- Por Daniel Keppler e Larissa Beppler | Redação da Central do Timão
Nesta sexta-feira (5), o Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians realizou a segunda de dez audiências públicas sobre a Reforma do Estatuto, desta vez dedicada ao debate sobre o direito de voto do Fiel Torcedor. O encontro, realizado na sala de imprensa da Neo Química Arena, reuniu cerca de 80 participantes – entre conselheiros, associados, coletivos e imprensa – número abaixo do esperado e que gerou críticas públicas, sobretudo pela relevância e pelo caráter simbólico do tema em discussão.
Apesar do quórum reduzido, os debates foram intensos ao longo de quase três horas, com apresentação de novas propostas, sugestões de emendas e diferentes manifestações, todas convergindo para um ponto: ninguém se posicionou contra o direito de voto do Fiel Torcedor. Diante desse consenso, o presidente do CD Romeu Tuma Júnior sugeriu, ao final da audiência, que a Comissão de Reforma retire do anteprojeto a alternativa que mantinha o FT sem direito de voto.

A ideia é ajustar as outras duas propostas já existentes, que contemplam o voto do torcedor, incorporando as contribuições debatidas na audiência pública e sugestões de emendas, para que possam ser levadas à votação dos conselheiros. Posteriormente, o projeto aprovado pelo órgão será submetido à apreciação dos sócios em assembleia geral, prevista para março de 2026.
Associados, conselheiros e coletivos debateram propostas distintas relacionadas ao período de carência para o Fiel Torcedor votar, à redução ou extinção da taxa adicional, à possibilidade de participação também na escolha de conselheiros e membros dos órgãos fiscais, além do desenvolvimento de um plano específico para torcedores de fora do estado de São Paulo, com regras ajustadas para garantir inclusão e condições adequadas a quem não vive na capital ou na região metropolitana.
Também foi apresentada a sugestão de criação de uma categoria “Sócio do Futebol” e de uma “Diretoria da Torcida”, eleita diretamente pelos integrantes do programa. O conselheiro Caetano Blandini ponderou que a inclusão do Fiel Torcedor no processo eleitoral tende a elevar os custos das eleições, e que a definição de uma eventual taxa deve considerar esse impacto.
Alguns associados, porém, manifestaram oposição à cobrança adicional, argumentando que a mensalidade do plano já configuraria uma contribuição suficiente. Tuma esclareceu que os valores pagos ao FT são destinados exclusivamente à manutenção do programa e ao contrato com a empresa que o administra, não podendo ser revertidos ao clube social.
Representantes das torcidas organizadas também marcaram presença e se manifestaram ao longo da reunião, entre eles o presidente e os vices da Gaviões da Fiel. O presidente Ale foi o primeiro a se pronunciar e destacou a necessidade de união em torno dos debates. O ex-presidente da organizada Douglas Deungaro (Metaleiro) também tomou a palavra. Ele cobrou que o clube adote medidas contra os responsáveis por irregularidades e classificou como “inadmissível que uma pessoa que tentou dar um golpe esteja na mesa”, em referência à 1ª secretária do CD, Maria Angela Ocampos.
Em sua intervenção, Metaleiro defendeu que os membros do Fiel Torcedor tenham direito a votar sem qualquer custo adicional e sustentou que aqueles com quatro anos de adesão ao programa devem obter esse direito já em 2026. Fez, porém, uma ressalva em relação às torcidas organizadas: por terem anuidades mais baixas (cerca de R$ 30), afirmou que seus integrantes deveriam votar apenas a partir da eleição seguinte, desde que passem a aderir a algum plano, “nem que seja o básico”. Ele propôs ainda que parte dessa arrecadação seja destinada aos esportes do clube social.
Metaleiro lembrou que a luta pelo direito de voto do torcedor é histórica nos Gaviões da Fiel, e repetiu diversas vezes que não deve haver taxa extra para votar. Ele concluiu dizendo que a torcida precisa ser efetivamente inserida na democracia do clube e alertou que, se isso não acontecer, a mensagem transmitida será a de que o Corinthians não quer a participação do torcedor na solução dos seus problemas.
Alguns coletivos de torcedores também participaram da audiência, entre eles Voz Corinthiana, Sustentamos, Paixão Corinthiana e Democracia Corinthiana. O Voz Corinthiana defendeu a redução do período de carência para que integrantes do Fiel Torcedor possam votar, de quatro para dois anos, e propôs a revogação da taxa de manutenção – equivalente a um terço da mensalidade patrimonial – ou, caso a medida não seja aprovada, sua redução para um quinto do valor.
Além disso, sugeriu uma regra de transição para 2026: permitir que torcedores com três anos de programa possam votar já no próximo pleito, evitando sua exclusão daquela que classificou como “a eleição mais importante da história do Corinthians”. O coletivo reforçou, por fim, a necessidade de construir um clube efetivamente democrático, e não uma “democracia de fachada”.
Membro ilustre da Gaviões da Fiel, o conselheiro Ernesto Teixeira defendeu que a democratização do Corinthians não deve servir apenas para aumentar o número de eleitores, mas também para ampliar o número de candidatos aptos a disputar cargos no clube. Criticou o modelo vigente, observando que o universo de postulantes é excessivamente restrito, basicamente vitalícios e conselheiros com dois mandatos, o que, segundo ele, impede a renovação.
Ernesto defendeu ainda que torcedores que já integram o Fiel Torcedor há alguns anos tenham direito a voto a partir de 2026, em reconhecimento à sua contribuição e como gesto de abertura. Também apoiou a proposta de que integrantes de torcidas organizadas passem a participar do FT para votar na próxima eleição, sem qualquer privilégio em relação aos demais torcedores.
O conselheiro Vinícius Cascone, ex-diretor jurídico do clube, lamentou que o requerimento para a transmissão das audiências públicas não tenha sido sequer respondido pelo presidente Osmar Stabile, crítica que também foi endossada por outros associados e torcedores. Cascone declarou ser favorável ao voto do Fiel Torcedor para presidente e conselheiro já em 2026, mas ponderou que ainda faltam informações e dados concretos sobre o programa.
Segundo ele, aprovar uma mudança sem essas bases pode impedir que os efeitos esperados se concretizem e gerar frustração tanto entre torcedores quanto internamente no clube. Ao final, o conselheiro sugeriu que o debate sobre o voto do FT seja retomado na audiência extra, após a diretoria divulgar os dados completos do programa, a fim de garantir que as propostas votadas reflitam a realidade e estejam devidamente embasadas.
O Conselho Deliberativo do Corinthians volta a se reunir com associados e coletivos na próxima segunda-feira (8) para dar continuidade aos debates sobre o anteprojeto. Nesta data, o órgão receberá também representantes da SAFiel, em audiência pública no Parque São Jorge, dedicada à discussão do tema SAF no contexto da Reforma do Estatuto.
Os interessados em participar das audiências públicas do CD deverão realizar inscrição prévia pelo e-mail estatuto@sccorinthians.com.br, respeitando o prazo máximo de até três horas antes do início de cada sessão.
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