- Por Fabio Luigi / Redação da Central do Timão
O Corinthians está fora do Movimento dos Clubes Formadores do Brasil (MCFB) desde janeiro de 2025. Na ocasião, o Alvinegro foi expulso do grupo após ser acusado pelo diretor da base do Palmeiras, João Paulo Sampaio, de aliciar o atacante Pedro Morelli, que pertencia ao time da Barra Funda. Desta forma, o clube, desde então, vem perdendo atletas de suas categorias de base para, principalmente para o Alviverde, protagonista na exclusão do clube do Parque São Jorge do movimento, e deixando de disputar as principais competições mirins.
Em entrevista ao Boletim Corinthiano na última sexta-feira (30), o diretor estatutário da base do Corinthians, Carlos Roberto Aurrichio (Nenê do Posto), apresentou atualizações sobre o imbróglio e que vem, há alguns meses buscando diálogo com o Palmeiras, mas as tratativas estão travadas. Nenê assumiu o cargo em junho, já na gestão Osmar Stabile, para substituir Claudinei Alves – nomeado pelo presidente destituído Augusto Melo.

Nenê ainda comentou que sempre teve boa relação com João Paulo Sampaio e, na sequência, também explicou que Osmar Stabile assumiu a frente no caso e pediu para tratar diretamente com Leila Pereira, presidente do Palmeiras, para, enfim, resolver a situação. Porém, mesmo após uma reunião na Federação Paulista de Futebol (FPF), nenhuma definição foi tomada, já que o rival não apresentou uma resposta clara.
“Assumimos a base nesta gestão em junho e nos deparamos com o problema desse movimento que ocorreu na diretoria anterior. Sempre tive uma relação muito boa com o João (Paulo Sampaio); fomos diretores na mesma época, entre 2017 e 2020, e sempre nos ajudamos. Quando assumi, ele foi um dos primeiros a me ligar para parabenizar. Na ocasião, ele estava viajando para o Mundial de Clubes e combinamos de conversar na volta.”
“Relatei a situação ao presidente (Stabile), mas ele preferiu tratar o assunto diretamente com a Leila Pereira, acreditando que resolveriam entre presidentes. Acabei saindo do circuito, mas a reunião demorou a acontecer. Quando finalmente se reuniram na Federação Paulista, não houve um desfecho, pois o Palmeiras não se manifestou“, iniciou.
O diretor ainda acrescentou a família de Pedro Morelli, de 15 anos, e o próprio jogador deixaram claro que não gostariam de retornar ao Palmeiras. Mesmo após a chegada do executivo do departamento, Erasmo Damiani, em outubro, a situação segue parada. Além disso, Nenê ressaltou que o Corinthians é o maior interessado em encontrar um desfecho positivo e comentou que, nos próximos dias, terá uma nova conversa com João Paulo.
“Seguindo orientações, conversei com o jogador e seus pais. Eles foram enfáticos: não querem voltar ao Palmeiras de jeito nenhum, alegando insatisfação e problemas com empresários. Repassei isso ao presidente, mas a situação estagnou novamente com a chegada do (Erasmo) Damiani, que tentou intermediar sem sucesso. Agora, após a Copinha, resolvi retomar o contato direto. Liguei para o João Paulo, que me atendeu muito bem, mas ressaltou que, até então, eu não o havia procurado pessoalmente. Ele vai tirar alguns dias de licença em Salvador e combinamos de nos falar na próxima quarta-feira. Não cabe julgar quem tem razão, mas sim ser inteligente e humilde, pois o Corinthians é quem precisa resolver a situação. Acredito que dessa conversa sairá algo positivo para apresentar ao presidente”, acrescentou.
Confira abaixo outras respostas do diretor da base do Corinthians
Caso Kauê Furquim e relação estremecida com os agentes do atleta e com o próprio Bahia:
“O Corinthians acionou a Justiça contra o Bahia (por aliciamento). É muito fácil para um clube se encostar em uma empresa e usá-la para comprar jogadores; para esses grupos, como City ou Red Bull, a multa de duas mil vezes o salário é irrisória. Eu defendo que essa multa deveria ser muito maior para coibir esse tipo de prática. O caso do Furquim foi uma infelicidade e um oportunismo do Bahia. Durante um jogo no Parque São Jorge, representantes deles estavam na arquibancada, teoricamente para observar outro atleta, o Guilherme Amorim. O Amorim não foi bem naquele dia, mas o Furquim brilhou, fez um golaço e sofreu pênalti. Imediatamente após o jogo, fomos informados por familiares de outros atletas de que empresários ligados ao Bahia estavam aliciando os pais do Furquim ali mesmo na arquibancada.”
“Questionamos os empresários do atleta, que gerenciavam outros sete jogadores no clube, e eles negaram tudo. Confiamos na palavra deles e dos pais, que prometeram uma reunião para assinar o contrato profissional assim que o sócio principal da empresa voltasse de uma viagem à Inglaterra. No entanto, fomos enganados. Enquanto nos ignoravam, esperavam o Grupo City repassar o valor ao Bahia. Em uma quinta-feira, os R$ 14 milhões da multa caíram na conta sem aviso prévio. Esse episódio inflacionou toda a nossa base. Como resposta, proibimos os empresários dessa agência (Pro Manager Sports & Marketing) de pisarem no clube, embora ainda tenhamos atletas deles sob contrato. Negociamos diretamente com as famílias desses jogadores e, desde então, não tivemos mais problemas, exceto nos casos de atletas muito jovens, de 11 ou 12 anos, que ficam vulneráveis por estarmos fora do Movimento (de Clubes Formadores).”
