Conselho do Corinthians encaminha Andrés Sanchez à Ética e cobra ressarcimento

  • Por Henrique Vigliotti e Larissa Beppler | Redação da Central do Timão

O Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians decidiu acolher o relatório parcial da Comissão de Justiça que apura o uso do cartão corporativo do clube pelo ex-presidente Andrés Navarro Sanchez. A decisão, à qual a Central do Timão teve acesso, foi formalizada em despacho assinado pelo presidente do órgão Romeu Tuma Junior, nesta terça-feira (27), e determina a abertura de um procedimento ético-disciplinar, além de estabelecer uma série de medidas administrativas relacionadas ao caso.

O relatório analisado trata especificamente do período entre 2018 e 2020, correspondente ao segundo mandato do ex-presidente à frente do clube, e concluiu, em sede administrativa, pela caracterização de uso indevido do cartão corporativo para custeio de despesas de natureza pessoal, sem vínculo com o interesse institucional do clube, além da ausência de comprovação idônea e de adequada prestação de contas. A Comissão de Justiça também classificou a conduta como gestão irregular e temerária, indicando possível prejuízo material, moral e reputacional ao clube.

O despacho do Conselho Deliberativo ressalta que cabe à Comissão de Ética e Disciplina a análise definitiva do mérito, assegurando ao ex-presidente o contraditório e a ampla defesa. O texto destaca que o processo deve tramitar com a máxima celeridade possível, nos termos do Estatuto, justamente para evitar nulidades e garantir segurança jurídica à decisão final.

Entre as determinações práticas, o Conselho estabeleceu que a diretoria financeira, atualmente comandada por Emerson Piovezan, deverá, no prazo de dez dias, apontar quais despesas realizadas por Andrés Sanchez não guardam relação com o Corinthians, bem como os respectivos valores atualizados. Confirmados os gastos indevidos, o ex-presidente deverá ressarcir o clube, com a devida comprovação documental nos autos.

Além disso, a diretoria executiva, presidida por Osmar Stabile, terá o prazo de cinco dias para informar quais medidas já foram adotadas a fim de evitar a repetição de situações semelhantes, especialmente no que se refere à regulamentação do uso do cartão de crédito corporativo. O despacho relembra que o tema já havia sido tratado pelo CD, pelos órgãos internos e pelo compliance do clube em agosto do ano passado, ocasião em que houve a suspensão cautelar desse instrumento de despesa. Caso não exista regulamentação formal, o clube terá prazo improrrogável de dez dias para implementá-la, com comunicação ao Conselho Deliberativo, ao Conselho de Orientação (Cori) e ao Conselho Fiscal.

O documento também registra pontos considerados relevantes para a análise do caso. Entre eles, o fato de que, à época dos acontecimentos, órgãos de fiscalização como o Conselho Fiscal, o Cori e a auditoria externa não apontaram irregularidades no uso do cartão corporativo. Ainda assim, o próprio despacho observa que esses órgãos não realizavam fiscalização detalhada das despesas, confiando nas informações prestadas pela diretoria financeira.

Outro aspecto destacado é que, até o momento, nenhuma diretoria executiva, especialmente a financeira, se manifestou formalmente como representante legal do clube para que o Corinthians se declarasse vítima dos fatos apurados. Segundo o despacho, essa circunstância pode favorecer o interessado, sobretudo considerando que os acontecimentos remontam a cerca de seis anos.

Por fim, o Conselho Deliberativo determinou que seja aberto um novo processo administrativo para acompanhamento específico do procedimento ético-disciplinar. Andrés Sanchez, que já havia solicitado por escrito seu afastamento do CD e do Cori, permanecerá afastado cautelarmente enquanto durar a apuração, sendo convocado apenas para audiências necessárias ao exercício de sua defesa e ao julgamento do caso.

Procurado pela reportagem da Central do Timão para comentar a decisão, o ex-presidente informou que se manifestará apenas nos autos do processo.

Relembre o caso:

A investigação sobre o uso irregular do cartão corporativo do Corinthians começou após denúncias feitas por torcedores, com base em faturas vazadas por uma conta paródia na rede social X. Um dos documentos foi confirmado como verdadeiro por Andrés Sanchez, que à época declarou ter reembolsado o clube pelos gastos.

Em julho de 2025, o Ministério Público de São Paulo abriu um procedimento investigatório criminal para apurar o uso irregular do cartão corporativo durante as gestões dos ex-presidentes Andrés Sanchez (2018-2020) e Duilio Monteiro Alves (2021-2023). Dias depois, o órgão passou a investigar também o relatório de despesas da presidência de outubro de 2023. Posteriormente, a apuração foi ampliada para incluir as faturas dos cartões corporativos emitidas durante a gestão do presidente destituído Augusto Melo, de janeiro de 2024 a maio de 2025.

Andrés Sanchez e Roberto Gavioli foram denunciados pelo MP-SP em outubro do ano passado. O ex-presidente é acusado dos crimes de apropriação indébita, lavagem de dinheiro e falsidade de documento tributário, enquanto o ex-gerente financeiro responde pelas acusações de apropriação indébita e lavagem de dinheiro. As denúncias envolvem mais de 200 despesas distribuídas em 31 faturas, realizadas entre agosto de 2018 e fevereiro de 2021, e incluem pedido de ressarcimento aos cofres do Corinthians superior a R$ 480 mil, a título de danos materiais.

A ação judicial que analisa a denúncia do Ministério Público contra o ex-presidente e o ex-gerente financeiro encontra-se suspensa após a juíza responsável pelo caso acolher um pedido de suspeição apresentado pelo MP. O processo foi encaminhado à Câmara Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que irá avaliar o pedido e decidir se a magistrada permanece ou não à frente da ação.

Paralelamente à investigação conduzida pelo MP-SP, o ex-presidente passou a ser alvo de apuração interna pela Comissão de Justiça do clube, que concluiu seus trabalhos no último dia 19 de janeiro. Cabe destacar que os outros dois ex-presidentes investigados, Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo, ainda serão ouvidos pela Comissão de Justiça do Corinthians.

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