- Por Fabio Luigi / Redação da Central do Timão
Na noite da última quarta-feira, 30 de julho, o Corinthians recebeu o Palmeiras, na Neo Química Arena, em duelo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil, e triunfou pelo placar de 1 x 0. O atacante Memphis Depay foi quem marcou o gol Alvinegro, aos 35 minutos da segunda etapa.
Após o apito final, o técnico Dorival Júnior concedeu entrevista coletiva aos jornalistas e fez uma análise do Derby. Segundo o comandante, o duelo foi marcado por muita “disputa” e, assim como o jogo de ida, o da volta é tratado como “fundamental” pelo treinador corinthiano.

“Eu acho que são (clássicos) jogos disputados como deverão ser. As demais partidas classificadas como clássicos, eu acho que todos nós sabemos o potencial das equipes. Eu acho que o jogo foi muito disputado, muito igual em muitos sentidos. Um detalhe foi importante, a definição do resultado, um gol, que é fundamental.”
“Porém, eu acho que é apenas a metade de um tempo, onde daqui a uma semana estaremos jogando a outra metade, aí sim, valendo muito, valendo uma passagem (para as quartas de final). Eu classifico esses dois jogos como fundamentais e espero que possamos ter um equilíbrio grande lá dentro (no Allianz Parque), jogando com a intensidade que foi necessária para o jogo de hoje e tentando fazer ainda melhor daquilo que realizamos nessa noite”, iniciou.
Em seguida, foi questionado se houve uma “conversa diferente” com os jogadores antes do clássico contra o Palmeiras na Copa do Brasil citando a “falta de energia” que apresentou no clássico contra o São Paulo, pelo Brasileirão, no Morumbis. Na ocasião, o Alvinegro sofreu diversas críticas pela “passividade” em um clássico diante de um dos seus maiores rivais.
“A falta de energia que eu falo é você ter jogado uma partida no Ceará, em Fortaleza. Dois dias e meio depois de um jogo pesado, nós estarmos em campo jogando um clássico (contra o SP), retornando de uma viagem mais longa. Tudo isso aí somando ao momento que nós estamos vivendo. Muitos clubes pagam um preço muito alto. Eu tenho visto, acompanhando a maioria das rodadas, tenho visto jogos em que uma equipe vai muito bem na abertura da semana e no final dela sente o resultado dos jogos acumulados. Isso vem acontecendo com todas as equipes, não só com o Corinthians naquele momento.
Ele acrescentou citando que, no último sábado, 26 de julho, o fato de a equipe ter atuado o duelo contra o Botafogo, no Brasileirão, com um time reserva por 45 minutos contribuiu para que o Alvinegro chegasse em melhores condições físicas para com o Palmeiras.
“Eu espero que possamos ter a recuperação necessária, e, quando eu falo em energia, é para estarmos fortes para os jogos seguintes. Não adianta nós termos uma equipe em campo que não tenha forças para poder controlar o jogo, pressionar o adversário para poder encurtar nos momentos necessários.”
“O jogo de hoje foi altamente disputado porque nós tivemos um período, seguramos uma equipe no final de semana (segundo tempo contra o Botafogo) e tivemos uma equipe em campo em condições de poder brigar os 90 minutos (contra o Palmeiras). Um jogo que exige demais, assim como será o jogo do final de semana e o próximo. Na quarta-feira, finalizando esses 180 minutos dessa decisão, que será importantíssima para a gente”, continuou.
Posteriormente, comentou sobre o motivo do Corinthians “rodar tantas vezes o elenco” e discordou sobre o termo “déficit físico”. Dorival Júnior ressaltou que a pouca profundidade do time, com poucas opções para cada posição, situação que é diferente em relação a outros clubes do futebol brasileiro.
“Não é déficit físico, é recuperação de uma partida para outra. Dois dias e meio. Por exemplo, na partida anterior nós jogamos na quarta-feira com o Cruzeiro. O Botafogo não jogou. Dois dias e meio depois nós estaríamos numa partida. Fatalmente, se eu tivesse colocado a mesma equipe que atuou com o Cruzeiro, nós teríamos tido os mesmos problemas que tivemos com o São Paulo. Eu falo em termos de energia. Eu acho que vocês viram também a partida do nosso adversário da quarta-feira, que jogou no domingo e que também todas as entrevistas foram em razão do desgaste que estava acontecendo. Então, não é um fato exclusivo do Corinthians isso.”
