- Por Henrique Vigliotti e Mirella Ramos / Redação da Central do Timão
Um grupo de conselheiros e associados do Corinthians protocolou, nesta sexta-feira (17), um requerimento solicitando a abertura de procedimento ético-disciplinar contra o diretor jurídico do clube Pedro Luis Soares e o diretor jurídico adjunto William Tapara de Oliveira. O documento foi encaminhado ao presidente em exercício do Conselho Deliberativo do Corinthians Leonardo Pantaleão.
A Central do Timão teve acesso ao requerimento, que aponta suposta omissão e negligência dos dois dirigentes jurídicos em relação à oneração do Parque São Jorge como garantia real na transação tributária firmada entre o Corinthians e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), em 2 de janeiro de 2026.

Segundo o documento, a sede social e patrimônio histórico do clube foi dada como garantia no valor de R$ 602,2 milhões sem a observância das formalidades previstas no estatuto alvinegro. Os signatários citam o artigo 3º, parágrafo único, que exige, para a alienação ou oneração de bens imóveis, a realização de reunião especial do Conselho Deliberativo, com quórum mínimo de metade dos conselheiros e aprovação de dois terços dos presentes.
No requerimento, os conselheiros e associados afirmam que não houve convocação dessa reunião especial nem cumprimento dos quóruns exigidos. Por isso, sustentam que a oneração do Parque São Jorge seria, em tese, irregular sob a ótica da governança interna do clube.
O grupo também argumenta que os diretores jurídicos teriam o dever de orientar a presidência e os demais integrantes da gestão sobre a necessidade de observância do rito estatutário antes da celebração da transação tributária. Na avaliação dos autores do pedido, a eventual falta dessa orientação pode configurar negligência no exercício das funções.
Em outro trecho, o requerimento afirma que a atuação do diretor jurídico e de seu adjunto deveria assegurar a conformidade legal e estatutária dos atos praticados pelo clube, especialmente em situações que envolvem patrimônio imobiliário. Os signatários sustentam que, ainda que não detenham poder decisório final, os responsáveis pela área jurídica teriam o dever de apontar os riscos e registrar a necessidade de submissão prévia da matéria ao Conselho Deliberativo.
O grupo também menciona a Lei Geral do Esporte, citando os artigos 64, 66 e 67 para fundamentar a possibilidade de apuração de responsabilidade de dirigentes por atos de gestão irregular ou temerária, bem como por omissão no cumprimento dos deveres de diligência, lealdade e informação.
O requerimento é assinado pelos conselheiros Marcelo Kahan Mandel, Antonio Roque Citadini, Fernando Perino, Yun Ki Lee, Peterson Ruan Aiello do Couto Ramos, Edson Di Cresce, José Augusto Mendes e Alexandre Germano, além dos associados Cyrillo Cavalheiro Neto, Wilson Canhedo Jr., Wanda Aparecida Garcia La Selva, Vinicius Santos de Souza, Felipe José Mendes da Silva e Mauricio Felberg.
Parte dos signatários deste requerimento também subscreveu o pedido de impeachment do presidente Osmar Stabile. A oneração do Parque São Jorge, inclusive, é um dos pontos citados na solicitação de destituição do mandatário.
O que o grupo pede
Ao final do documento, os requerentes solicitam a abertura imediata de procedimento ético-disciplinar contra Pedro Luis Soares e William Tapara de Oliveira. Também pedem a realização de investigação completa sobre as circunstâncias da oneração do Parque São Jorge, a apuração individual de eventual responsabilidade dos dois dirigentes jurídicos, a aplicação das sanções cabíveis em caso de comprovação e a adoção de medidas corretivas para evitar novos episódios semelhantes em futuros atos de alienação ou oneração de bens imóveis do clube.
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