Corinthians recebe usuários e profissionais do CAPS na Neo Química Arena durante o Majestoso

  • Por Henrique Pereira / Redação da Central do Timão

O empate por 1 a 1 entre Corinthians e São Paulo, no último domingo, pela terceira rodada do Campeonato Paulista, foi além do que aconteceu dentro das quatro linhas. O clássico disputado na Neo Química Arena serviu como palco para uma ação social do Timão voltada à conscientização sobre saúde mental, reforçando o estádio como um espaço de pertencimento, acolhimento e conexão com a comunidade.

De acordo com o clube, 45 usuários e profissionais do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) Infantojuvenil Aricanduva foram convidados para acompanhar o Majestoso. A iniciativa buscou destacar a importância do cuidado com a saúde mental para o equilíbrio da vida e evidenciar como experiências coletivas, como a ida ao estádio, contribuem para a redução da solidão e o fortalecimento de vínculos sociais.

Em vídeo divulgado pela Corinthians TV, os convidados tiveram a oportunidade de vivenciar diferentes experiências na Arena antes do início da partida. O grupo realizou uma visita à beira do gramado e teve acesso à área interna das arquibancadas, local utilizado pelos atletas durante o aquecimento pré-jogo. Após a atividade, os participantes se acomodaram nas cadeiras da Casa do Povo para acompanhar o clássico.

Entre os presentes estava Kamilly Lopes, paciente do CAPS, que definiu a experiência como transformadora em sua trajetória pessoal. Corinthiana desde a infância, ela relembrou que sua primeira ida à Neo Química Arena representou um ponto de virada em sua vida, funcionando como incentivo para retomar o tratamento, voltar a estudar e reorganizar sua rotina. Para a jovem, o Corinthians segue sendo um apoio fundamental em seu processo de recuperação emocional.

“Estar aqui hoje é uma alegria imensa, porque sou corinthiana desde pequena. Sempre tive o sonho de conhecer este campo de perto, um lugar que eu via tanto pela televisão; é maravilhoso. O Corinthians e o CAPS ajudaram a minha vida de uma forma gigantesca. Há algum tempo, tive uma depressão muito profunda, e meu tio me incentivou: ‘Camille, vamos à Arena, vou te levar para assistir ao jogo’. Foi a minha primeira vez no estádio e acho que nunca chorei tanto. Depois daquele dia, procurei retomar meu tratamento no CAPS, voltei a trabalhar e a estudar. Uma ida à Arena mudou minha vida totalmente. Não tenho palavras para descrever o quanto o Corinthians me salva até hoje”, comentou.

Gerente do Departamento de Responsabilidade Social do Corinthians, Sônia Andrade afirmou que a ação integra um esforço do clube para ampliar o debate sobre saúde mental sem preconceitos. Segundo ela, discutir o tema é essencial para reforçar que o cuidado com a mente faz parte da saúde integral, além de reconhecer o trabalho desenvolvido diariamente pelos profissionais do CAPS, que impactam diretamente a qualidade de vida da população.

“Nosso objetivo é falar sobre saúde mental e reforçar a importância de discutirmos esse assunto sem tabus. Precisamos mostrar que saúde mental não é um mito: cuidar da mente é cuidar da saúde do indivíduo de forma integral. Estamos trabalhando com o CAPS Infantojuvenil, e é fundamental valorizarmos o trabalho dos profissionais que atuam nesses centros. Eles desempenham um papel essencial, pois contribuem diretamente para a melhoria da qualidade de vida da nossa população”, disse.

Profissional de educação física do CAPS Infantojuvenil Aricanduva, Jaqueline Stefanie também destacou a relevância social da iniciativa. Ela explicou que muitos usuários não teriam condições de vivenciar experiências como essa de forma independente e que ações do tipo, especialmente durante o Janeiro Branco, ajudam a ampliar a autonomia, promover novas interações e inserir os jovens em ambientes diferentes da rotina habitual.

“O clube consegue ajudar o CAPS como uma forma social, já que nossos usuários, muitas vezes, não têm a oportunidade de vir até aqui por conta própria. Por isso, ações como esta, especialmente no Janeiro Branco, são fundamentais. Estar aqui com eles permite que conheçam o espaço, interajam com novas pessoas e, acima de tudo, conquistem mais autonomia”, comentou.

Já Hélio Lima, oficineiro da unidade de Aricanduva, ressaltou o simbolismo da ação ao destacar o Corinthians como um clube popular. Para ele, ocupar a Neo Química Arena com pessoas historicamente invisibilizadas representa uma forma concreta de garantir direitos, promover inclusão e reafirmar que o estádio pertence a todos, especialmente àqueles que enfrentam desafios diários.

“O Corinthians é o time do povo. E entender isso é compreender que o povo precisa ocupar este espaço, que pertence a todos: a quem é da periferia, a quem é preto e a quem está na luta diariamente. Uma ação como essa, com o pessoal do CAPS e das residências terapêuticas, é fundamental para trazer pessoas que costumam ser invisibilizadas pela sociedade. Estar aqui com eles é garantir direitos, é permitir que ocupem o que é deles por direito. É algo surreal, estou até sem palavras”, disse.

Criado em 2014, o Janeiro Branco é uma campanha nacional que busca conscientizar a população sobre a importância da saúde mental e emocional. Utilizando o início do ano como símbolo de recomeço, a iniciativa incentiva reflexões, planejamento e o cuidado com a mente, com foco na prevenção de transtornos como ansiedade e depressão.

Ao longo de 2025, a Neo Química Arena também foi palco de outras ações sociais promovidas pelo Corinthians. Entre elas estiveram palestras sobre o Outubro Rosa, debates relacionados ao feminicídio e à violência contra a mulher, reflexões sobre desperdício de alimentos e insegurança alimentar no país, além de eventos ligados ao Dia da Consciência Negra, reforçando o papel social do clube para além do futebol.

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Sexta e sábado: 10h15 | 12h | 14h45
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