- Por Henrique Vigliotti/ Redação da Central do Timão
No início da noite desta segunda-feira (2), o Conselho Deliberativo do Corinthians promoveu a nona audiência pública do ciclo de debates sobre a Reforma do Estatuto do clube, com foco nos capítulos que tratam da Diretoria, das finanças e dos regulamentos internos.
Realizada no anfiteatro do Parque São Jorge, a reunião voltou a ocorrer sem a presença de membros oficialmente empossados da Diretoria Executiva do Corinthians e sem transmissão pela Corinthians TV. O encontro reuniu cerca de 30 pessoas, contou com a participação de sete oradores e teve duração de pouco mais de duas horas.

A audiência teve início com a fala do presidente do Conselho Deliberativo (CD) Romeu Tuma Júnior, que mencionou a festa da torcida na conquista da Supercopa do Brasil, após a vitória por 2 x 0 sobre o Flamengo, e o vice-campeonato das Brabas na Copa das Campeãs da Fifa, após a derrota por 3 x 2 para o Arsenal, da Inglaterra, na prorrogação. O dirigente também afirmou que pretende acelerar a elaboração da versão final do anteprojeto, que ainda será submetida à votação do Conselho ao término do ciclo de audiências.
Fernando de Souza, representante do Coletivo Voz Corinthiana, abriu as manifestações defendendo o fim do voluntariado na atual diretoria. Ele propôs que os diretores passem a ser contratados, em consonância com a proposta do anteprojeto que prevê a manutenção de dois cargos por departamento, um estatutário e outro executivo, além de defender a obrigatoriedade da contratação de um CEO, que se reportaria a todos os órgãos internos do clube.
Na proposta apresentada pelo coletivo, o diretor estatutário teria a função de fiscalizar e estabelecer metas, podendo ser remunerado, com limitação de valor, desde que atue exclusivamente para o clube. Já o diretor executivo seria responsável por cumprir as metas e se reportar ao CEO, promovendo, segundo Fernando, a separação entre a política e a gestão do clube.
Outra proposta apresentada pelo coletivo foi a revogação da emenda que concede ao Conselho de Orientação (Cori) poder demissionário sobre o CEO, mantendo essa atribuição exclusivamente com a Diretoria Executiva. Segundo a sugestão, uma eventual demissão deveria ocorrer apenas com base no cumprimento de metas ou em casos de desvio de conduta, ou seja, mediante embasamento técnico.
Durante a fala, o presidente do Conselho Romeu Tuma Jr. pediu aparte e para destacar a proposta do grupo União dos Vitalícios, que trata da delimitação dos cargos, com o objetivo de melhorar a previsão orçamentária e reduzir o número de diretorias. A ideia é que o Estatuto defina previamente quais cargos compõem a Diretoria, impedindo que qualquer presidente crie novas funções por vontade própria, além de estabelecer quais desses cargos seriam remunerados ou não.
O associado Alessandro Ginez também pediu aparte e se posicionou contra o elevado número de assessorias e diretorias no Parque São Jorge. Segundo ele, existem três diretorias de Marketing que sequer sabem qual é a própria função.
O coletivo também sugeriu a aglutinação de diversas diretorias, com a união de áreas em um único departamento como forma de reduzir a estrutura administrativa do clube. Além disso, propôs a criação de comitês capazes de integrar diretorias com temas ou atribuições em comum.
Na sequência, Felipe Ezabella, conselheiro trienal e membro do Cori, iniciou sua fala manifestando concordância com a proposta de alteração do artigo 103 que prevê o aumento do mandato da Presidência Executiva de três para quatro anos. Em seguida, foi direto ao classificar como um retrocesso a generalização dos cargos como vice-presidências temáticas, defendendo, em sua visão, a adoção de nomenclaturas específicas e adequadas para cada área.
O conselheiro também afirmou não ver com bons olhos a criação do cargo de CEO e do chamado “Prefeito do Parque São Jorge”, rechaçando a nomenclatura e classificando-a, em sua avaliação, como retrógrada. Em relação às diretorias estatutárias, Ezabella defendeu que haja abertura para a criação de novos cargos, a fim de evitar o “engessamento” da gestão, e solicitou a definição de prazos para a escolha dos estatutários, de modo a não deixar funções vagas.
Ezabella ainda se posicionou contra o artigo 119, inciso III, que determina que decisões que impactem o fluxo de caixa do Corinthians e envolvam movimentações bancárias acima de 7.000 salários mínimos dependam de aprovação do Cori.
A terceira oradora foi a conselheira vitalícia Miriam Athie, que iniciou sua fala manifestando oposição ao modelo atual de eleição de dois vice-presidentes da Diretoria Executiva, defendendo a redução para apenas um vice por presidente. Ela também ressaltou que as mulheres não devem ser utilizadas apenas como cota, mas sim ocupar espaços com poder efetivo, além de defender a criação de uma Diretoria de Defesa da Mulher, em razão, segundo ela, de casos de assédio moral e da falta de poder político enfrentados por mulheres no clube.
