Justiça aceita denúncia contra Duilio Monteiro Alves em caso de apropriação indébita

  • Por Henrique Vigliotti/Redação da Central do Timão

A Justiça de São Paulo recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra Duilio Monteiro Alves, ex-presidente do Corinthians, em processo que apura a suposta prática de apropriação indébita. A decisão foi proferida na última quinta-feira (5) pela juíza Elaine Cristina Pulcineli Vieira Gonçalves, da 15ª Vara Criminal do Foro Central Criminal da Barra Funda, do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

Duilio é acusado de utilizar o cartão de crédito do Corinthians para despesas pessoais durante sua gestão, entre 2021 e 2023. O ex-gerente financeiro do clube Roberto Gavioli também passou a figurar como réu no processo. Na decisão à qual a Central do Timão teve acesso, a magistrada afirmou que há indícios suficientes de autoria e materialidade no inquérito policial para o recebimento da denúncia, dando início à fase processual da ação penal.

Com isso, os acusados deverão ser formalmente citados para apresentar resposta à acusação no prazo de dez dias. Na mesma ocasião, a defesa deverá informar se prefere que a audiência seja realizada de forma presencial ou virtual, além de indicar telefone ou endereço eletrônico para fins de comunicação processual.

A magistrada também negou uma série de pedidos apresentados pelo Ministério Público no início do processo. Entre as solicitações estavam medidas como bloqueio de bens, quebra de sigilo bancário e fiscal e outras diligências investigativas.

Segundo a juíza, tais medidas não se mostram pertinentes no atual estágio do processo, uma vez que a ação penal em curso tem objeto delimitado pela denúncia apresentada, que trata especificamente da suposta prática de apropriação indébita.

Da mesma forma, a juíza considerou que, neste momento, não há justificativa para a aplicação de medidas cautelares contra os acusados, como restrições adicionais ou outras providências além da tramitação normal da ação penal.

Perícia contábil poderá ser analisada posteriormente

A decisão também tratou do pedido de realização de perícia contábil no caso. Sobre esse ponto, a magistrada determinou que a análise da necessidade dessa prova seja feita apenas ao longo do andamento do processo, após a apresentação das defesas e eventual produção de novas provas.

Com o recebimento da denúncia, o processo entra agora na fase inicial da ação penal, na qual os acusados apresentarão suas respostas formais antes de eventual prosseguimento da instrução criminal.

Nota da defesa do ex-presidente

Procurado pela reportagem, o ex-presidente do Corinthians, Duilio Monteiro Alves, se manifestou por meio de nota oficial enviada por sua defesa, representada pelo advogado Lucas Lopes Knupp.

A defesa de Duilio Monteiro Alves informa que tomou conhecimento da decisão judicial que recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público, medida que representa o início formal do processo, etapa em que os fatos passam a ser analisados com a garantia do contraditório e da ampla defesa.

Na mesma decisão, a Justiça indeferiu pedidos feitos pelo Ministério Público, como a quebra de sigilos bancário e fiscal, o bloqueio de bens e outras medidas restritivas, por entender que não havia elementos que justificassem tais providências.

A defesa de Duilio Monteiro Alves reafirma sua confiança no Poder Judiciário e no devido processo legal, certos de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos ao longo da tramitação do processo.

Relembre o caso

Desde agosto de 2025, os ex-presidentes do Corinthians Duilio Monteiro Alves, Andrés Sanchez e Augusto Melo são investigado pelo Ministério Público por supostos gastos pessoais realizados com o cartão corporativo do clube. No caso de Duílio, a investigação aponta que as despesas ultrapassam R$ 40 mil e incluem compras em aeroportos, free shops, restaurantes, hotéis, entre outros.

Segundo o promotor responsável pelo caso, parte dessas despesas não teria relação com as atividades institucionais do Corinthians. O Ministério Público aponta que os gastos somam R$ 41.822,62, já atualizados pela inflação. Além da restituição desse montante, o órgão também pede que o ex-presidente seja condenado ao pagamento de R$ 31.366,96 a título de indenização por danos materiais ao clube.

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