“Logicamente que tem elencos bem compostos e que, de repente, possam suprir com poucas alterações. Nós temos ainda, nós estamos ainda num outro processo na nossa equipe. Temos um grupo que está se entregando muito, está se dedicando muito, está fazendo com que a equipe principal cresça pelo volume de treinamento, pela aplicação que eles estão tendo. Agora, essas dificuldades nós teremos. Nós temos um grupo bem enxuto, necessitando de algumas peças pontuais e, ao mesmo tempo, estando dentro de duas competições que são muito complicadas e difíceis. Em muitos momentos nós teremos que fazê-lo. Não tem como.”
Por fim, o comandante do Corinthians, que recentemente completou três meses de trabalho, fez um balanço da evolução defensiva da equipe desde a sua chegada. Em 17 jogos (sete vitórias, seis empates e quatro derrotas) com Dorival, o clube do Parque São Jorge não foi vazado em nove ocasiões – 12 gols sofridos. Veja no final da matéria quais foram.
Dorival Júnior atribuiu a melhora na defesa com o sistema de jogo da equipe, que, de acordo com ele, começa pelos “homens de frente”: “Eu acho que a melhora defensiva passa também por uma aplicação um pouco maior dos homens de frente. Quando isso acontece, quando você consegue marcar, quando você consegue pressionar o adversário, é natural que você comece a filtrar um pouco mais as jogadas para que o seu sistema sofra bem menos. Nós temos que encontrar esse equilíbrio, estamos buscando, ainda não é o ideal. O jogo de hoje foi um jogo muito disputado, um jogo parelho em todos os sentidos praticamente, desde posse de bola, oportunidade de gol, escanteios, trocas de passe. Em determinados momentos o Corinthians prevaleceu, em outros momentos o Palmeiras prevaleceu. Foi um jogo muito equilibrado e eu imagino que tenhamos esse mesmo tipo de confronto na semana seguinte.”
“Novamente um jogo muito difícil, que nós teremos que estar muito atentos, 100% focados, até porque enfrentamos uma equipe muito difícil de se jogar, de se marcar, e que exigiu muito, muito da nossa equipe em todos os aspectos. Então nós tivemos que nos adaptarmos dentro das mudanças que aconteciam dentro da partida, em razão da movimentação dos homens de meia e ataque do Palmeiras. Movimentação essa também que nós apresentamos e que em alguns momentos causaram dificuldades à equipe adversária”, finalizou.
O jogo de volta entre as equipes está marcado para a próxima quarta-feira, 6 de agosto, às 21h30 (horário de Brasília), no Allianz Parque. Um empate por qualquer placar classifica o Alvinegro para as quartas de final. Em caso de derrota por um gol de diferença, a disputa será decidida nas penalidades.
Antes disso, porém, o Corinthians recebe o Fortaleza, pela penúltima rodada do turno do Brasileirão, na Neo Química Arena. O confronto acontece no domingo, dia 3, a partir das 16h (de Brasília).
Confira abaixo outras respostas de Dorival Júnior após o Derby:
Fator determinante para a vitória nos primeiros 90 minutos
“Olha, eu acho que não tem sistema que dê certo se você não tiver aplicação, determinação e, acima de tudo, a entrega que vem acontecendo. Você pode mudar peças, mudar nomes, mas se não tiver essa determinação que a equipe vem apresentando, dificilmente você conseguirá resultados. O detalhe diferencial talvez tenha sido a jogada que proporcionou o gol. Nós tivemos uma ótima oportunidade, que foi o pênalti. Tivemos algumas boas oportunidades também ao longo da partida. O Palmeiras também as teve.”
“Nós temos que entender que para um jogo equilibrado, para duas equipes que se conhecem e respeitam como foi, nós teremos novamente, daqui a uma semana, uma partida desse nível, desse tipo, e eu não tenho dúvidas que com as mesmas dificuldades, tanto de um quanto do outro lado. Um fato normal para duas equipes que buscaram o resultado a todo momento. Eu acho que isso é um fato importante. Mesmo num jogo truncado, muito disputado, muito brigado no seu meio campo, as equipes não deixaram de procurar o ataque. Eu acho que esse é o objetivo maior.”
