Conselheiros protocolam pedido de impeachment contra presidente do Corinthians e apontam gestão temerária

  • Por Larissa Beppler | Redação da Central do Timão

Um grupo de conselheiros e associados do Corinthians formalizou, nesta quarta-feira (15), um pedido de impeachment contra o presidente Osmar Stabile, alegando uma série de violações estatutárias e legais que, segundo os autores, comprometem a integridade institucional, a transparência administrativa e a saúde financeira do clube.

O documento, ao qual a Central do Timão teve acesso e que foi encaminhado ao Conselho Deliberativo, sustenta que a atual gestão incorre em práticas classificadas como irregulares e temerárias, com base no Estatuto do clube, na Lei Geral do Esporte e em dispositivos do Código Civil. Entre os principais pontos levantados, destacam-se a utilização de patrimônio como garantia em operação financeira sem respaldo estatutário, falhas de transparência, omissões administrativas e indícios de má gestão de recursos.

Uso do Parque São Jorge como garantia é ponto central

O principal eixo do pedido está relacionado à transação tributária firmada pelo clube com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), destinada à renegociação de uma dívida estimada em R$ 1,2 bilhão. O acordo reduziu o passivo para cerca de R$ 679 milhões, com pagamento parcelado ao longo de até dez anos.

Como garantia da operação, a diretoria incluiu receitas da Timemania e o complexo do Parque São Jorge, avaliado em mais de R$ 600 milhões. Segundo os autores do impeachment, a oneração do principal patrimônio do clube ocorreu sem a observância das exigências estatutárias, que preveem convocação específica do Conselho Deliberativo, quórum mínimo e aprovação qualificada para esse tipo de medida.

O documento afirma que a ausência desses procedimentos configura violação direta ao Estatuto e cria risco patrimonial relevante, uma vez que, em caso de inadimplência, o bem pode ser executado judicialmente. Os conselheiros classificam a decisão como um ato de “gestão temerária”, com potencial de comprometer um dos ativos mais simbólicos do clube.

Alegações de falta de transparência e descumprimento legal

Outro ponto da denúncia diz respeito à suposta falta de transparência da gestão. O texto aponta que a diretoria tem ignorado reiteradamente requerimentos formais de conselheiros e associados sobre temas sensíveis, como manutenção da Neo Química Arena, estrutura administrativa, contratos e políticas internas.

Entre os pedidos sem resposta, são citados questionamentos sobre a deterioração da arena por falhas de manutenção, a substituição da administradora de fundo imobiliário ligado ao estádio, a existência de “funcionários fantasmas”, critérios de distribuição de ingressos, contratação de empresa de segurança armada e o uso de dados no Censo do Timão. A ausência de respostas a esses questionamentos também motivou, há algumas semanas, um ofício do presidente licenciado do Conselho Deliberativo do Corinthians Romeu Tuma Júnior, conforme revelou a Central do Timão.

Para os autores, a omissão em prestar esclarecimentos viola princípios de governança e dispositivos da Lei Geral do Esporte que exigem transparência ativa e prestação de contas por parte dos dirigentes do clube.

O pedido também menciona declarações públicas do próprio presidente reconhecendo a existência de funcionários que recebiam sem exercer funções efetivas. Segundo o documento, a admissão reforça indícios de ineficiência administrativa e possível desvio de recursos, caracterizando má gestão financeira. Os conselheiros argumentam que a manutenção de uma estrutura inflada afeta diretamente o equilíbrio financeiro do clube e compromete investimentos em áreas essenciais.

Outro fundamento apresentado é o descumprimento de prazos legais para publicação das demonstrações financeiras. De acordo com o pedido, o clube não tem divulgado seus balanços dentro do período previsto, o que impede a fiscalização pelos associados e contraria normas aplicáveis por analogia à Lei das Sociedades Anônimas, além de ferir a Lei Geral do Esporte.

A ausência de informações contábeis atualizadas, segundo o documento, gera insegurança, dificulta a tomada de decisões e fragiliza a credibilidade institucional.

Os autores sustentam que os atos atribuídos ao presidente se enquadram como gestão irregular ou temerária, nos termos da legislação esportiva, podendo implicar responsabilidade pessoal e ilimitada do dirigente. O texto também menciona a possibilidade de responsabilização solidária de outros membros da administração por omissão no dever de fiscalização.

Pedidos apresentados ao Conselho Deliberativo

Diante dos fatos, os conselheiros e associados requerem a instauração imediata do processo de impeachment, o afastamento cautelar do presidente, “a fim de garantir a lisura do processo de apuração e evitar a continuidade de atos lesivos ao clube”, bem como a apuração rigorosa das irregularidades apontadas e a aplicação das sanções previstas no Estatuto Social e na legislação vigente, assegurado o pleno direito à defesa.

Na avaliação dos signatários, Marcelo Kahan Mandel, Antonio Roque Citadini, Fernando Perino, Yun Ki Lee, Peterson Ruan Aiello do Couto Ramos, José Augusto Mendes, Alexandre Germano, Cyrillo Cavalheiro Neto e Wilson Canhedo Jr., as condutas atribuídas à atual gestão representam ruptura com princípios fundamentais de legalidade, transparência e responsabilidade administrativa. O pedido de impeachment, segundo o grupo, busca preservar o patrimônio, a governança e a credibilidade do Corinthians diante de um quadro considerado crítico para o clube. Procurado, o presidente Osmar Stabile afirmou que só irá se manifestar quando for formalmente notificado.

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