O Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians realizou, na noite desta quinta-feira (18), no Parque São Jorge, a quarta audiência pública de reforma estatutária do clube. A sessão discutiu os capítulos e dispositivos que tratam dos fundamentos institucionais do estatuto, com ênfase na definição, funcionamento e relação entre os poderes internos, e as regras da Assembleia Geral (AG).
O encontro foi o de menor público até aqui e reuniu cerca de 30 pessoas, entre conselheiros, associados e representantes da imprensa, no teatro do clube.

Comissão de Ética e Integridade abre os debates
A primeira manifestação da noite coube ao Coletivo Voz Corinthiana, que apresentou parecer em defesa da criação de uma Comissão de Ética e Integridade com a participação de membros independentes. O grupo respondeu a questionamentos levantados na audiência inaugural, quando se alegou possível ilegalidade na presença de integrantes externos.
Para embasar a posição, o coletivo citou o artigo 217 da Constituição, dispositivos do Código Civil e legislações esportivas, afirmando não haver impedimento jurídico. Também mencionou o modelo do Comitê Olímpico do Brasil, cuja comissão de ética passou a contar com membros independentes após uma crise administrativa.
Traçando um paralelo com o momento vivido pelo Corinthians, o coletivo defendeu que a adoção de auditores externos fortaleceria a governança do clube e questionou a resistência a esse formato, lembrando que, na vida civil, decisões relevantes são frequentemente submetidas à análise de terceiros, como por exemplo juízes.
Divergências sobre escolha e formação dos membros
Em aparte, o conselheiro Felipe Ezabella ponderou que, no COB, os membros externos passam por crivo eleitoral, enquanto o anteprojeto corinthiano prevê contratação, defendendo que, no clube, esses integrantes também sejam eleitos.
O Coletivo Voz Corinthiana, por sua vez, sustentou a exigência de formação jurídica para integrar a Comissão de Ética, considerando a complexidade legal do estatuto. Avaliou-se, ainda, a alternativa de permitir integrantes sem formação específica, desde que assistidos por assessoria jurídica, hipótese que o coletivo considerou menos adequada do que exigir a formação desde a origem.
Assembleia Geral e sistema eleitoral
Sobre a participação dos associados na Assembleia Geral, o coletivo propôs reduzir a carência de cinco para dois anos e extinguir anistias para fins de voto. Em relação às eleições, defendeu candidaturas individuais e sistema proporcional para o Conselho Deliberativo, com distribuição de cadeiras conforme o total de votos, e eleição presidencial em dois turnos.
Na sequência, Ezabella solicitou a retirada do artigo 46, §2º, do anteprojeto, que prevê a eleição da Mesa Diretora do CD imediatamente após a posse dos conselheiros, alegando inviabilidade prática de realizar a primeira reunião logo no início do ano. O presidente do CD Romeu Tuma Júnior fez aparte apontando entraves políticos decorrentes do calendário atual. Como alternativa, Ezabella sugeriu a realização da primeira reunião na segunda quinzena de dezembro ou de janeiro. O conselheiro Ubiratan Mendonça Júnior lembrou proposta anterior para que o encontro ocorresse na primeira segunda-feira do ano.
Ezabella também abordou regras eleitorais, como a exigência de publicação do edital em três jornais, o regimento eleitoral permanente – que, segundo Tuma, está em elaboração para votação separada -, o voto remoto e a cota de 20% para mulheres no CD. Ele considerou a redação vaga e alertou que, caso não avance a proposta de voto para dependentes (sócios 01), a cota se tornaria inviável. Sugeriu, então, uma implantação progressiva: 10%, 15% e, por fim, 20%.
A conselheira Claudia Oliveira afirmou que, diferentemente do passado, hoje há interesse feminino em concorrer ao CD. Admitiu que 20% pode ser elevado para 2026, mas avaliou o percentual como factível em pleitos seguintes. Já Vinícius Cascone, ex-diretor jurídico do clube, questionou se o voto do cônjuge teria custo adicional. Tuma respondeu que o direito estaria garantido pelo título familiar.