Pênalti desperdiçado por Yuri Alberto na primeira etapa, quando ainda estava 0 x 0
“Eu acho que isso é um fato natural, normal, que vai acontecer em qualquer momento com um atleta que seja capacitado a bater penalidades. Em muitos momentos ele se dará bem, em outros momentos ele terá problemas. Do outro lado também tem um goleiro muito bem treinado e de altíssimo nível. Fez uma bela defesa. O importante é que nós não perdemos a nossa organização, não perdemos a nossa objetividade e continuamos procurando o gol. Eu acredito que tenhamos tido algum merecimento para termos feito um gol tão importante para essa primeira parte de uma decisão tão grande como essa.”
Virada de chave da comissão técnica e atletas?
“Eu não vejo dessa maneira, eu acho que a cada rodada é um novo desafio, uma nova situação. Futebol é a regularidade, é a busca por um equilíbrio, equilíbrio esse que nós estamos trabalhando para tentarmos encontrar. Temos três jogadores que são muito importantes do meio para frente, depois de um período, é a primeira vez que nós temos os três aí. atuando, ainda não estão nas suas melhores condições, é um fato natural, não temos também que jogarmos uma responsabilidade excessiva, mas eu não tenho dúvidas que agregam muito e com isso também valorizam o trabalho daqueles que estavam entrando, que estavam buscando o preenchimento das vagas, fazendo com que a nossa equipe pudesse alcançar essa regularidade que todos nós queremos.”
“Eu acho que é um trabalho ainda em andamento, é um processo um pouco diferente do nosso adversário, mas nós temos que ter consciência que precisamos ainda de mais e melhorarmos em todos os aspectos para que esse equilíbrio possa ser um diferencial daqui para frente para a nossa equipe.””
Entrada de Breno Bidon, aberto pela direita no losango, no lugar de André Carrillo
“O Bidon já executou essa função que o Carrillo executou. O Palmeiras tem um lado esquerdo muito forte. Chegada do Sosa agora, Sousa fortalece ainda mais uma equipe que já tem muitas alternativas. Piquerez voltando novamente às suas melhores condições. Nós temos que tentar bloquearmos e também aproveitarmos quando tivermos em posse de bola para que possamos jogar por esse lado. Até porque é uma rotatividade muito grande, um movimento de passagem também muito forte pelo lado e isso dificulta para qualquer adversário. Eu acho que o posicionamento do Bidon ali deu uma sustentação ainda maior. Carrillo foi até onde suportou, fez um grande jogo no final de semana. Hoje também se entregou ao máximo. Enquanto ele suportou a partida, eu acredito que ele tenha feito um ótimo papel pelo lado. Nós temos que ter consciência que o Palmeiras tem ótimas alternativas em todos os setores do campo.”
Veja abaixo os jogos em que o Corinthians não foi vazado com Dorival Júnior:
1) Novorizontino 0 x 1 Corinthians – Ida Terceira Fase da Copa do Brasil 2025
2) Racing-URU 0 x 1 Corinthians – Fase de Grupos da Sul-Americana 2025
3) Corinthians 1 x 0 Santos – Brasileirão 2025
4) Corinthians 1 x 0 Novorizontino – Volta Terceira Fase da Copa do Brasil 2025
5) Atlético-MG 0 x 0 Corinthians – Brasileirão 2025
6) Corinthians 0 x 0 Vitória – Brasileirão 2025
7) Ceará 0 x 1 Corinthians – Brasileirão 2025
8) Corinthians 0 x 0 Cruzeiro – Brasileirão 2025
9) Corinthians 1 x 0 Palmeiras – Ida Oitavas Copa do Brasil 2025
Veja Mais:
Meio-campista da base do Corinthians renova contrato com multa milionária
Corinthians, ex-presidentes e Romeu Tuma Júnior se manifestam sobre investigação aberta pelo MP
Afastado, Augusto Melo assiste ao Derby em camarote de conselheiro na Neo Química Arena