- Por Mirella Ramos / Redação da Central do Timão
Responsável pela equipe Sub-13 do Corinthians desde 2024, Herlon Silva integra o processo de reestruturação das categorias de base do clube, que tem como objetivo ampliar o desenvolvimento técnico e humano dos jovens atletas.
Em entrevista à Corinthians TV, o treinador relembrou o início de sua relação com o futebol e explicou a decisão de seguir carreira fora das quatro linhas ainda na adolescência. “Como toda criança, todo menino que gosta de futebol, realmente eu tentei ser jogador. Atuei em algumas categorias de base de alguns clubes, mas, aos 16 anos, percebi que não seria um protagonista dentro de campo. Tive uma consciência até madura para a idade e resolvi estudar, pensando em entrar no futebol de uma outra maneira”, afirmou.

A partir dessa escolha, Herlon construiu sua formação acadêmica e acumulou experiências no futsal e no futebol, incluindo contato com metodologias internacionais. O treinador destacou a importância desse processo na construção de sua carreira.
“Enquanto cursava a faculdade de Educação Física, já atuava em um clube social como treinador de futsal de diversas categorias; fui treinador desde crianças até adultos. Passei muito tempo lá e, depois, ingressei no futsal federado. O pontapé inicial dentro do futebol de campo foi em um curso de treinadores do Barcelona e, nesse curso, fui selecionado para fazer parte do quadro de profissionais da escola do clube aqui em São Paulo”, relembrou.
“Tive a possibilidade de ir até a Espanha fazer alguns cursos e ter uma vivência do que era o clube. Por coincidência, o nosso coordenador da escola na época fundou um clube que hoje é federado, chamado Referência. Comecei a fazer parte do projeto e passei por todas as categorias. Quando eu estava no Sub-17, recebi o convite do Corinthians para atuar na categoria Sub-13. Desde maio de 2024, estou aqui no clube”, completou.
No dia a dia com os atletas, Herlon enfatiza a importância da autonomia dentro de campo e da tomada de decisão como parte essencial da formação.
“O futebol é um jogo vivo e, por isso, não existe uma receita de bolo; as ações são totalmente circunstanciais. No futsal, o fato de o atleta tocar na bola o tempo todo faz com que ele se mantenha mais ativo e aprimore a tomada de decisão. Nossa proposta no futebol é garantir que os jogadores tenham autonomia para jogar. Através dos estímulos de treinamento, buscamos fazer com que eles sejam autônomos para tomar as melhores decisões durante as partidas”, explicou.
O treinador também destacou as mudanças no perfil dos atletas ao longo dos anos, principalmente com o acesso facilitado à informação.
“A grande diferença reside na questão da informação. Na época em que eu era adolescente, não tínhamos esse acesso à internet nem tanta informação disponível. O futebol vem mudando a cada década e a atualidade mostra bem essa evolução. Antigamente, a ideia era focada em uma questão mais tecnicista, se compararmos com o que vivemos hoje. Atualmente, embora a técnica ainda seja importante, vemos uma ênfase muito maior na tomada de decisão e na compreensão tática do jogo”, comparou.
Além dos aspectos técnicos, Herlon reforçou a importância do desenvolvimento humano dos jogadores durante o processo de formação.
“É fundamental que, como treinador, eu não foque apenas nas questões técnicas, táticas e físicas que envolvem o futebol, mas também no lado humano. Sempre transmito aos atletas que ninguém atinge 100% de desempenho todos os dias; existem dias bons e ruins. Nossa ideia é trazer tranquilidade a eles, pois, se estão no Corinthians, é porque possuem potencial”, destacou.
O trabalho psicológico também é tratado como parte essencial dentro do clube, segundo o treinador.
“Trabalhamos a questão mental em conjunto com o Departamento de Psicologia para que tenham discernimento e leveza para jogar e fazer o que amam. Embora exista a pressão natural pela busca do sonho, acredito que, na vida, a tendência de realizarmos algo bem-feito é muito maior quando o fazemos com prazer”, disse.
Para Herlon, o futebol desempenha papel importante na formação de cidadãos, indo além do desempenho esportivo.
“O futebol não é apenas um esporte; é uma poderosa ferramenta de educação e socialização. Minha maior gratidão é ver atletas autônomos em suas tomadas de decisão dentro de campo. Não há nada mais gratificante do que observar uma equipe performando bem sem a necessidade de intervenção constante do treinador”, afirmou.
Pensando na sequência da temporada, o treinador projetou uma equipe alinhada com a identidade do clube.
“O que pretendo mostrar é um time extremamente competitivo, com intensidade e protagonismo. Nossa camisa é gigante; somos o maior do Brasil. Por isso, garra e entrega são inegociáveis. Buscamos não apenas resultados esportivos, mas o crescimento integral do atleta”, declarou.
Por fim, Herlon convidou a torcida a acompanhar de perto o trabalho das categorias de base.
“Convido todos vocês a nos acompanharem neste Campeonato Paulista. Esperamos vocês no Parque São Jorge para nos apoiar e torcer por nós”, finalizou.
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