- Por Fabio Luigi / Redação da Central do Timão
Na tarde desta segunda-feira (23), houve, na Federação Paulista de Futebol (FPF), o conselho técnico das semifinais do Campeonato Paulista. O Corinthians, vale lembrar, enfrentará o Novorizontino, no próximo sábado (28), às 20h30 (de Brasília), no Estádio Jorge Ismael de Biasi. O Alvinegro foi a equipe que menos somou pontos entre os quatro que restaram no torneio e, por isso, jogará fora de casa.
No evento, o executivo de futebol, Marcelo Paz, esteve representando Alvinegro e foi questionado sobre o episódio de racismo envolvendo o goleiro Hugo Souza. O camisa 1 sofreu insultos racistas por parte de dois torcedores da Portuguesa após a classificação corinthiana sobre o time do Canindé, nas penalidades máximas, pelas quartas de final do estadual.

“Eu vou começar pelo que eu acho mais importante, que é repudiar o que aconteceu ontem com o Hugo Souza, né? Acho que não dá pra tolerar, não dá pra falar em caso isolado. Aquelas pessoas, não é a instituição, não é a torcida da portuguesa, mas aquelas pessoas que praticaram um ato reprovável contra o Hugo, elas merecem as devidas punições, porque isso é didático, é pedagógico e o Hugo não merece, ninguém merece”, iniciou.
Em seguida, o dirigente ressaltou o suporte que o Corinthians vem dando ao goleiro e procurou a Federação Paulista de Futebol (FPF) cobrando providências: “Então, já procuramos a Federação Paulista quanto a isso, a Portuguesa já fez uma nota também repudiando a situação. Se o Hugo desejar ir à frente do procedimento policial, seja qual for, a gente vai dar todo o apoio a ele, não dá pra aceitar, não dá pra tolerar. E eu sei que a sociedade hoje não aceita mais esse tipo de situação e mesmo que aceitasse, nós não aceitaríamos. Então, infelizmente, temos que estar falando sobre isso. Quando tivemos um grande jogo. Fui ao Canindé pela primeira vez, nunca tinha ido ao Canindé, a Portuguesa nunca tinha encontrado Fortaleza, né? Não sei se vocês sabem da minha história do Fortaleza.”
“E agora aqui do Corinthians fui ao Canindé muito bem recebido, estádio histórico, dirigentes da Portuguesa super gentis, um grande jogo, a Portuguesa fez um grande jogo. Mas prevaleceu ali a força do Corinthians, né? A garra, a estratégia, né? O banco que entrou e ajudou, é limpo, e o golaço do Vitinho e depois a estrela não só do Hugo, né? Que deu defendeu os pênaltis, mas todos os nossos batedores também foram competentes. Um grande duelo, o Brasil inteiro assistiu e que bom que nós passamos de fase”, continuou.
Posteriormente, comentou suas expectativas para a semifinal do Campeonato Paulista, diante do Novorizontino, fora de casa, no próximo sábado (28). O executivo elogiou a qualidade, a estrutura e o trabalho recente da equipe de Novo Horizonte, que vem batendo na trave nos últimos anos na busca pelo acesso à primeira divisão nacional.
Marcelo também ressaltou que o Corinthians gostaria que a partida acontecesse no domingo citando o curto tempo de descanso da equipe neste início de temporada, mas citou que a data é uma questão alinhada com as detentoras dos direitos de transmissão do torneio. Paz ainda disse que o Novorizontino concordou em uma eventual realização da partida no domingo.
