- Por Fabio Luigi / Redação da Central do Timão
Afastado da presidência do Corinthians desde o último dia 26 de maio, após votação do Conselho Deliberativo e réu no Caso VaideBet, Augusto Melo foi intimado na última sexta-feira, 1° de agosto, pela Justiça a apresentar sua defesa sobre a situação envolvendo a ex-patrocinadora máster do clube em um prazo de 10 dias corridos a partir da próxima segunda-feira, 4 de agosto.
Logo, o prazo se estenderá até o próximo dia 13 agosto, quarta-feira. A informação foi publicada pela Gazeta Esportiva. O representante judicial esteve com Augusto Melo no escritório do Dr. Ricardo Jorge, ex-diretor administrativo do Alvinegro e um dos responsáveis pela defesa do mandatário no Caso VaideBet.

Em sua defesa, o presidente afastado terá que “alegar tudo o que interesse à sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e indicar testemunhas até o limite legal, qualificando-as e requerendo sua intimação, quando necessário, nos termos dos artigos 396 e 396-A do Código de Processo Penal, com redação dada pela Lei 11.719/2008”.
Responsável pelo caso na Justiça, a juíza Marcia Mayumi Okoda Oshiro acatou, no último dia 22 de julho, terça-feira, acatou os documentos apresentados pelo Ministério Público e tornou Augusto Melo e outros ex-dirigentes do Corinthians réus pelos crimes de furto qualificado, associação criminosa e lavagem de dinheiro no Caso VaideBet. Todos foram indiciados pela Polícia Civil na reta final do mês de maio. O delegado Tiago Fernando Correia, do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), foi o responsável pelas investigações policiais que duraram pouco mais de um ano.
Além de Melo, tornaram-se réus Marcelo Mariano (ex-diretor administrativo do Corinthians), Sérgio Moura (ex-superintendente de marketing) e Alex Fernando André, conhecido como Alex Cassundé (dono da Rede Social Media & Design – empresa laranja responsável por desviar a comissão da VaideBet dos cofres do Alvinegro para empresas ligadas ao crime organizado, segundo relatório da Polícia).
Também foram denunciados pelo Ministério Público os empresários Victor Henrique Shimada e Ulisses de Souza Jorge, responsáveis e relacionados com as empresas envolvidas no recebimento da comissão desviada do clube. Os promotores exigiram que os réus indenizam o Corinthians em R$ 40 milhões, referente ao prejuízo causado ao Alvinegro Paulista – R$ 38.892.857,14 pelo rompimento do contrato com a PixBet, patrocinadora do clube até dezembro de 2023.
O contrato entre Corinthians e VaideBet foi assinado em janeiro de 2024 e com validade até dezembro de 2026 – R$ 370 milhões – sendo que 7% (cerca de R$ 25 milhões) seriam referentes à comissão ligada a empresa “intermediadora”. No início do ano passado, o Corinthians depositou à Rede Social Media & Design R$ 1,4 milhão sob ordens de Marcelo Mariano à revelia do diretor financeiro à época Rozallah Santoro. O evento foi o estopim para que Santoro deixasse a gestão de Melo por constantes ingerências no departamento de finanças.
O superintende jurídico do Corinthians, Leonardo Pantaleão, pediu a habilitação do clube como assistente de acusação no processo penal, com intuito de apresentar provas e questionando os réus durante as audiências. O Ministério Público afirma que “está muito claro os caminhos tortuosos e ilegais que o dinheiro percorreu a partir do momento em que saiu dos cofres corintianos”, além de ter a convicção de que “passou por empresas manifestamente fantasmas e, tudo indica, recebedoras ’em trânsito’ de valores escusos provenientes de estruturas criminosas e de empresas, notadamente, utilizada para as mais diversas formas de lavagem de capitais”.
Agora, os réus no Caso VaideBet passarão por todos os procedimentos estabelecidos pelo Código Penal e terão, com direito à defesa, que passar por audiências, coleta de novos depoimentos e produção de provas. Posteriormente, o juiz decidirá se os envolvidos serão absolvidos ou condenados.
No próximo dia 9 de agosto, sábado, das 9h às 17h (horário de Brasília), haverá a Assembleia Geral dos Associados, que será responsável por ratificar ou não a decisão do Conselho Deliberativo de afastar, de maneira definitiva, Augusto Melo da presidência. Se aprovado, serão convocadas eleições indiretas, isto é, o novo presidente será eleito através da votação dos 300 conselheiros. Caso Melo retorne á presidência, poderá passar por novos processos de destituição, sendo um deles o da reprovação das contas de 2024.
Veja Mais:
Corinthians homenageia Terrão em nova quadra no Parque São Jorge; ex-jogador exalta iniciativa
Corinthians x Fortaleza: onde assistir, escalações, desfalques, arbitragem
Corinthians tem três desfalques e seis pendurados para enfrentar o Fortaleza no Brasileirão