Lucimar Russo, associada, também usou a palavra e defendeu que o Corinthians não se limite à busca de profissionais no mercado, argumentando que há, dentro do Parque São Jorge, pessoas qualificadas para ocupar funções remuneradas na diretoria.
Hicham Said Abbas, associado e representante do Coletivo Família Corinthians, defendeu que a contratação de um CEO seja mais criteriosa, com o estabelecimento prévio de metas e a realização de um processo público de seleção, com a participação de empresas e profissionais em condições de igualdade.
Hicham sugeriu que, ainda na gestão comandada por Osmar Stabile, seja incluído um plano plurianual de gestão e reestruturação financeira com horizonte de dez anos. Segundo a proposta, o documento deveria ser elaborado e implementado em até 120 dias, prevendo inclusive a destituição de dirigentes em caso de descumprimento dos prazos, o que, na visão do associado, caracterizaria gestão temerária.
Ao mencionar o artigo 110, Hicham sugeriu que os dispositivos de responsabilização da diretoria sejam mais diretos e claros, especialmente no que diz respeito à prestação de contas e às despesas não justificadas. A proposta prevê ainda o detalhamento e a ampliação desses critérios, de modo a conferir maior efetividade aos mecanismos de destituição de cargo em caso de descumprimento.
Rozallah Santoro, conselheiro trienal e ex-diretor financeiro do Corinthians, defendeu a manutenção do modelo atual de ocupação dos cargos da diretoria e usou sua própria experiência como argumento, afirmando que se preparou financeiramente para atuar no clube por três anos sem remuneração e que, em sua avaliação, esse formato deve ser mantido, pois há pessoas capacitadas no clube para exercerem as funções diretivas.
Rozallah também defendeu a atuação das comissões temáticas do Conselho, destacando que participou da implementação do RCE de forma voluntária e consultiva, sem ocupar nenhum cargo na Diretoria Executiva. O conselheiro também observou que a questão do Fair Play Financeiro da CBF será complexa de ser conduzida.
Segundo ele, uma prática comum no Corinthians é o atraso no pagamento das luvas de novos jogadores contratados. Rozallah explicou que, no contexto do Fair Play Financeiro, esses valores precisarão estar em dia e sugeriu que o descumprimento dessa regra resulte em punição individual ao presidente ou diretor que estiver no cargo.
O conselheiro também alertou para os possíveis impactos da reforma tributária, que deve elevar a carga de impostos do clube para cerca de R$ 70 milhões anuais, pressionando o Corinthians a considerar a transformação em SAF. Ele acrescentou que o Flamengo tem tentado “convocar” o clube para se opor à medida do Governo Federal.
Em aparte, Miriam Athie questionou quais empresários e empresas não haviam aderido à RCE, e Rozallah explicou que todas as empresas e empresários com dívidas cíveis com o Corinthians até 18 de novembro de 2024 foram incluídos no Regime Centralizado de Execuções, em valores que somam cerca de 450 milhões de reais.
O associado Cyrillo Cavalheiro Neto defendeu que os cargos estatutários não tenham nomes previamente definidos, sugerindo a redução do número de diretorias para apenas quatro. Ele aproveitou a oportunidade para criticar o atual departamento de marketing do Corinthians, alegando que pouco foi feito pela área durante a decisão da Supercopa do Brasil.
Rozallah pediu aparte e sugeriu que os profissionais, tanto do Marketing quanto de outras áreas, tenham suas remunerações atreladas a bônus por metas, incentivando-os a buscar melhores resultados. O conselheiro trienal Rodrigo Silva também criticou o setor de marketing do clube, ressaltando a falta de abastecimento da loja Poderoso Timão em Brasília, especialmente de camisas oficiais.
Peterson Ruan destacou a força do Corinthians e defendeu que a profissionalização da gestão seja o caminho para aumentar as receitas do clube. Ele também se opôs à ideia de que a administração do Parque São Jorge seja conduzida por alguém externo, afirmando que a função requer experiência e vivência corinthiana.
Em seguida, Tuma encerrou a audiência afirmando que chegou o momento de eliminar mordomias, reduzir privilégios e avançar na modernização e profissionalização da gestão do Parque São Jorge.
Próximas audiências
A décima e última audiência pública aberta a torcedores, associados, coletivos e imprensa será realizada nesta quarta-feira (4), com foco nas disposições gerais e transitórias, além do cronograma de implantação. Os interessados em participar devem se inscrever previamente pelo e-mail estatuto@sccorinthians.com.br, até, no máximo, três horas antes do início da sessão.
No dia 9, será realizada uma audiência extra, exclusiva para membros do Conselho Deliberativo, com o objetivo de debater procedimentos de votação, roteiros e temas que apresentem propostas de texto conflitantes ou divergentes, fornecendo subsídios à Comissão de Reforma Estatutária para a finalização do anteprojeto, que será levado à votação em março.
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Sexta e sábado: 10h15 | 12h | 14h45
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