Executivo do Corinthians comenta reestruturação na base, conversa com presidente e enaltece potencial de Iago Machado

  • Por Fabio Luigi / Redação da Central do Timão

Na manhã da última segunda-feira (8), o executivo de futebol das categorias de base do Corinthians, Erasmo Damiano, concedeu entrevista ao programa Entre Linhas, do portal Meu Timão, e foi questionado sobre alguns temas importantes que vem cercando o departamento nos últimos meses. O profissional foi contratado pelo Alvinegro em meados de outubro para substituir Alex Brasil, que ocupava a mesma função e acabou sendo demitido.

Ao longo da entrevista, Erasmo Damiani destacou o potencial do zagueiro Iago Machado (2009), que já é titular da equipe Sub-20 e vem treinando com o elenco profissional. Além disso, também falou sobre a dificuldade dos clubes em terem posse dos 100% dos direitos econômicos do jovens atletas, citando como exemplo o caso do volante André Luiz. O Filho do Terrão chegou a receber uma oferta do Milan, mas o Alvinegro recuou na negociação por entender que o valor era abaixo e ter somente 70% do passe do jogador. O dirigente, por fim, detalhou o processo de reestruturação na base do clube e um alinhamento com o presidente Osmar Stabile sobre ajustes que entendia serem necessários.

Confira abaixo as respostas do executivo ao longo da entrevista:

Potencial de jovens das categorias de base do Corinthians

“Não gosto de falar individualmente de atletas, porque há muitos jogadores nas categorias e o futebol muda rápido. Às vezes, destacamos um nome e, pouco tempo depois, outro atleta evolui e ganha espaço. De forma geral, o Corinthians tem jogadores em várias categorias com bom potencial para performar a médio e longo prazo. Não é apenas o Iago: há atletas na Sub-15, Sub-14 e Sub-17 que também mostram qualidade.”

Desenvolvimento de Iago Machado (zagueiro, 2009), potencial para equipe profissional e preparo de ‘substitutos’

“A base forma jogadores, mas quem revela é o profissional. Se o Iago estiver pronto, caberá ao profissional dar essa oportunidade no momento adequado. Ele é um atleta com grande potencial. Trabalhei por três anos na CBF, em competições de alto nível como Mundial, Sul-Americano e Olimpíadas, enfrentando os melhores de cada país, e vejo que o Iago tem capacidade para chegar ao profissional em breve.”

“Hoje, o Corinthians tem jogadores com boas perspectivas, mas esse processo acontece gradualmente. Costumo dizer aos meninos que o futebol não escolhe dia, horário ou local, por isso é preciso estar sempre preparado. Em qualquer momento, o profissional pode precisar de jogadores da base. Às vezes chamam quatro atletas e um deles chama mais atenção e acaba estreando antes de outros que pareciam mais próximos.”

Dificuldades dos clubes em terem controle dos 100% dos direitos econômicos dos atletas na base

“É uma meta, mas hoje é muito difícil de acontecer. Não só no Corinthians, mas em todo o futebol brasileiro. O primeiro ponto é que você tem que ter um percentual maior do que em outras situações. Você vai falar de 70-30, mas tem que ver quais são os casos. É um atleta com potencial, que veio do clube X para cá. Eu acho que o 70-30 está dentro do previsto, porque você já está trazendo um atleta que, dos 12 aos 16, foi formado em outro clube. Você está pegando ele quase do meio do meio para frente. Então, assim, são casos. Agora, é claro, você tem um atleta daqui do Corinthians, com 100% dos direitos, e daqui a pouco perde 30%. Você tem que saber por que isso está ocorrendo ou por que isso ocorreu. Hoje, a família pede um percentual, ou você tem um percentual da futura venda via empresário. Esse 100% passa a ser, às vezes, muito difícil. O ponto principal é ter de 75% a 80% para frente, dependendo da situação do atleta. Agora, quando você traz um atleta de fora, de um outro clube, você se coloca um pouco mais na adaptação.”

Cita o caso André Luiz com o Milan como exemplo

“‘Ah, o caso do André’. Eu não estava aqui, não posso falar porque o Corinthians tinha 100% e daqui a pouco tem só 70%. Eu não sei o motivo pelo qual ocorreu essa negociação. Mas hoje, quando existe uma situação, nós estamos, via presidente, via o pessoal da reestruturação financeira do clube, discutindo se eu posso fazer esse tipo de negociação ou não. Então, hoje, ela não vai sair da cabeça do Damiani, não vai sair da cabeça do Bruno, que é meu coordenador administrativo. Vai sair de uma conversa entre eu, o presidente e o pessoal da reestruturação financeira, para que nós possamos fazer esse tipo de movimento.”