“E agora o Novorizontino, um grande time, muito bem treinado, muito estrutura, tudo funciona lá no Novorizontino, estrutura, pagamento em dia, recuperação de atletas, bom elenco, o time que vem batendo a porta aí na Série B aí vários anos tentando subir, não chegou por acaso, chegou por mérito, venceu o Palmeiras, durante a primeira fase, venceu o Santos ontem com o méritos também. Então, jogo difícil o que nós teremos. infelizmente, no sábado, queríamos que fosse no domingo. Nós desejávamos que fosse no domingo, porque o Corinthians já vem desde o jogo contra o Athletico-PR descansando somente três dias de um jogo para o outro, que não é um descanso ideal. O descanso ideal de recuperação é a partir do quarto dia, aí você tem uma recuperação completa do jogador que tem jogado, quatro dias depois ele está apto de novo a jogar. De três em três dias é ruim, então a gente foi, foram três dias do paranaense para esse jogo da Portuguesa, serão três dias da Portuguesa para o Cruzeiro e somente três dias do Cruzeiro para a semifinal.”
“Então não daria prejuízo técnico de descanso, de recuperação. Infelizmente, não foi possível, por questões comerciais, contratuais, e que não é uma crítica, a federação jamais, a federação faz o que é possível, mas existem contratos, os detetores escolheram um jogo no sábado, um jogo no domingo, escolheram qual jogo fazer, e infelizmente vai ter essa situação que o próprio Nova Horizonte. Não concordava em jogar no domingo, na reunião que ocorreu a pouco tempo, o Novorizontino também queria jogar no domingo, não sabe, mas não foi possível com a questão dos detetores, e nós respeitamos, mas tenho que dizer que é algo que gera um prejuízo técnico. E um grande jogo que vai ser lá, que a gente possa usar a nossa força, a nossa competência, o planejamento, pra quem sabe chegar a mais uma final”, acrescentou.
Logo em seguida, foi questionado sobre a busca do Corinthians no mercado, especificamente por um zagueiro, após o empréstimo do zagueiro Cacá para o Vitória. Atualmente, o Alvinegro conta com Gustavo Henrique, Gabriel Paulista, André Ramalho e João Pedro Thoca para a posição. Além deles, Iago Machado, de 17 anos, e uma das principais promessas da base corinthiana vinha treinando com o elenco profissional.
Até o momento, foram contratados seis reforços: zagueiro Gabriel Paulista, o lateral-direito Pedro Milans, o volante Allan, o meio-campista Matheus Pereira, o meia Zacaria Labyad, além do atacante Kaio César. Todos esses vieram por empréstimo ou livres no mercado.
“Eu não vejo a zaga como setor carente. Não vejo. Nós temos quatro bons zagueiros. Tem o Raniele que pode jogar como zagueiro na eventualidade. E tem o Iago que veio da base, que tá treinando permanentemente como profissional. Em algum momento o Dorival vai lançá-lo com muita paciência, sem nem um tipo de ansiedade para lançar o garoto. Eu não vejo como setor carente. É o que eu falei. Enquanto a janela estiver aberta, a contratação pode haver. O movimento de mercado pode haver. Isso é natural.“
“Sempre no objetivo de qualificar o nosso time. A gente vem fazendo esse trabalho de qualificação, de dar mais opções ao Dorival, de dar mais peças, até para poder encarar com alta performance essa rotina de jogo de três em três dias e quatro em quatro dias. Esse é o nosso trabalho. Tem também de uma limitação orçamentária. O dinheiro não é infinito. Então a gente tem que equilibrar tudo isso, mas enquanto a janela estiver aberta a gente vai estar atento.”
Na sequência, respondeu sobre a divisão dos ingressos para a torcida do Corinthians em Novo Horizonte ressaltando que está é uma questão institucional. Nas quartas de final, contra a Portuguesa, a Fiel teve acesso a 7.500 ingressos, assim como os adversários.
“E essa conversa ela é feita mais pelo pessoal da operação de jogo que trata a quantidade de torcedores, os acessos. Eu tenho certeza que vai haver um entendimento breve, como teve com a Portuguesa, que a Portuguesa teve a grandeza também de dividir o estádio, eu acho que isso foi legal e o espetáculo ficou muito bonito pra isso. Espero lá em Novo Horizonte, eu sei que lá e vai ter muita torcida, se tiver os onze mil lugares pro Corinthians a torcida vai preencher. Claro que não vai colocar assim, o Novo Horizonte não vai fazer isso, mas o nosso setor de operação de jogo que é muito competente, está certamente tratando isso.”