Alojamento na base e conversas sobre construção de uma nova estrutura na base:
“Estamos acabando com o alojamento e iniciaremos a construção do nosso restaurante. Para concluir essa transição, precisamos primeiro garantir a alimentação dos garotos no local. Já temos a maquete do hotel que será construído no nosso CT; as obras começarão pelo restaurante e, em seguida, iniciaremos os dois blocos do hotel, que contarão com cerca de 60 apartamentos. Já existe uma negociação em andamento com uma empresa interessada no patrocínio, e a expectativa é que o hotel saia ainda este ano. Enquanto as obras não são concluídas, ofereceremos uma ajuda de custo para que os meninos que hoje estão alojados possam alugar apartamentos próximos ao clube. Como isso envolve questões financeiras e de marketing, o presidente está à frente das negociações, e acredito que o cronograma será cumprido.”
“Tenho batido nessa tecla há muito tempo e continuo fazendo isso. É claro que tudo precisa ser bem planejado e acoplado: assim que saírem do alojamento atual, já devem ter a estrutura do hotel disponível. Não vamos simplesmente acabar com o alojamento e deixá-los sem lugar para ficar. Estou repassando o que o setor de marketing e a presidência me informam sobre o andamento do projeto.”
Chegada de novos profissionais na base: Guilherme Nascimento (Sub-17), Gabriel Amaral (auxiliar Sub-17), Douglas Pilar (Sub-16), João Paulo Di Fábio (auxiliar Sub-20) e Crise Leison Santos (coordenador de mercado):
“Por exemplo, o Di Fabio (novo auxiliar do Sub-20): eu já trabalhei com ele, nós o trouxemos para a base em 2018, e agora ele será auxiliar do William Batista. Ou seja, são profissionais de qualidade, que acredito que só vão elevar o nível das categorias neste ano.”
Integração com o profissional e conversas com Marcelo Paz, executivo do profissional:
“A relação é boa. Já tínhamos uma ótima relação com o Fabinho Soldado, tanto que estávamos sempre enviando atletas para o profissional. Alguns iam e não voltavam, como aconteceu com vários que estão lá hoje. Agora, inclusive, já há mais três jogadores treinando junto com eles. Ainda não tive conversas com ele (Marcelo Paz). Acho até que já deveria ter tido, mas, até agora, não aconteceu, e eu não o conheço pessoalmente. Claro que conheço o trabalho dele. Quando soube que seria o Marcelo Paz o executivo do profissional, aprovei de imediato. Eu gostava muito do Fabinho Soldado, mas o Paz também é muito bom.”
“As coisas acontecem, mas a integração está sendo feita. Pode não estar sendo feita diretamente comigo, até agora, mas está acontecendo com o Damiani e com o presidente. Para mim, isso está bom. O que eu quero é ver o Corinthians bem.”
Reforços para base após transferban da Fifa:
“O que precisamos agora é aproveitar que voltamos a poder contratar e registrar atletas, porque ficamos cerca de quatro ou cinco meses sem poder registrar ninguém desde que eu cheguei. Agora estamos iniciando as captações e suprindo as carências, para oferecer a esses profissionais que chegaram um grupo melhor do que o do ano passado.”
Negociação frustrada de João Pedro Tchoca com o futebool italiano. O defensor chegou para a base corinthiana em 2019 vindo do Desportivo Brasil, quando Nenê, na época, também era diretor do departamento:
“Ele veio com 16 anos para o Sub-17 e, pela estatura e pela técnica, apostamos nele. Nos primeiros seis meses no Sub-17, ele teve uma contusão no joelho, mas nada que o afastasse por um ano. Foi uma lesão comum, que acontece com qualquer atleta. Ele tratou, voltou normalmente, seguiu jogando e, no ano seguinte, subiu para o Sub-20, sempre atuando um ano acima da categoria, pelo porte físico. Ou seja, desde 2019, quando chegou e teve apenas aquela contusão, até hoje, eu sempre vi o João Pedro jogando. Por isso, fiquei realmente surpreso com esses exames recentes. Durante todo esse tempo, em todo início de temporada e pré-temporada, são feitos exames. Quando ele foi emprestado ao Ceará, todos os exames foram realizados e nada apareceu. Ele jogou partidas do Campeonato Paulista recentemente e não sentiu nada.”
“O que eu acredito, e quero crer, é que nesses exames mais aprofundados feitos agora possa ter aparecido alguma alteração que ele nem esteja sentindo. Isso pode ter gerado preocupação por parte deles, que estão investindo. Só pode ser isso. Eu tive um caso parecido com o Gustavo Mantuan que teve três lesões de ligamento cruzado anterior jogando conosco: duas pelo clube e uma pela Seleção. Ele estava comigo na base, foi negociado com o Zenit, fez todos os exames, obviamente apareceram essas cirurgias na ressonância, e ele segue jogando normalmente.”
Estrutura de fisiologia na base do Corinthians e trabalhos diários com os atletas:
“A nossa fisiologia e o nosso departamento médico são de primeiro mundo. Na base, ele nunca foi infiltrado. Aliás, nós não infiltramos nenhum jogador da base, porque não estamos lá para ganhar campeonato estourando atleta. No profissional, eu sei que isso acontece, eu já fui diretor do profissional duas vezes e acompanhava de perto. Em um jogo decisivo, como uma final, se um jogador importante precisar de infiltração para jogar, ele vai tomar. O por exemplo, tomou várias no Campeonato Paulista passado.”
“Por isso eu fico abismado. Como agora vai aparecer algo dizendo que ele não está aguentando, se no Ceará ele não teve nada? Ele está há quase três anos no profissional, jogando. Só não é titular hoje por opção do treinador, que voltou com o André Ramalho. Lesão, eu não tenho visto. Claro que não estou no dia a dia do profissional para afirmar com absoluta certeza, mas na base, não. Na base, nós não infiltramos e nem podemos fazer algo desse tipo.”
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