito mais próxima e acho que é potencializar isso. Sabemos das carências que nós temos e vamos tentar melhorar isso. Eu acho que as dificuldades vão vir em cada momento de cada jogo, então cada jogo vai ser um contexto diferente, cada sessão de treinamento um contexto diferente, em cada sessão a gente vai encontrar dificuldade, em cada jogo a gente vai encontrar dificuldade e é o que eu respondi anteriormente essas dificuldades dentro de campo a gente consegue hoje solucionar muito mais rapidamente, a gente tem esse esse feeling de conseguir resolver isso rapidamente espero que aqui a gente consiga fazer isso também, resolver esses problemas que vão ser gerados, dentro de campo é resolvê-los da melhor forma possível.”

Acredita que conseguirá brigar para ter partidas realizadas na Neo Química Arena?

“Acho que a gente não vai precisar brigar. Acho que essa palavra é uma palavra muito bruta para uma equipe onde ganhou tudo e escutei coisas muito, muito boas. A gente não vai ter essa dificuldade de jogar na arena, na Neo Química Arena. Então, acho que o brigar não vai existir aqui, sempre vai haver conversas, diálogos, tanto por nossa parte, como por parte das jogadora, da parte administrativa, da diretoria. É o que eu falo da palavrinha, respeito. Quando a gente tem respeito, a gente não briga, a gente faz um diálogo saudável ou, às vezes, um diálogo que tenha choque, mas para chegar ao mesmo objetivo. Essa é a linha hoje aqui no Corinthians com a minha chegada.”

Qual o principal fator que precisa ser melhorado no Corinthians?

“Tive dois treinos com elas já, a palavra chave da nossa comissão técnica é intensidade. Eu acho que falta bastante intensidade, não falo só da equipe do Corinthians, eu vejo uma intensidade ainda baixa no nosso futebol brasileiro, eu acho que a gente tem que potencializar ainda mais isso. Hoje no futebol o que determina são as ações, então a gente trabalha muito focado em cima disso, respeitando carga, respeitando tempo, respeitando KM, respeitando tudo, mas condicionar essas jogadoras a poder ter a intensidade que se necessita para um jogo de alto nível, de alta intensidade, como é não só no Brasil. A gente vê um jogo anterior do Mundial contra o Arsenal, hoje eu perguntei para elas,’ vocês conseguiam caminhar nesse jogo? ‘ É que é alta intensidade o tempo inteiro, no mínimo você tem que estar trotando. A gente está falando de um Corinthians, então Corinthians é alta intensidade, é top, é o que a gente pensa e é o que a gente quer trazer.”

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