- Por Larissa Beppler | Redação da Central do Timão
O Corinthians concluiu um acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para regularizar débitos federais acumulados ao longo de quase duas décadas. A dívida, originalmente estimada em cerca de R$ 1,2 bilhão, foi renegociada para aproximadamente R$ 679 milhões, após a concessão de desconto de 46,6% sobre juros, multas e encargos legais. A informação, inicialmente divulgada pelo SBT News, foi confirmada pela Fazenda Nacional em nota oficial.
O montante engloba tributos não previdenciários, contribuições previdenciárias e débitos relacionados ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), todos de competência federal. A negociação não abrange tributos municipais, cuja dívida foi renegociada pelo clube em acordo específico concluído em 2024.

Pelo acordo, os débitos não previdenciários serão quitados em até 120 parcelas mensais, enquanto as obrigações previdenciárias terão prazo de 60 meses. Já os créditos vinculados à contribuição social prevista na Lei Complementar nº 110/2001 serão pagos à vista, com desconto de 70%. No caso do FGTS, o Corinthians aderiu à modalidade oferecida pela Caixa Econômica Federal, que prevê abatimento superior a 30% e parcelamento em até 60 vezes.
Como contrapartida ao parcelamento e aos benefícios concedidos, o clube apresentou garantias que só poderão ser acionadas em caso de descumprimento do acordo. Entre elas estão valores oriundos da Timemania, programa federal de loteria vinculado ao financiamento do esporte, e o Parque São Jorge, sede social do Corinthians, avaliado em cerca de R$ 602 milhões.
A transação também impõe ao clube a obrigação de manter plena regularidade fiscal a partir de agora, condição que será acompanhada pela PGFN ao longo de toda a vigência do acordo. O cumprimento dessa exigência ganha peso adicional diante das novas regras de fair play financeiro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que passaram a incluir a inadimplência tributária como fator de punição esportiva. O descumprimento pode resultar em sanções progressivas, como restrições para registro de atletas, perda de pontos e até rebaixamento de divisão.
A conclusão da negociação não foi uma surpresa nos bastidores do Parque São Jorge. A estratégia de equalização do passivo federal já havia sido apresentada anteriormente no contexto da discussão orçamentária do clube, no final do último exercício. Conforme os dados expostos à época, mesmo após a transação com a União, o endividamento global do Corinthians deve permanecer estimado na casa de R$ 2,6 bilhões, considerando obrigações fiscais, financeiras e operacionais.
Com a formalização do acordo, o Corinthians afasta, ao menos no curto e médio prazo, riscos institucionais e esportivos decorrentes da inadimplência fiscal e passa a operar sob um cronograma definido para a amortização de seu passivo junto à União.
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