Marcelo Paz também detalhou sua opinião em relação ao debate sobre o possível fim das torcidas únicas do Estado de São Paulo. Desde 2016, por determinação do MP-SP, os clássicos entre as principais equipes do estado ocorrem apenas com torcedores da equipe mandante da partida, diferentemente de outras federações. No último domingo (22), antes da partida pelas quartas de final do Paulistão, Corinthians e Portuguesa realizaram uma ação pelo fim de tal medida, que já dura há quase dez anos.
Ao longo de sua resposta, o executivo do Corinthians relembrou os clássicos entre Ceará e Fortaleza, na época em que era dirigente do Leão do Picci.
“Eu não entro nessa área. A nível pessoal, eu acho que o futebol ganha muito quando tem clássico com duas torcidas. O espetáculo, o jogo é diferente quando tem duas torcidas. Eu vivenciei muito isso lá no Nordeste. Clássicos entre Fortaleza e Ceará sempre foi um espetáculo assim, demais. Antes de começar o jogo, as torcidas já duelavam no bom sentido. Qual mosaico mais bonito, qual festa mais bonita, balão e tal. Então isso traz um apego a mais para o público da televisão, para quem é fã. Então eu sou a fã, porém não me sinto habilitado para falar sobre segurança pública. Isso aqui no Estado de São Paulo existe uma proibição, porque deve ter algum histórico. Porém, se pudermos caminhar a nível de evolução até cultural, de comportamento das pessoas a voltar a ter o público dos dois, dos dois times, né?“
“Eu acho que é uma vitória da sociedade, ganha o futebol e ganha a sociedade. Mas quem melhor pode dizer isso são as autoridades competentes que determinaram e, de repente podem vir reaver essa questão. E, obviamente, o fato de as pessoas ser organizadas por Corinthians e Portuguesa e fazerem esse movimento mostra o quê? Maturidade. Mostra grandeza, mostra um desejo de fazer algo. E, a partir dali, tem que vir os bons exemplos, né? Porque acredito que não tem duas torcidas hoje por questão de violência. Então tem que se evitar isso, tem que se barrar. Há gestos de parte a parte que mostrem que é possível ter as duas torcidas no estádio e eu acho que ganha o futebol e assim tudo em sociedade”, explicou.
Por fim, detalhou a situação do volante Alex Santana. O meio-campista foi contratado pelo Corinthians na metade de 2024, junto ao Athletico-PR, sendo importante na arrancada da equipe no Brasileirão daquele ano (do Z4 à Pré-Libertadores de 2025) e fazendo parte da equipe que conquistou o Paulistão 2025, diante do Palmeiras. Ele também atuou na partida de estreia da campanha do título da Copa do Brasil do ano passado, contra o Novorizontino.
Porém, justamente após a chegada de Dorival Júnior, no final de abril do ano passado, perdeu espaço no elenco e acabou sendo emprestado ao Grêmio durante o restante de 2025. Por lá, não teve tanta sequência e entrou em campo durante apenas 10 vezes. Com contrato até 2027 com o Corinthians, Alex Santana se reapresentou no CT Dr. Joaquim Grava neste início de 2026 mas, ao que tudo indica, não deve ficar no clube – está treinando separado do elenco. Com a camisa corinthiana, são dois gols marcados em 37 jogos.
“Ele deve se dirigir para um outro clube, é um atleta que a gente respeita muito, que tem um histórico no futebol brasileiro, mas no momento ele não deve fazer parte dos planos do Corinthians e naturalmente a tendência é que ele possa ir para um outro clube“, finalizou.
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