Vitalícios, carências e regras de transição
Felipe Ezabella criticou a vinculação programática e a infidelidade programática previstas no anteprojeto, defendendo a exclusão do mecanismo por gerar quebra de isonomia com conselheiros vitalícios. Cascone, por sua vez, sugeriu retirar o gatilho de preservação de funcionários parentes de dirigentes e conselheiros com mais de três anos no clube, reduzir a carência para participação na AG para dois anos e permitir parcelamento de débitos a associados inadimplentes – com renúncia ao voto no ciclo eleitoral.
Houve ainda debate sobre os associados dependentes: o conselheiro Rodrigo Gonzalez sugeriu que pudessem optar por se tornar associados mediante mensalidade; Fábio Luiz da Silva alertou para o risco de evasão caso se exija pagamento de título para virar titular. Vinícius Cascone criticou suposta diferença de tratamento entre vitalícios e eleitos e retomou a proposta do Coletivo de extinguir vitalícios ou declarar vacância de cadeiras de conselheiros ausentes.
O ex-diretor financeiro Rozallah Santoro defendeu a vedação à contratação de parentes, citando caso familiar, mas ponderou sobre a perda de quadros qualificados. Concordou com três anos de carência para votar e cinco para ser votado, e avaliou como positiva a criação de uma comissão de transição, ressaltando que sua eficácia depende mais das pessoas do que do texto estatutário. Lembrou, ainda, dificuldades vividas por falta de ciência da nova diretoria sobre contratos firmados pela gestão anterior.
Baixa adesão e críticas à transparência
O conselheiro Peterson Ruan Aiello do Couto Ramos voltou a criticar a baixa adesão às audiências e retomou proposta apresentada por Tuma na Neo Química Arena para que o CD deixe de nomear vitalícios. Defendeu a abertura de 50 cadeiras no Conselho, retiradas dos trienais e eleitas entre sócios do Fiel Torcedor, medida que, segundo ele, ampliaria a participação feminina. Criticou a ausência de transmissão das audiências, classificando o processo como uma “reforma de faz de conta”.
Em resposta, Tuma afirmou que o CD solicitou a transmissão em diversas ocasiões e explicou que o anteprojeto prevê orçamento próprio justamente para garantir autonomia ao órgão. Pediu cautela ao generalizar críticas aos vitalícios, lembrando que o episódio de 31 de maio envolveu conselheiros trienais. Disse, ainda, que muito conselheiro trienal diz que é contra a existência dos vitalícios, mas dentro do CD pede voto para ser eleito vitalício. E que os ausentes nas audiências são tanto trienais quanto vitalícios.
Ilmar Schiavenato defendeu os vitalícios, alegando mérito na eleição e criticando trienais eleitos apenas por integrarem chapas. Peterson rebateu, classificando o critério de mérito como ultrapassado.
Episódio de 31 de maio
O tema voltou ao debate quando Rodrigo Gonzalez afirmou ter “ouvido dizer” que a 1ª secretária do CD Maria Ângela Ocampos teria relatado orientação do ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo – que atuou na defesa de Augusto Melo no processo de impeachment – a participar do ato de 31 de maio, quando aliados do então presidente afastado invadiram a sala da presidência para reconduzi-lo ao cargo.
Tuma disse achar a informação “interessante” e afirmou querer entender por que Maria Ângela mantém ação judicial contra ele e outras pessoas do clube, caso tenha sido coagida. A conselheira não estava presente e não se manifestou.
Próxima audiência
A próxima audiência pública está marcada para 21 de janeiro de 2026 e tratará dos sistemas de eleição do Conselho Deliberativo, regras de votação, voto online e regulamentos. Interessados devem se inscrever previamente pelo e-mail estatuto@sccorinthians.com.br, até três horas antes do início da sessão.
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