- Por Larissa Beppler | Redação da Central do Timão
Augusto Melo, presidente afastado do Corinthians desde 26 de maio, foi oficialmente destituído do cargo neste sábado, 9, após referendo da assembleia geral de sócios realizado no Parque São Jorge. A decisão, homologada pelo Conselho Deliberativo (CD), sacramenta o impeachment e encerra um turbulento período de um ano e sete meses de mandato, marcado por denúncias, disputas internas e forte desgaste político.
A votação registrou a adesão de 2.037 associados, entre mais de 10 mil aptos a votar, dos quais 1.413 foram favoráveis à destituição e 620 contrários, o que corresponde a uma maioria percentual de 69,3%. Também foram registrados dois votos em branco e dois nulos. Durante a apuração, com a derrota já evidente e algumas urnas ainda a serem contabilizadas, o ex-presidente retirou-se discretamente pelo acesso lateral do ginásio, antes da conclusão da contagem.

Augusto Melo estava afastado da presidência desde 26 de maio, por decisão do CD, em decorrência do caso VaideBet, que motivou inquérito da Polícia Civil e ação penal do Ministério Público de São Paulo, na qual o ex-dirigente e outros dois ex-membros da gestão são réus pelos crimes de furto qualificado, associação criminosa e lavagem de dinheiro. As investigações apontam que o grupo teria desviado recursos do contrato de patrocínio firmado entre o Corinthians e a casa de apostas.
Com a destituição, o Conselho Deliberativo do Corinthians deverá convocar nos próximos dias uma eleição indireta para escolher o presidente que comandará o clube até o término do mandato, em 2026. Somente conselheiros trienais com dois mandatos concluídos e conselheiros vitalícios poderão concorrer e votar. Osmar Stabile, atual presidente em exercício, seguirá interinamente no cargo até a definição do pleito, cuja data ainda não foi anunciada, e desponta como principal candidato ao mandato-tampão.
Além de perder a presidência, Augusto Melo volta à condição de sócio comum e ainda corre o risco de ser expulso do clube. Ele responde por um episódio ocorrido em 31 de maio, quando, amparado por uma suposta decisão da 1ª Secretária do CD Maria Ângela Ocampos, tentou reassumir a presidência. A conduta do ex-mandatário e de seus aliados, que invadiram a sala presidencial na ocasião, está sob análise da Comissão de Ética e Disciplina dos Associados. Dois ex-dirigentes de sua gestão, Claudinei Alves, ex-diretor da base, e Valmir Costa, ex-secretário-geral, já foram suspensos liminarmente.
A crise política do Timão entra agora em uma nova fase, marcada pela missão de escolher a liderança que comandará o clube nos próximos dois anos. Parte da torcida teme que isso abra caminho para o retorno do grupo Renovação e Transparência, que esteve à frente do Corinthians nas últimas décadas. As três últimas gestões estão sob investigação do Ministério Público, e torcedores pressionam por uma reforma estatutária que impeça dirigentes que tenham lesado o clube de concorrer novamente. Também ganha força, entre parte da Fiel, o movimento que defende uma intervenção judicial no Corinthians.
O impeachment
O pedido de impeachment de Augusto Melo foi formalizado em agosto do ano passado, após a rescisão do contrato de patrocínio com a VaideBet. A casa de apostas acionou a cláusula anticorrupção, alegando danos à sua imagem devido à revelação de um esquema envolvendo uma empresa de fachada na intermediação do acordo. Com a ruptura, o Corinthians deixou de receber mais de R$ 300 milhões dos R$ 370 milhões previstos até 2026, o maior contrato do futebol brasileiro à época e o primeiro assinado por Augusto no exercício da presidência.
Cerca de 86 conselheiros assinaram o requerimento de destituição de Augusto Melo, que foi anexado ao processo disciplinar aberto pela Comissão de Ética e Disciplina. A medida foi recomendada pela Comissão de Justiça após uma investigação interna sobre o contrato de patrocínio e seus desdobramentos. Em 26 de maio, o Conselho Deliberativo se reuniu no Parque São Jorge para votar o impeachment, previamente admitido pelo órgão em votação realizada em 20 de janeiro. Dos 300 conselheiros, 236 compareceram à sessão, que resultou em 176 votos favoráveis e 57 contrários, culminando no afastamento imediato do então presidente.
Além desse processo, Augusto Melo também era alvo de outros pedidos de destituição, incluindo um que previa seu afastamento imediato e a inelegibilidade por gestão temerária, fundamentado na reprovação das contas de sua administração e amparado na Lei Geral do Esporte.
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