Alinhamento com diretoria e Comitê de Reestruturação Financeira sobre decisões a serem tomadas

“Pelos clubes que passei, nós tínhamos um documento discutido com a direção sobre o que podíamos e o que não podíamos. Quando não podia, eu tinha que levar para o alto comando e discutir o porquê daquilo estar acontecendo. Nós estamos começando a fazer esse mesmo documento aqui. Na semana passada, nós tivemos a primeira reunião com os responsáveis pela reestruturação financeira, estamos começando a alinhar um processo que o Corinthians vai ter que seguir. E quando não seguir, vai ser uma decisão que foi levada a todo mundo e todo mundo estava ciente. Não foi uma decisão que o Damiani foi lá e fez o presidente assinar.”

“Toda vez que o presidente assinava um documento nosso, antes até do pessoal da reestruturação financeira fazer parte, eu sempre discutia com o presidente do porquê aquilo estava sendo feito. O presidente não assina nada sem eu conversar com ele e dizer por que tal coisa foi feita. É algo construído não por uma pessoa, mas pelo grupo, pelo clube. A decisão tem que ser do clube, e o clube tem que estar ciente do porquê aquilo ali está acontecendo. Para mim, como gestor, é a melhor coisa do mundo ter pessoas com as quais eu vou dividir o que está sendo feito aqui. Porque depois não vão chegar lá na frente e falar que foi o Damiani que fez, ou que o Damiani não sabia. Não, isso foi construído em conjunto.”

Conversas com a presidência do Corinthians pontuando algumas mudanças estruturais necessárias no departamento e mapeamento no mercado de profissionais de confiança para as categorias de base

“A primeira conversa que eu tive na minha chegada foi de que nós precisamos estar adequados ao que o clube está necessitando nesse momento. Em 14 dias, eu já apresentei ao presidente o que eu achava que nós poderíamos economizar em alguns setores. Até o próprio conhecimento de mercado, o preço que o mercado está atuando hoje em relação ao que o atuava. Às vezes, duas, três pessoas fazendo funções muito parecidas. Foi o primeiro momento, essa readequação financeira e também de número de funcionários dentro do clube.”

“Depois, fui ao mercado para identificar profissionais que pudessem contribuir para o desenvolvimento do que o Corinthians está planejando. Até recentemente, chegaram a dizer que eu trouxe amigos, pessoas que já haviam trabalhado comigo. Na verdade, de todos que vieram, apenas duas pessoas tinham trabalhado comigo: Guilherme Nascimento, treinador do Sub-17, que atuou comigo no Sub-15 do Atlético-MG e depois foi para o Athletico Paranaense; e, mais recentemente, o doutor Ricardo Drubscky, que foi meu chefe em 2010 no Athletico. Dezesseis anos depois, voltamos a trabalhar juntos. Os demais profissionais são todos do mercado.”

Reformulação: chegadas e saídas de atletas na base do Corinthians

“Quanto aos atletas, a situação é a mesma. Nós tínhamos muitos jogadores; vamos liberando e trazendo aos poucos. Agora, não se trata de quantidade. Não adianta eu trazer 30 atletas, inchar novamente o departamento e a categoria; daí o treinador não consegue trabalhar direito, não consegue aplicar o treino adequadamente, e os atletas também não conseguem se desenvolver nem performar no trabalho que está sendo feito.”

“Foi, portanto, uma decisão criteriosa, baseada também na questão financeira e na realidade que o clube vem enfrentando. Entendemos que, quanto mais enxuto o departamento estiver, mais espaço o treinador terá para trabalhar. Quando digo ‘mais espaço’, me refiro a mais tempo para observar os jogadores e dedicar atenção individualizada.”

Redução de gastos

“Eu não vou passar os números, mas tivemos uma redução muito grande em relação ao que se trabalhava até o ano passado. A perspectiva é manter esse ritmo, sempre trabalhando dentro do que podemos. Eu não posso demitir um funcionário que ganha X e trazer outro que ganha X mais Y. Ou eu trago alguém ganhando X, ou ganhando um pouco menos, mas o principal é a qualificação do profissional.”

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