- Por Henrique Vigliotti e Larissa Beppler/ Redação da Central do Timão
Na manhã desta quinta-feira (15), o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (nova denominação da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.), integrante do grupo REAG, responsável pela administração e gestão do fundo imobiliário da Neo Química Arena em parceria com o Corinthians e a Caixa Econômica Federal.
Segundo o órgão regulador, a medida foi motivada por graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional (SFN), incluindo a identificação de operações consideradas atípicas e sem lastro econômico em fundos administrados pela empresa entre 2023 e 2024.

De acordo com as apurações, esses fundos teriam sido utilizados em um esquema de circulação rápida de recursos oriundos de empréstimos do Banco Master a empresas de fachada, com posterior retorno dos valores ao próprio banco por meio de aplicações financeiras sobrevalorizadas, o que levou o Banco Central a encaminhar informações ao Ministério Público Federal e a determinar a indisponibilidade de bens de controladores e ex-administradores.
“O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição”, diz trecho do comunicado do Bacen.
E onde entram o Corinthians e a Caixa nessa situação?
Ainda em outubro de 2025, nas fases iniciais das investigações sobre a REAG, então apontada por supostas ligações com o crime organizado no âmbito da Operação Carbono Oculto, o Corinthians já havia solicitado a substituição da empresa responsável pela gestão do fundo imobiliário à Caixa Econômica Federal.
Segundo apuração da Central do Timão, o Corinthians encaminhou à Caixa uma lista de empresas consideradas aptas a substituir a REAG/Arandu Investimentos para avaliação da instituição, mas ainda não recebeu retorno. Conforme previsto em contrato, o clube só pode promover essa alteração mediante autorização da instituição financeira.
Recentemente, após a repercussão da divulgação dos detalhes do contrato de refinanciamento da Neo Química Arena firmado entre o Corinthians e a Caixa, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) encaminhou um ofício à Polícia Federal (PF) solicitando a apuração de possíveis irregularidades envolvendo a REAG/Arandu Investimentos.
Associados solicitam rescisão de contrato com a REAG e abertura de processo investigatório interno
O Coletivo Família Corinthians, que representa cerca de 217 associados do clube, encaminhou, por meio de e-mail administrativo, um pedido de rescisão imediata, por justa causa, do contrato firmado com a REAG/Arandu Investimentos, responsável pela gestão do Fundo da Arena Itaquera/Neo Química Arena. A solicitação foi endereçada ao presidente Osmar Stabile, ao presidente do Conselho Deliberativo (CD) Romeu Tuma Júnior e aos diretores financeiro e jurídico do Corinthians.
No documento, obtido pela Central do Timão, o coletivo fundamenta seu posicionamento tanto na ampla repercussão do caso na imprensa quanto na formalização das investigações. Amparados na Lei Pelé e na Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte (Profut), os associados defendem a rescisão contratual por justa causa, argumentando que a permanência da REAG/Arandu na gestão do Fundo Arena é juridicamente incompatível com os deveres de governança, transparência e diligência impostos às entidades esportivas.
Com base nas leis que regem o esporte e a gestão responsável das entidades esportivas, o Coletivo sustenta que o Corinthians deve adotar uma postura preventiva, rompendo o vínculo com a gestora e fortalecendo os mecanismos de controle interno. Nesse sentido, além da rescisão contratual, o grupo solicita a criação de um comitê especial, vinculado ao Conselho Deliberativo e com participação de associados, para acompanhar as apurações, fiscalizar os contratos e assegurar a divulgação transparente de todas as informações relevantes à comunidade corinthiana.
O pedido ainda precisa ser protocolado fisicamente no clube para que seja analisado pelas instâncias competentes. Segundo apuração da Central do Timão, a criação do comitê não é considerada viável neste momento, uma vez que os autos do caso tramitam sob segredo de Justiça.
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